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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Um novo sistema político

Precisamos de um novo sistema político, mais leve, que aproxime os eleitos dos eleitores, sem a intermediação perniciosa dos partidos.
Os partidos, todos, diria, consideram que os eleitos são seus representantes, pessoas às suas ordens, que se devem limitar a proceder e a votar de acordo com as directivas que recebem, sem discutir, sem direito a voz própria.
Mas os eleitos, com programas, representam os seus eleitores, e não os partidos, e devem ser julgados, individualmente, pelo que fizeram, ou deixaram de fazer, no fim de cada mandato.
Os eleitos podem, ou devem, diria, estar comprometidos com ideias ou programas de partidos, que ajudem a formar correntes de opinião e ajudar a discussão. Mas só isso.
Admiro o sistema inglês. O país está dividido em circunscrições eleitorais, tantas quantas os membros do parlamento, e cada uma elege o seu. A uma volta, ponto final. Se falecer, se ficar impedido, elege-se outro. Não há suplentes, não há listas, não há políticos à boleia.
Costuma apontar-se que este sistema de listas uni-nominais, sem segunda volta, concentra os votos em dois partidos, como se fosse o sistema que condiciona os eleitores e não os eleitores que usam o sistema. Mas nada é mais falso. Basta ver quantos partidos participaram nos debates eleitorais nas últimas eleições gerais, e a composição dos últimos parlamentos.
Esta pureza do voto representativo, o meu membro do parlamento, eleito sem segunda volta, sem arranjos, existe desde a Magna Carta, com pequenas variações, e está na base da rejeição pelos ingleses do parlamento europeu, dos parlamentares eleitos por listas, e dos comissários europeus, gente que nem sequer foi submetida a um escrutínio.
Sou daqueles que há muito tempo defende a adopção deste sistema em Portugal, sem círculos nacionais, ou outras heranças da partidocracia reinante.
Vivi alguns anos em Inglaterra. Assisti a grandes batalhas eleitorais. Vi a senhora Thatcher ser eleita. Vi o sistema em pleno funcionamento. E não tenho dúvida que seríamos muito melhor governados.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Perspectivas

Agora está na moda criticar as opções dos outros em vez de reflectir sobre as próprias opções.
Não alinho nesses peditórios, porque quero para mim próprio o direito de decidir sobre as minhas opções, sejam elas certas ou erradas, seja isso o que for.
Normalmente não há uma única alternativa, há múltiplas perspectivas, e aqueles que pensam o contrário estão redondamente enganados.
A dúvida faz parte da nossa própria natureza.
No entanto, há um "coro" de detentores da verdade nas chamadas redes sociais, seja a propósito da eleição de um qualquer presidente seja num fora de jogo futebolístico milimetricamente julgado.
Quando um meu aluno não sabe resolver um problema que eu lhe proponho, eu penso em primeiro lugar que eu próprio falhei, pois se eu lhe propus o problema é porque estava convencido de que ele o saberia resolver.
No jogo político, a situação é semelhante. Se os eleitores não escolhem a opção que os governantes em fim de mandato preferem, estes deveriam interrogar-se em primeiro lugar a eles próprios.
Ou será que alguém pensa que num mundo ideal todos terão a mesma opinião, as mesmas certezas, os mesmos desejos, as mesmas intenções?
Eu acho que não. Que o mundo é muito mais belo.
E que a incerteza é mesmo a única certeza.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Jornalismo

Não sou jornalista, mas sou leitor compulsivo de jornais, desde O Primeiro de Janeiro, que comecei a ler com quatro anos de idade, pelas mãos da minha Avó paterna. Lia tudo, desde a necrologia até às cotações dos títulos de dívida pública.
Entretanto, o mundo mudou várias vezes, mas continuo a comprar e ler diariamente o Público, porque gosto de ler notícias tratadas por bons jornalistas, com os factos verificados, com os títulos adequados, sem confusão entre notícia e opinião.
Ultimamente, o Público tem vindo a resvalar para um jornalismo com agenda que me desagrada, e tenho-o comentado regularmente. Gosto de ler opiniões, valorizo opiniões, independentemente de concordar com elas, mas não gosto nada de ser enganado, seja por notícias não verificadas, seja por plágio de outras notícias, seja por opiniões disfarçadas de notícias.
Dezanove anos depois, os jornalistas estão reunidos em congresso. Pouco noticiado, diga-se de passagem. Fico com a ideia de que estão a descobrir que o mundo mudou.
Claro que o mundo mudou, e toda a gente o sabe. A Internet mudou tudo, desde os taxis aos alojamentos, desde a compra de livros à formação de opinião, pondo em causa modelos de negócio baseados na intermediação, e estimulando o aparecimento de novos produtos e modelos de negócio.
Entretanto, os meios de comunicação social, que vivem muito da publicidade, deixaram a Google e o Facebook absorver grande parte dessas receitas, praticamente sem contrapartidas, e ainda não conseguiram desenhar esses novos produtos que permitirão aos melhores sobreviver.
Acho que vamos continuar à espera...

