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domingo, 19 de março de 2017

Não sabem que não sabem

Estou convencido que toda esta azáfama à volta da operação Marquês resulta directamente do fracasso das investigações do caso Freeport, já que o ónus de outro insucesso recaíria directamente sobre a equipa de procuradores e investigadores, onde há elementos comuns aos dois casos.
Mas não acredito que estes crimes, que envolvem trocas de informação, pagamentos, ocultação de provas, dissimulação de operações, redes de empresas, reais ou fictícias, offshores, gente especialista neste universo, profissional da realização de operações obscuras, no limite da legalidade, programas informáticos que geram automaticamente operações sobre operações, milhões de e-mails cuja leitura pelos investigadores do DCIAP é morosa e difícil, possam ser facilmente identificados e confirmados.
Aquela migração dos headquarters do grupo GES para um hotel do Estoril denotava o volume e a complexidade das operações que estes financeiros são capazes de originar.
No entanto, hoje, nas nossas principais universidades, e nomeadamente nas três clássicas, há know how que poderia contribuiria decisivamente para a desmontagens destas operações complexas.
O seu não envolvimento nestas investigações assusta-me.
Os maiores ignorantes são os que não sabem que não sabem, e esses, encontramo-los todos os dias e em toda a parte.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Existe um mundo do outro lado

Este País que não cresce, que não tem ideias, que não tem políticos, que não se revolta, que espera com indiferença o pior e o melhor, que vive do futebol de bancada, dos insultos nos debates televisivos, das casas de segredos, dos crimes feitos novelas, das tricas, dos "famosos", parece que não tem emenda.
Estamos presos, não sabemos como passar para o outro lado, nem sabemos mesmo se haverá outro lado, mas há!
Há, mas o caminho é longo. Afastamo-nos muito, andamos entretidos a fazer o fácil, a pedir dinheiro emprestado e encaminhá-lo para o bolso de alguns espertos, sejam eles GES, BPN, amigos da CGD, titulares de cargos políticos que preferiram o caminho da corrupção, e que fizeram as leis que lhes permitiram "legalizar" os seus golpes, através de um estado monstro, através de obras de betão, planos de recuperação, insolvências fraudulentas, negócios inexplicados, empréstimos sem garantias, e uma lista infindável de artimanhas todas com o objectivo de desviar os recursos de todos para os bolsos de alguns.
Mas hoje, em que a ameaça de juros da dívida cada vez mais elevados, com um serviço da dívida verdadeiramente sufocante, esse caminho fica cada dia mais difícil.
Era bom pensarmos nisso!

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Não há palavras

O País arde, pela incompetência dos políticos, dos que governam e dos que fiscalizam o governo, ou vice-versa, que vai dar ao mesmo. O facto de, desta vez, os comentários dos "representantes" dos bombeiros serem mais brandos só o confirma.
As finanças estão incendiadas, não vai haver dinheiro, não sabemos viver numa economia que não cresce, em que os bancos não pagam juros, em que o capital não é remunerado como antigamente. Mas ninguém fala nisso.
As pensões, baseadas exactamente num esquema de remuneração dos fundos acumulados, estão em perigo. Mas quem quer discutir isso? Há aquele estudo, do ministro muito entendido nestas coisas, e basta...
A economia não cresce, ninguém investe, não há ideias, um rumo, um caminho, uma luz, uma esperança, mas isso que interessa?
Estamos no grau zero da credibilidade, o próprio BCE está a preparar-se para nos largar, vale-nos apenas a nossa irrelevância. Mas não há razões para alarme!
O governo, os ministros, a oposição, os deputados, andam preocupados? Não! Estamos em Agosto!
Temos o que merecemos.
Não há palavras...