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Construir

Um país constrói-se a pensar no presente e no futuro. E a natureza ensina-nos a planear e prever.
A cortiça de hoje, o azeite de hoje, resultaram de decisões de pessoas que viveram antes, mas com essa visão de futuro.
Uma ponte bem feita, é feita para durar, para respeitar a natureza, e para preservar os valores estéticos do local onde é construída.
A escola também tem de pensar que está a formar jovens para viver num mundo que apenas podemos imaginar ou tentar prever. É esse o grande desafio.
Com as ferramentas de hoje, há matérias que aprendemos na escola e que agora são absolutamente dispensáveis, e há outras que a escola não nos ensina e que deveria ensinar.
Se há sessenta anos eu sabia de cor todas as estações e apeadeiros dos caminhos de ferro portugueses, porque não havia um Google, não fazia a mínima ideia de como evoluiria a mente humana perante as novas ferramentas sociais, que nos permitem comunicar instantâneamente com quem quisermos, comentar o que os outros dizem, tentar induzir os outros em erro, ameaçar, incomodar, criar personagens e notícias falsas, a coberto da sensação de impunidade que estar atrás de um ecrã ocasiona.
Este mundo altamente interactivo é muito perigoso, e todos temos de ter consciência de que estamos a construir instrumentos ao mesmo tempo aliciantes e com grande poder de destruição.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Arrumar a casa

Nós por cá sempre gostamos de fazer o que nos passa pela cabeça, sem pensar nos outros e nem mesmo no nosso próprio futuro!
Depois, somos um país sem estradas, só com ruas, sem qualquer sentido de organização, mesmo de defesa do nosso próprio bem estar. Famílias isoladas, pessoas isoladas, custos caríssimos, qualidade de vida péssima.
Sempre que viajo de avião, gosto de olhar para o terreno e ver como noutros países as pessoas organizam as suas casas, em pequenas vilas ou aldeias, à volta de uma praça, onde há um jardim, uma escola, um centro social, e vizinhos, que se ajudam mutuamente, e que são a primeira linha de apoio a cada um, contra o isolamento.
Tudo isto contrói-se lentamente, com outras mentalidades, com espírito de partilha, pensando menos no imediato e mais a médio prazo.
Mas tudo isto esbarra com a política, com o sistema político, com a necessidade de ganhar eleições no imediato, com obras disparatadas, mais uma piscina, mais uma rotunda, mais uma festa, mais um fogo de artifício, mais um adiamento do essencial.
Todos nós somos capazes de identificar dezenas, centenas, milhares de obras inúteis, de dinheiro mal gasto em benefício de alguns, do conluio entre o político, o construtor e o gerente bancário, e um país sucessivamente adiado.
O facto de esta mudança de mentalidades não se poder fazer de um dia para o outro torna-a ainda mais urgente!

domingo, 1 de janeiro de 2017

2017

Estamos em 2017!
Sobrevivemos mais um  ano, o País continua a respirar, o mundo deixou de olhar para nós com demasiada atenção, está na hora de aproveitar.
Aproveitar para pensar menos no imediato e mais no que pretendemos para este colectivo chamado Portugal, como melhorar a qualidade dos nossos governantes, o funcionamento da justiça, a educação que proporcionamos aos nossos jovens, como tratamos os mais velhos.
Um País são regras, são sistemas, são organizações, mas são essencialmente pessoas, que têm o direito e o dever de sonhar.
E as pessoas estão a aprender a desconfiar dos políticos que sabem tudo e a seguir aqueles que lhes falam mais ao coração, 