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Máquinas de lavar

Há máquinas de lavar a roupa, há máquinas de lavar a louça, há máquinas de lavar automóveis, e há máquinas de lavar dinheiro. Dinheiro sujo. Dinheiro cuja proveniência precisa de uma explicação.
E há o outro lado deste mundo, os esconderijos onde se guarda o dinheiro que aguarda pela oportunidade de ser limpo.
O dinheiro sujo vem de negócios sujos, droga, prostituição, tráfego humano, de refugiados, falsificação, e outros métodos de que a mente humana é capaz, desde os tempos bíblicos.
Não há limites, quer nos métodos quer nos valores envolvidos.
Ouvimos todos os dias notícias relacionadas com estas actividades, desde as fraudes nas apostas desportivas às transferências de jogadores de futebol, desde os grandes negócios titulados por empresas offshore por valores fora de mercado, às malas carregadas de dinheiro que circulam de país em país, desde os negócios onde políticos e empresas se misturam alegremente, sem qualquer respeito pelas normas éticas mais elementares, às transações de prémios de jogos de casino, lotaria ou totoloto, etc.
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Os grandes buracos, os milhares de milhões que se sumiram dos bancos, cá e em todo o mundo, estão na sua maioria escondidos, em antecâmaras onde aguardam pela sua vez de regressar aos circuitos financeiros legais, pois desde que haja uma justificação para a exibição do dinheiro, este está limpo e pode ser utilizado livremente.
Seremos capazes de eliminar esta vergonha um dia? Não sei...

terça-feira, 17 de maio de 2016

Egoismos

Vi agora que há quase meio ano que não deixo aqui os meus comentários.
Entretanto, tudo mudou, e nada mudou. No nosso País, e no mundo.
Por cá, novo governo, novo presidente, novo discurso, um sentimento de que afinal haveria alternativa a uma austeridade tremenda, e ao mesmo tempo a noção de que não temos os recursos, especialmente os humanos, necessários para sair desta situação terrível.
Lá fora, governos que caem, políticas que falham, uma crise endémica que ameaça prolongar-se por tempo indefinido, o reconhecimento de que tudo está mal, e a mesma incapacidade de encontrar o caminho alternativo que se reconhece quase unanimamente como necessário.
O sistema bancário desregulado, as economias de casino, os "produtos financeiros complexos", a inimaginável acumulação de capitais provenientes de actividades ilícitas, as empresas offshore destinadas a ocultar fortunas colossais, são sinais de um mundo que tem meios mas não tem resposta para os problemas mais básicos, como a fome, a violência, e os fanatismos.
No centro destes problemas estão os egoismos, as coutadas, esta incapacidade de repartir o que quer que seja, nomeadamente o trabalho.
Num mundo em que cada vez mais trabalho é realizado por máquinas, de forma automática, com menos intervenção humana, trabalho normalmente penoso, repetitivo, duro, realizado em condições difíceis, não se percebe que não ganhe apoio a ideia de trabalhar menos dias por semana, distribuindo o trabalho disponível por todos, criando novas oportunidades para uma indústria ligada ao lazer e ao tempo livre.
Puro egoismo!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Mau Estado

O Francisco Jaime Quesado escreve hoje no Público sobre os Cinco desafios para o futuro governo. Não concordo nada com a sua visão estratégica.
O que é essencial é que as pessoas entendam como funciona o mundo hoje, e que assumam os seus próprios projectos, e que o estado ajude aqueles que perderam os seus empregos que julgavam para a vida e que nunca mais recuperarão.
O que precisamos é de acelerar a transição de uma economia da ignorância que ainda vivemos para uma economia do conhecimento, que já tivemos há uns 600 anos atrás e que perdemos pelo excesso de (mau) estado, por uma máquina clientelar gigantesca, em grandes e pequenos negócios, dos ministérios às juntas de freguesia. Todos os dias tomamos conhecimento de novos casos.
O que não podemos é continuar a sustentar um mau estado que se desculpa sistematicamente com a crise económica, sem procurar as verdadeiras causas do nosso atraso e desespero.
Um exemplo gritante é o das Universidades, e aí estou totalmente de acordo com o Reitor da Universidade do Porto, quando nos tentou dizer que é preciso procurar noutro sítio as razões para o crescente abandono escolar no ensino superior. 