domingo, 22 de maio de 2016

Plano B

Sempre que ouço falar em plano B vem-me à memória a tristemente célebre ideia do ministro das finanças em 2011 de fixar uma fasquia para as nossas taxas de juro, 7%, que se fosse ultrapassada nos obrigaria a pedir o resgate de Portugal. Dito e feito. Foi, e bem depressa.
Estou convencido que esta coisa de se revelar a alternativa, o plano B, nunca funciona!
Imaginemos por exemplo que o governo anunciava que se a coisa corresse mal aumentaria o imposto para os automóveis de valor superior a 25 000 €. O efeito imediato seria que todos os que tinham em vista tal aquisição a antecipariam para evitar o imposto, e lá se iria o efeito pretendido.
É evidente que há plano B. Todos temos um plano B sempre. Na nossa vida pessoal, nas empresas, e no governo. Para as pequenas acções e para os grandes projectos. E um plano C, caso o B também não resulte.
O que me incomoda é esta ideia dos jornalistas, e dos economistas comentadores, de quererem saber quais serão as medidas que o governo tem na manga para o caso de haver um desvio nas suas previsões.
Esta atitude radica no conceito de que todo o funcionamento da economia se explica numa folha Excel e que, portanto, tudo é muito fácil, tudo o que os governos têm é má vontade. Mas não é. As decisões tomam-se no momento. Formulam-se hipóteses, imaginam-se cenários, consideram-se alternativas, mas as decisões só se tomam no momento.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A formiga no carreiro

Todos já vimos as formigas no carreiro.
As formigas desenvolveram um sistema de orientação que lhes permite colectivamente encontrar o caminho para uma zona onde haja alimentação e ordeiramente proceder ao seu armazenamento. Apenas com base nas feromonas que libertam quando encontram alimentos e que se evaporam ao fim de algum tempo, as formigas comunicam umas com as outras e acabam todas alinhadas no caminho óptimo, contornando obstáculos da forma mais inteligente.



Este sistema de comunicação mediada por feromonas deu origem a algoritmos de optimização muito eficientes não só na descoberta de caminhos óptimos como também noutras áreas como escalonamento de acções ou horários de aulas.
Mas curiosamente este sistema não responde a mudanças. Se um dos obstáculos for retirado, as formigas continuam a contorná-lo como se lá continuasse...
Só há uma maneira de obrigar as formigas a encontrar o caminho melhor: desorientá-las, através da introdução de um obstáculo inesperado, que é retirado de seguida. Perante a desorientação, as formigas fazem outra vez todo o trabalho e rapidamente encontram o caminho que já lá estava mas que lhes escapava.
O mesmo sucede com as sociedades, que precisam de um abanão de vez em quando para fugirem da rotina e descobrirem as alternativas que sempre existem.
Ou não será?

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Mau Estado

O Francisco Jaime Quesado escreve hoje no Público sobre os Cinco desafios para o futuro governo. Não concordo nada com a sua visão estratégica.
O que é essencial é que as pessoas entendam como funciona o mundo hoje, e que assumam os seus próprios projectos, e que o estado ajude aqueles que perderam os seus empregos que julgavam para a vida e que nunca mais recuperarão.
O que precisamos é de acelerar a transição de uma economia da ignorância que ainda vivemos para uma economia do conhecimento, que já tivemos há uns 600 anos atrás e que perdemos pelo excesso de (mau) estado, por uma máquina clientelar gigantesca, em grandes e pequenos negócios, dos ministérios às juntas de freguesia. Todos os dias tomamos conhecimento de novos casos.
O que não podemos é continuar a sustentar um mau estado que se desculpa sistematicamente com a crise económica, sem procurar as verdadeiras causas do nosso atraso e desespero.
Um exemplo gritante é o das Universidades, e aí estou totalmente de acordo com o Reitor da Universidade do Porto, quando nos tentou dizer que é preciso procurar noutro sítio as razões para o crescente abandono escolar no ensino superior. 


Há outras razões, tão ou mais importantes, como a ausência de motivação, o sentido de inutilidade, a frustração, a noção de que se escolheu um curso que conduz ao desemprego. 
Os jovens merecem melhores cursos, cursos que ofereçam perspectivas de trabalho num mundo em mudança. Deixem as Universidades adequar as suas ofertas a essas necessidades percebidas, em vez de as espartilhar em numerus clausus enganadores.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Non Profit

Uma sociedade que se desenvolve em função do lucro, em função da existência de seres humanos que acham que podem contratar (escravizar?) outros seres humanos com o objectivo de realizar lucro, de acumular riqueza, não é uma sociedade em que apeteça viver.
No entanto, por mais progresso, desenvolvimento, automação, robotização, eliminação de postos de trabalho degradantes, ainda não não fomos capazes de chegar a uma nova redistribuição do trabalho que permita a todos trabalhar menos e viver melhor.
Cada posto de trabalho eliminado tem um custo social duplo, pois o sistema social passa a ter mais despesas (desemprego, formação, etc,) e menos receitas (taxas sociais), e só beneficia o empregador.