Há outras razões, tão ou mais importantes, como a ausência de motivação, o sentido de inutilidade, a frustração, a noção de que se escolheu um curso que conduz ao desemprego. 
Os jovens merecem melhores cursos, cursos que ofereçam perspectivas de trabalho num mundo em mudança. Deixem as Universidades adequar as suas ofertas a essas necessidades percebidas, em vez de as espartilhar em numerus clausus enganadores.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Desurbanizar

No passado sábado, foi dar uma volta por uma zona da cidade que conheço muito bem, e onde passei toda a minha juventude.
A casa em que nasci já não existe. Nem a rua!


Esta foto foi tirada na rua de Artur de Paiva. Ali ao fundo passa a actualmente inútil rua de Costa Cabral, e no seu prolongamento estava a rua em que nasci, na casa nº 17. Tudo desapareceu. 
Dando a volta ao prédio plantado na antiga rua, chega-se ao terceiro mundo.


Esta é a vista das traseiras. Deprimente.
Continuando a volta, um sinal que aviva a memória. Um prédio antigo que ainda lá está! No meio do esquecimento, mas está, na confluência da travessa das Barrocas com a rua de Júlio de Matos.


Confirma-se que toda a zona oriental da cidade foi percorrida por um vendaval de destruição e de betão pronto de que vai demorar muito tempo a recuperar. Não me reconheço. Não sei movimentar-me. Tento chegar à estação de Contumil, e daí à avenida de Cartes, mas perco-me. São rotundas sobre rotundas. É o terceiro mundo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Deplorável!

Será que um dia aprenderemos a depender apenas do nosso esforço, sem andar atrás de miragens, da Índia, de África, do Brasil, da Europa, do Euro, da reestruturação?
Será que um dia vamos tomar conta do nosso destino, pensar, encontrar um lugar, fazer?
Será que um dia vamos olhar a sério para nós próprios, para o mal que fazemos a nós próprios, na educação, no património, na justiça, na saúde?
Será que um dia nos livramos dos que se governam, dos que se especializaram em viver à custa dos nossos impostos, dos que singram impunemente, à nossa frente, sendo mais depressa aplaudidos que punidos?
Será que um dia vamos perceber que não há salvadores, não há receitas milagrosas, não há fórmulas para o crescimento económico?
Será que um dia vamos perceber que o mundo mudou, que a economia não é comandada pela produção, que estamos em pleno século XXI, numa sociedade global, cada vez com menos fronteiras, cada vez mais aberta?
Será que um dia nos libertaremos dos estigmas do passado, das contradições entre mais automação e mais emprego, da ideia de um Estado omnipresente e omnipotente?
Receio bem que não, que vamos continuar a preferir não mexer, não mudar, e esperar, que o pior não seja muito pior, sem tocar em nada de essencial, a começar pelo sistema político, por este exército de políticos incompetentes, que nada faz, que nada muda, que não sabe, que não sabe que não sabe.
E há tanto a fazer, há tanto que se pode fazer já, que é preciso fazer já, que não pode esperar nem mais um minuto!

domingo, 24 de novembro de 2013

Prova dos nove

Na minha opinião, não há profissão de maior responsabilidade que a de professor do ensino básico ou secundário.
Os jovens crescem e aprendem com os Pais e a família, com a sociedade em que vivem e com os seus professores e colegas, na Escola. Os jovens, todos os jovens, encontram um grande número de professores ao longo dos doze anos de escolaridade obrigatória, que serão, para o bem e para o mal, exemplos de vida que os marcarão durante muitos e muitos anos.
Os professores serão, ou deveriam ser, os mais preparados para ajudar os alunos a aprender, para além das matérias constantes dos currículos obrigatórios, a ser cidadão, a ser capaz de pensar e de ter opinião própria, a perceber como se organiza e cria o trabalho, como funciona a sociedade em geral, como se processa a sua evolução.
Marc Prensky, o homem que propôs o conceito de nativos digitais, dizia há bem pouco tempo no seu Twitter que "os professores não ensinam as matérias, ensinam os alunos"! Inteiramente de acordo. Alunos que convivem com a sociedade global de uma forma que a maior parte dos professores não compreende, e que muitos rejeitam, mas que é a realidade.
Se olharmos para a nossa história recente, reparamos que a nossa Escola, pesem embora os Magalhães, os quadros interactivos, os planos tecnológicos, não foi capaz de acompanhar a evolução social, o que faz com que muitos alunos rejeitem a Escola como espaço de convivência, de alegria, de busca de oportunidades.
As tecnologias, que muitos usam simplesmente para fazer as mesmas coisas do passado de uma forma diferente, e mais complicada, e não para fazer coisas novas, que sem as tecnologias seriam impossíveis, nunca foram vistas de uma forma transversal, e acabaram por remeter os professores de Tecnologias de Informação e Comunicação para um canto.
Michael Gove, Ministro da Educação do Reino Unido, fez em 11 de Janeiro de 2012 um discurso notável, que deveria ser leitura obrigatória para todos os educadores, e que se foca especificamente nesta questão. Como ele diz a determinada altura, "imagine the dramatic change which could be possible in just a few years, once we remove the roadblock of the existing ICT curriculum. Instead of children bored out of their minds being taught how to use Word and Excel by bored teachers, we could have 11 year-olds able to write simple 2D computer animations using an MIT tool called Scratch. By 16, they could have an understanding of formal logic previously covered only in University courses and be writing their own Apps for smartphones".
O currículo de TIC como factor de bloqueio! Pois é! E basta olhar para a história do nosso grupo 550 para percebermos que assim é! TIC deveria tratar de informação, de processamento de informação, de abstracção, de raciocínio abstracto, de despertar nos jovens o gosto por fazer coisas mais difíceis, por ir para além dos limites.
Infelizmente há professores que não estão à altura destes desafios. E daí, uma simples prova de avaliação de conhecimentos e capacidades que é um teste elementar da capacidade de raciocínio de cada um que quer ser professor assusta tanto.
E depois admiramo-nos de 435 000 jovens que nem estudam nem trabalham. É que para trabalhar é preciso trabalho, e para haver trabalho tem de haver empresas competitivas, e para haver empresas competitivas tem de haver jovens que sabem o que querem, e para isso é preciso bons professores...

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O pecado original

Acho curioso que ninguém questione a taxa de conversão utilizada quando trocamos os nossos escudos por euros, quando me parece mais ou menos evidente que utilizamos uma taxa de conversão muito errada, e que está na origem de muitos dos problemas que hoje enfrentamos.
A cotação de 200.482 escudos por euro significou por um lado que os rendimentos e as economias de cada um foram transformadas em euros àquela taxa e que os preços foram convertidos em euros à mesma taxa, mas tudo isto com um efeito que, a meu ver, e já aqui o escrevi váras vezes, foi catastrófico, pelo simples facto de o euro ser uma moeda europeia e de os nossos preços em euros terem de competir com os preços em euros dos mesmos produtos noutros países, nomeadamente em Espanha.
Todos nos lembramos como os nossos produtos tradicionais, a carne, o leite, os cereais, ficaram automaticamente fora do mercado, levando-nos a fechar as nossas unidades de produção e a importar dos nossos vizinhos a um preço mais barato!
Se tivessemos adoptado uma taxa de conversão de 250 escudos por euro, por exemplo, tudo funcionaria na mesma, em valores relativos, só que os nossos preços em euros ficariam 20% mais baratos, podendo nós passar a a exportar leite, e outros produtos, em vez de os importar, de Espanha e de França, beneficiando as grandes cadeias de distribuição.
Tuda na mesma, não! Os capitais, os depósitos, também seriam reduzidos de 20%, para desgosto de alguns... e dos nossos vizinhos, também, que deixariam de contar com estes novos ricos que se começaram a endividar para sobreviver, e que assim continuaram.
O chamado ajustamento, no fundo a reposição do valor da nossa moeda antiga, mais de dez anos depois, é agora muito doloroso, e possivelmente inglório, e nunca reproduzirá o crescimento harmonioso que um ponto de partida diferente teria permitido.
Porque não foi assim?
Basta ver quem negociou a adesão e quem beneficiou com os erros cometidos, para o percebermos.