Dizia o grande Agostinho da Silva que “O trabalho não é virtude, nem honra; antes veria nele necessidade e condenação; é, como se sabe, consequência do pecado original.” Será mesmo? Não seremos capazes de romper com esta situação?
Hoje, temos a experiência, os exemplos e as ferramentas que nos permitem augurar que sim.
Há uma nova mentalidade entre os jovens, disponibilidade, espírito non profit, vontade de fazer bem não pelo lucro que daí pode advir mas porque tal contribui para uma vida melhor.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Adeus 2014!

Fico-me com Torga
E prometo voltar em 2015.
Com a esperança de que os sinais que começamos a avistar sejam os de uma nova realidade, menos avessa à cultura e à educação, sem medo dos poderosos, tantas vezes com pés de barro.
Bom Ano para todos!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O logro da tecnologia

O discurso de hoje, aquilo que a maior parte das pessoas pensa e diz, a todos os níveis, esquece que a tecnologia é um produto da mente humana, e deve estar ao seu serviço.
Pelo contrário, as pessoas aparecem como que "escravas" da tecnologia, do seu uso, independentemente da utilidade que lhe atribuam, e desvirtuando completamente a noção de tecnologia como servindo de apoio à sua actividade.
Encontro todos os dias casos deste endeusamento da tecnologia, com consequências e custos gravíssimos, ainda por cima mal compreendidos pelos fautores dos excessos.
As tecnologias educativas serão um dos exemplos que melhor conheço, mas poderíamos falar também das tecnologias médicas, por exemplo.
A confluência de vendedores de produtos tecnologicamente "avançados" com utilizadores com expectativa de melhorar a forma como realizam as as suas tarefas profissionais, e com o dinheiro de terceiros, normalmente dos nossos impostos, produz uma mistura explosiva, de que tanto pode resultar distribuir milhares de quadros interactivos multimédia pelas nossas escolas do ensino básico e secundário, ou computadores pelos nossos tribunais, ou equipamentos que nunca serão utilizados por certos hospitais.


E assim, hoje, não se olha para o doente, prescreve-se uma bateria de exames, não se ensina aos estudantes a vantagem de um suporte visual para comunicar com uma audiência, ensina-se Prezi acefalamente, porque é moda, não se pensa como despertar o pensamento computacional nos nossos miúdos, dá-se-lhes Scratch.
No entanto, a tecnologia é absolutamente indispensável para que possamos deixar de ser um País de escravos dos processos, da produção, da produtividade, para sermos um País da criatividade e da concepção, da valorização dos nossos recursos.
Só que este pequeno clique, esta mudança de mindset, requere que se pense, que se compreenda que as nossas atitudes, as nossas decisões, estão para além de todos os decretos do governo, mas resultam do exemplo, da influência, das redes, da vontade de perceber, e é isso que falta.
A tecnologia vem logo a seguir.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Depressa e devagar

Eu, que em quatro décadas conclui um curso de Engenharia Electrotécnica com uma ou duas aulas sobre transistores dadas por um professor que só sab(er)ia de válvulas, que iniciei o ensino e a aprendizagem de Electrónica do Estado Sólido na Faculdade de Engenharia, que recebi e folheei por essa altura a primeira edição do primeiro catálogo da Intel com o microprocessador de 4 bits Intel 4004, que fui co-autor do primeiro projecto de um computador digital realizado na FEUP, que fui adepto do Z80, que me apaixonei pela digitalização e pelo Processamento Digital de Sinal, que explorei até ao limite a utilização de múltiplos microprocessadores de sinal no processamento de sinais bioeléctricos, que trabalhei com o grande computador de Manchester, em que podia submeter programas ao ritmo de um por dia (!), que colaborei, em Portugal, no desenvolvimento de um equipamento de processamento de sinais electrofisiológicos de topo, que acompanhei todos os desenvolvimentos de microprocessadores Motorola, Intel, AMD, de 4, 8, 16, 32, e 64 bits, que comecei a usar e-mail ainda nos anos 80, com o sistema Eurokom, da Comissão Europeia, que estive no projecto do Centro de CIM do Porto, que enquanto durou formou dezenas de engenheiros de produção e sistemas, que comecei a utilizar a Internet na sua hora zero, com modems a 14.4 kbit/s, e com modems de cabo em casa, e depois ADSL, e agora fibra, que vi os primeiros Macs, o DOS, o Windows, a Google, o Facebook, que trabalhei em dezenas de projectos de cooperação internacionais e nacionais, que descobri o potencial dos sistemas com inteligência distribuída, das redes, dos sistemas complexos, da análise de dados e visualização da informação, até chegar à Social Physics, by Alex Pentland, ao big data, às portas de um novo mundo, respiro fundo e penso.
Passou tudo tão depressa que quase ninguém se apercebeu do que ia acontecendo, dos passos de gigante que iam sendo dados, da lógica das coisas, das implicações na nossa vida do dia a dia, do emprego e no desemprego, da velocidade das transacções, da globalização, do número exponencialmente crescente de intervenientes nos mercados, dos novos fluxos, não de materiais, ou de energia, ou de informação, mas sim de ideias, que se espalham e ganham as pessoas segundo regras e leis que só agora começam a ser estudadas. Mas sempre com a sensação de que tudo passou devagar, que muito mais e melhor poderia ter sido feito no mesmo tempo...