sábado, 12 de outubro de 2013

Um cidadão global

Atrevo-me a dizer que atravessamos um tempo único, a que uns chamam crise, porque pensam ou querem que pensemos que é uma coisa passageira, mas que é efectivamente uma mudança brutal de paradigma, sem regresso.
Mudança de paradigma, de mentalidades, de um mundo centralizado, de cidadãos obedientes, cegamente obedientes, como a História nos mostra, para um mundo de cidadãos informados, uma sociedade informada, em que cada um decide pela sua cabeça, para o bem e para o mal.
E sem regresso, porque quem descobre o prazer de decidir o seu próprio destino não quererá nunca mais regressar ao passado, ao mundo obscuro dos que sabem e dos que obedecem.
Estamos na hora das redes, das redes informais, das dinâmicas sociais, dos fenómenos virais, da formação quase instantânea de opiniões que escapam aos velhos poderes, do falhanço dos modelos económicos baseados na oferta, da emergência de uma infinidade de novas oportunidades para que a maioria ainda não está preparada.
E estamos na hora de mudar o sistema político e a escola, o sistema político porque não se tem mostrado capaz de gerar governos que entendam o que se está a passar e que proponham estratégias que nos permitam preparar-nos para os grandes desafios, e a escola porque será aí, com os jovens, que as grandes transformações se poderão materializar.
Basta olharmos para os países que nos podem servir de exemplo para percebermos o atraso em que nos encontramos, e que é cada vez maior, infelizmente.
Um cidadão hoje tem de ser global, tem de olhar, ouvir, e comunicar com o mundo, tem de dominar línguas, tem de entender as novas formas de viver e de trabalhar, tem de saber usar os recursos infindáveis que a Internet lhe oferece, tem de estar informado, tem de aprender sempre.
Notam-se alguns sinais de mudança, nas novas empresas que florescem um pouco por toda a parte, no dia a dia nas ruas,  nos resultados das eleições autárquicas.
Mas a mudança será lenta, geracional, difícil, com custos, que temos de saber minorar.
Os políticos passam e as pessoas ficam.

sábado, 4 de maio de 2013

Novo resgate para quê?

O problema é que não tratamos de resolver o nosso problema de sempre? Sabermos o que queremos!
E das duas uma, ou queremos ser o que quase sempre fomos, europeus de segunda, do lado de lá de Espanha, ignorantes, incultos, dependentes, sempre à espera de alguém que nos "guie", ou queremos sair deste buraco em que nos enfiamos, valorizar o que temos, e viver de igual para igual num espaço europeu em que todos se respeitam, sem norte e sul, sem este e oeste, sem europeus de primeira e de segunda.
E esta definição é urgente!
No primeiro caso, não precisamos do Euro, é preferível uma moeda própria, e enganarmo-nos com salários que crescem mas que não valem nada, com uma inflação enorme, com taxas de juros insuportáveis, com poder de compra real em queda permanente, como bem nos recordamos.
E confesso que não estou seguro de que não seja esta a opção que em breve nos será "oferecida".
No segundo caso, não é de um resgate que precisamos. Todos sabemos o efeito de um resgate. Se não se tratar de resolver, ou de dar os primeiros passos para resolver, os problemas essenciais, o desemprego, a ignorância, o baixo nível de educação, a atractividade do País para o turismo e para o investimento, a reconstrução de tudo o que foi destruído, das belezas naturais ao património abandonado e às "urbanizações" sem sentido, a legislação anárquica, e tantas outras coisas, não chegaremos a lado nenhum.
Já todos, ou todos menos dois, no mínimo, percebemos que cortar nos salários e aumentar impostos implica cortar no consumo, cortar nas receitas fiscais, aumentar o desemprego, aumentar as despesas sociais, e não resolve o problema do défice, sequer. Portanto, não resolve problema nenhum.
Mas a alternativa precisa de um governo competente e forte, de gente com ideias que mobilizem, de uma visão moderna da sociedade, em que o trabalho é visto de uma forma completamente diferente.
É desta grande mudança de paradigma que precisamos. Já! Porque está na ordem do dia.