O mundo é diverso, mas hoje está ao nosso alcance como nunca esteve, desde que saibamos mobilizar as nossas competências, a nossa imaginação e a nossa curiosidade. Nunca foi tão fácil.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O velho e o novo

Durante muitos anos ninguém se interrogou sobre o facto de os automóveis serem todos iguais, e pretos. Era assim. Não se discutia. Até que se começou a discutir, e a pensar, e a automatizar a produção, e a criar um vínculo entre cada automóvel na linha de montagem e o seu futuro dono, de tal modo que hoje nos surpreendemos só de pensar que já não foi assim.
O mesmo com os sapatos, onde havia muito poucos modelos diferentes, porque uma linha de montagem de sapatos teria de produzir sapatos em número suficiente para amortizar cada colecção de cortantes, ou seja, umas boas cenenas de milhares. Até que apareceram as máquinas de corte por jacto de água, e lá se foram os cortantes, e todas essas restrições, podendo os sapatos agora ser produzidos ao gosto de cada cliente, sem grande aumento de custo.
E até no ensino, cada vez mais focado no aprender, no aluno, no "consumidor", e não no professor, no ensinar, no debitar das matérias do currículo nacional de uma forma mecanizada. Embora aqui ainda haja um longo caminho a percorrer até chegarmos à escola sem papéis, sem os velhos manuais, pesados, mal tratados, rabiscados pelos alunos, cheios de erros, a pedir que os substituam por manuais electrónicos, que se actualizam como qualquer aplicação para um tablet, que registam a actividade de cada um, que comparam, que avaliam as actividades propostas, que tratam individualmente cada aluno, de um modo personalizado, e colocam a cada um os desafios mais motivadores.
Na Internet, que passou em meia dúzia de anos dos velhos sítios com conteúdos gerados pelos seus criadores, para os novos espaços públicos onde os conteúdos são gerados pelos utilizadores, como no Facebook, onde cada um tem a sua cronologia e interage com quem quer, num espaço pessoal, seu, e em todas as aplicações de que gostamos.
Na organização do trabalho, em que a ideia de colaborar, de fazer em conjunto, uma coisa indefinida, uns escondidos atrás dos outros, foi substituída pelo conceito de cooperar, em que o objectivo é decomposto em tarefas que são distribuídas pela equipa, sabendo cada membro exactamente o que lhe compete fazer e como o sucesso do todo depende da sua parte.
Até no software, nos sistemas multi-agente, por exemplo.
Mas não é assim na política entre nós. Não nos propõem contratos claros entre eleitores e eleitos. Oferecem-nos listas, tudo a monte, em que não sabemos quem vai fazer o quê, ou representar quem.
E é por isso que, por toda a Europa, os cidadãos preferem propostas claras aos velhos partidos de massas, das listas, do tudo a monte, e é isso que tem de ser mudado. Que vai ser mudado, quer os partidos queiram quer não.
Talvvez construindo sobre os movimentos que aqui e agora vão emergindo, vão propondo caminhos novos.
Primárias abertas nos partidos. Porque não? Círculos uninominais. Quando? Qual é o medo?

domingo, 18 de maio de 2014

Dia 1 do pós-troika: tudo igual?

Não! Não está tudo igual. Está tudo pior. Porque ainda não começamos sequer a pensar como vamos recuperar da destruição da nossa agricultura e indústria tradicionais, em troca de uns milhões que foram parar a alguns bolsos, recuperar dos investimentos faraónicos permitidos pelo dinheiro fácil, e recuperar desta armadilha chamada Euro, destes quase trinta anos trágicos em que sonhamos que tudo seria possível como num milagre.
Entretanto, o mundo mudou e muda todos os dias, transformando-se rapidamente numa economia baseada na robotização, na automatização e no conhecimento, na substituição de postos de trabalho ocupados por pessoas menos qualificadas por máquinas, por soluções globais, que atravessam as fronteiras, sem que quem tem a obrigação de estar atento, os sindicatos em primeiro lugar, avance com soluções que tirem partido deste fenómeno para reduzir as horas ou os dias de trabalho semanal de cada trabalhador, que distribua o trabalho existente por todos os trabalhadores disponíveis, avaliando, remunerando melhor quem trabalha melhor, mas mantendo todos saudavelmente ocupados.
E tempo livre significa lazer, indústrias do lazer, novas actividades que poderão mudar a forma como trabalhamos e como usamos o nosso tempo livre, que terá de ser em formas de convívio entre os concidadãos, que contribuam para a construção de uma nova identidade, baseada nos conceitos fundadores da fraternidade e da soidariedade.
James Altucher aponta estes problemas no seu livro Choose Yourself, de que faz aqui uma breve apresentação

O problema é muito simples: cada um tem de fazer a sua própria escolha, tem de melhorar, tem de ter uma ideia por que lutar, um programa de vida. E o colectivo também. Não acredito que os actuais líderes dos dois maiores partidos sejam capazes de compreender sequer o problema. Basta-lhes salvar os seus lugares na máquina do Estado, por mais pobre que esteja ou seja.

sábado, 3 de maio de 2014

Precisamos de gente que pense

Admiro os "economistas", estes seres oriundos sabe-se lá de onde e que acham que a conta de dividir e a regra 3 simples chegam para entender o funcionamento do mundo, por mais complexo que aos outros pareça.
E se não resulta, obviamente que a culpa é dos outros, daqueles que passaram a consumir menos, ou que passaram a trabalhar menos, ou que perderam o emprego, e nunca do modelo simplificado que consideraram, um daqueles em que só se pode alterar uma variável de cada vez.
Qualquer pessoa sabe que se aumentarem os impostos o rendimento disponível diminui e o consumo também, podendo facilmente as receitas dos impostos diminuir, em vez de aumentar. Os "economistas" não.
Qualquer pessoa sabe que a receita para combater o desemprego não é de certeza aumentar o horário semanal daqueles que ainda têm emprego, mas precisamente o contrário. Os "economistas" não.
Qualquer pessoa sabe que a automatização, a robotização, a desmaterialização da economia, eliminam postos de trabalho com menor exigências de qualificação, e que as pessoas que os perdem só muito dificilmente encontrarão outro emprego na sua vida. Os "economistas", não. Não é com eles.
Qualquer pessoa sabe que deslocalizar a produção em massa de bens para países de mão de obra barata se vira a curto prazo contra os países que esvaziam o seu tecido produtivo. Os "economistas", esses não.
Não precisamos destes "economistas", mesmo que tenham ganho prémios Nobel, não precisamos de tantas opiniões sobre o que devíamos e não devíamos ter feito.
Precisamos de gente que pense pela sua cabeça, que tenha ideias credíveis, que tenha a noção de como as pessoas normais decidem e reagem, e que as mobilize, em nome da melhoria generalizada da qualidade de vida que está ao nosso alcance.
E devo dizer que não me parece muito complicado, para quem viu grandes mudanças como a fixação do salário mínimo nacional, como o fenómeno dos "retornados" ou como a reunificação da Alemanha. Que aconteceram porque ninguém pediu a opinião a nenhum economista... Haja coragem. Haja gente com coragem!

sábado, 5 de abril de 2014

E se as pessoas fossem remuneradas pela sua disponibilidade?

Aquilo que me parece muito errado por exemplo para a remuneração das PPP das ex-SCUT - de acordo com a disponibilidade das AE e não do tráfego efectivamente verificado, desde que não exceda um determinado valor - e que foi uma porta para contratos ruinosos, assinados por políticos que sabiam que estavam a favorecer interesses privados, já me parece bem para as pessoas.
Para simplificar, imaginemos uma profissão, sei lá, empregado de mesa, em que há um determinado nível de desemprego, que origina uma fila de espera para a obtenção de emprego, constituída por todos os desempregados dessa profissão, numa determinada área geográfica.
Estes desempregados são um pouco fruto do acaso, e não do seu demérito, estão disponíveis para trabalhar tal como os seus colegas empregados, poderão até ser mais competentes, e não se percebe que seja penalizados por algo que não lhes diz respeito.
A pergunta que coloco é pois, porque não são remunerados por essa disponibilidade, por um valor equivalente?
fonte: oinsurgente.org 
Imaginemos um sector em que 15% da mão de obra disponível está desempregada.
Todos estes desempregados teriam trabalho se cada um cedesse 15% do que tem, eventualmente, como eu defendo, sem prejuízo, uma vez que os custos seriam coberto pelas economias no subsídio de desemprego e em toda a máquina burocrática associada.
Bastaria, por exemplo, rodar as pessoas de tal modo que o trabalho fosse distribuído por todos de uma forma equitativa, obrigando cada um, por exemplo ao fim de 11 meses de trabalho, a dar o lugar ao primeiro da lista de espera e a tomar o lugar do último dessa lista, sendo certo que a sua vez chegaria dentro de dois ou três meses, em função do nível de desemprego no sector.
Entretanto, cada trabalhador seria sujeito a uma avaliação no fim de cada período de trabalho, que lhe permitiria ver ajustada a sua remuneração neste mercado virtual, para cima ou para baixo, de acordo com a sua competência.
Não havendo nada mais compensador para quem quer trabalhar que saber que a sua vez chegará, num sistema equitativo e transparente, em que, no fundo, o desemprego acaba por ser absorvido por umas férias mais longas de cada um, parece-me que este sistema poderia desbloquear muitos fantasmas de emprego e de desemprego, com vantagens evidentes, criando novos factores competitivos, abrindo portas a um melhor usufruto do lazer, e expurgando a sociedade desta noção mentirosa de desempregado, que não tem emprego, que não serve para nada.
Excluídos ficariam automaticamente os incapazes, merecedores do nosso apoio, e aqueles que realmente não querem trabalhar, que acham que são os outros que os devem sustentar, e para os quais um apoio mínimo será talvez de mais.
Não estará na altura de mudarmos de paradigma?

terça-feira, 1 de abril de 2014

Deplorável!

Será que um dia aprenderemos a depender apenas do nosso esforço, sem andar atrás de miragens, da Índia, de África, do Brasil, da Europa, do Euro, da reestruturação?
Será que um dia vamos tomar conta do nosso destino, pensar, encontrar um lugar, fazer?
Será que um dia vamos olhar a sério para nós próprios, para o mal que fazemos a nós próprios, na educação, no património, na justiça, na saúde?
Será que um dia nos livramos dos que se governam, dos que se especializaram em viver à custa dos nossos impostos, dos que singram impunemente, à nossa frente, sendo mais depressa aplaudidos que punidos?
Será que um dia vamos perceber que não há salvadores, não há receitas milagrosas, não há fórmulas para o crescimento económico?
Será que um dia vamos perceber que o mundo mudou, que a economia não é comandada pela produção, que estamos em pleno século XXI, numa sociedade global, cada vez com menos fronteiras, cada vez mais aberta?
Será que um dia nos libertaremos dos estigmas do passado, das contradições entre mais automação e mais emprego, da ideia de um Estado omnipresente e omnipotente?
Receio bem que não, que vamos continuar a preferir não mexer, não mudar, e esperar, que o pior não seja muito pior, sem tocar em nada de essencial, a começar pelo sistema político, por este exército de políticos incompetentes, que nada faz, que nada muda, que não sabe, que não sabe que não sabe.
E há tanto a fazer, há tanto que se pode fazer já, que é preciso fazer já, que não pode esperar nem mais um minuto!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

2014

Muito se tem falado ultimamente em ajustamento, que é basicamente o que estivemos a fazer para mostrarmos aos nossos credores que podem acreditar em nós, que vamos cumprir com os nossos compromissos.
Foi por isso que o Estado teve de ajustar as suas receitas e despesas de uma forma brutal, desajeitada, criando receitas e cortando despesas de forma normalmente atabalhoada, mas preparando-se agora para entrar em 2014 de cabeça levantada, com um orçamento em que a receita primária cobre basicamente a despesa obrigatória e os encargos da dívida não andam longe de encaixar no défice negociado para 2014.
Não é uma situação brilhante, pois os cortes realizados foram muitas vezes à cega, originando situações de dificuldade extrema em alguns grupos sociais, e realmente temos uma dívida acumulada gigantesca, disforme, resultado do esbanjamento/desvio de dinheiros públicos para uma política de semear dinheiro, para cursos do FSE mais ou menos virtuais, para obras de regime como o Euro 2004, para uma rede de auto-estradas criminosa, para PPPs feitas sobre o joelho, para negociatas como a do BPN/SLN, obra prima do bloco central de interesses que nos tem governado, que será muito difícil pensarmos em amortizar essa dívida nos tempos mais próximos, pelo que teremos de contrair novos empréstimos à medida que os actuais vencem.
Mas estamos em condições de parar para pensar, como estão a fazer os Irlandeses.
Deixando a discussão da legimidade da nossa dívida total para daqui a mais algum tempo, é altura de acertamos os ajustamentos feitos no sentido de uma maior justiça social, e de apontarmos todas as baterias para o crescimento, e nomeadamente para a educação dos mais jovens. investindo aqui todos os parcos recursos que seja possível libertar.
Só que este primeiro passo, decisivo, exige, quase como condição previa, um governo de gente séria, em que em vez de profissionais de política, tenhamos cidadãos comprometidos, como parece que começa a ser possível vislumbrar.
Saúdamos 2014 como o possível ano da mudança, da esperança, do fim da loucura destes anos em que um grupo de especuladores, com a cumplicidade de governos incompetentes, quase destruíram Portugal e o Mundo ocidental.
Será? Vamos a isso!

domingo, 24 de novembro de 2013

Prova dos nove

Na minha opinião, não há profissão de maior responsabilidade que a de professor do ensino básico ou secundário.
Os jovens crescem e aprendem com os Pais e a família, com a sociedade em que vivem e com os seus professores e colegas, na Escola. Os jovens, todos os jovens, encontram um grande número de professores ao longo dos doze anos de escolaridade obrigatória, que serão, para o bem e para o mal, exemplos de vida que os marcarão durante muitos e muitos anos.
Os professores serão, ou deveriam ser, os mais preparados para ajudar os alunos a aprender, para além das matérias constantes dos currículos obrigatórios, a ser cidadão, a ser capaz de pensar e de ter opinião própria, a perceber como se organiza e cria o trabalho, como funciona a sociedade em geral, como se processa a sua evolução.
Marc Prensky, o homem que propôs o conceito de nativos digitais, dizia há bem pouco tempo no seu Twitter que "os professores não ensinam as matérias, ensinam os alunos"! Inteiramente de acordo. Alunos que convivem com a sociedade global de uma forma que a maior parte dos professores não compreende, e que muitos rejeitam, mas que é a realidade.
Se olharmos para a nossa história recente, reparamos que a nossa Escola, pesem embora os Magalhães, os quadros interactivos, os planos tecnológicos, não foi capaz de acompanhar a evolução social, o que faz com que muitos alunos rejeitem a Escola como espaço de convivência, de alegria, de busca de oportunidades.
As tecnologias, que muitos usam simplesmente para fazer as mesmas coisas do passado de uma forma diferente, e mais complicada, e não para fazer coisas novas, que sem as tecnologias seriam impossíveis, nunca foram vistas de uma forma transversal, e acabaram por remeter os professores de Tecnologias de Informação e Comunicação para um canto.
Michael Gove, Ministro da Educação do Reino Unido, fez em 11 de Janeiro de 2012 um discurso notável, que deveria ser leitura obrigatória para todos os educadores, e que se foca especificamente nesta questão. Como ele diz a determinada altura, "imagine the dramatic change which could be possible in just a few years, once we remove the roadblock of the existing ICT curriculum. Instead of children bored out of their minds being taught how to use Word and Excel by bored teachers, we could have 11 year-olds able to write simple 2D computer animations using an MIT tool called Scratch. By 16, they could have an understanding of formal logic previously covered only in University courses and be writing their own Apps for smartphones".
O currículo de TIC como factor de bloqueio! Pois é! E basta olhar para a história do nosso grupo 550 para percebermos que assim é! TIC deveria tratar de informação, de processamento de informação, de abstracção, de raciocínio abstracto, de despertar nos jovens o gosto por fazer coisas mais difíceis, por ir para além dos limites.
Infelizmente há professores que não estão à altura destes desafios. E daí, uma simples prova de avaliação de conhecimentos e capacidades que é um teste elementar da capacidade de raciocínio de cada um que quer ser professor assusta tanto.
E depois admiramo-nos de 435 000 jovens que nem estudam nem trabalham. É que para trabalhar é preciso trabalho, e para haver trabalho tem de haver empresas competitivas, e para haver empresas competitivas tem de haver jovens que sabem o que querem, e para isso é preciso bons professores...