sábado, 16 de março de 2013

Onde está a luz no fim do túnel?

Pois é. Parece que paramos, que desistimos, que nos sentamos no chão, de costas, à espera.  De quê? Não sabemos. Nem sabemos. Não pode ser muito pior, não é?
Mas pode, graças aos nossos "governantes", todos, aqueles que "elegemos", sem nos erguermos contra a tirania dos partidos, que escolhem os "eleitos", que partem e repartem tudo o que nos podem retirar, sem contemplações, sem respeito, sem cumprir o dever de governar, de apontar um caminho.
Graças ao fim do Escudo, que servia para repartir os custos da nossa ineficiência de uma forma mais equlibrada, mas que não servia para alguns, os que se apropriam das economias de todos, e para quem só serve uma moeda forte, que não desvalorize.
Graças à forma como os sucessivos governos não olharam de frente para a questão do emprego, da criação de empresas, dos sectores estratégicos, da educação, da cultura, dos valores que podem fazer a diferença.
Como é possível uma Nação com quase mil anos de história se entregar nas mãos desta gente ignorante, e não se revoltar, não se libertar, não escolher outro caminho?
Lembremo-nos ao menos de Gedeão.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

71:45 são 72 horas!!!

De acordo com o JN de ontem, segundo um "professor na Faculdade de Engenharia do Porto e docente das cadeiras de Estatística e Gestão da Manutenção, os dragões cumpriram a lei, mesmo que a diferença entre um encontro e o outro tenha sido de 71 horas e 45 minutos. "O tempo mede-se e não se conta", começa por dizer, ao JN, para abordar o que está escrito no artigo 13.1 do Regulamento da Taça da Liga: "Quem fez a lei definiu uma precisão à hora e não ao minuto. A partir do momento em que a precisão é a hora, 71 horas e 45 minutos são 72 horas".
Já tinha usado este argumento uma vez, em minha casa, num dia em que cheguei à 20:15 e tentei convencer a minha mulher que tinha chegado às 20, porque ela não tinha especificado os minutos. Mas não resultou. Aliás, ainda tentei usar o argumento do quarto de hora académico, mas também sem êxito. O ponteiro dos minutos não jogou a meu favor.
Mas também não sou professor de estatística. Navego noutras águas mais complexas.
Só mesmo na Liga é que poderá resultar. Já agora, podiam dar aos árbitros uns cronómetros só com o ponteiro das horas?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Educar os nossos jovens

Razões profissionais têm-me levado a conhecer com alguma profundidade o estado do nosso ensino básico e secundário, onde, a par de escolas e professores extraordinários, tenho encontrado situações difíceis, daquelas que me fazem pensar que ainda estamos muito longe de termos todas as escolas ao serviço dos jovens e viradas para o futuro.
O sistema de ensino, ao nível dos mais jovens, assenta na cooperação de três pilares, a escola, a casa e a sociedade, que todos sabemos estão em crise profunda.
A casa é o dormitório, o sítio de todas as dificuldades, da falta de tempo, da falta de dinheiro, da falta de disponibilidade para permitir ao jovem realizar em sossego os trabalhos para casa que lhe foram propostos, sob a supervisão dos pais, naturalmente, e depois brincar, crescer, de forma saudável.
A sociedade, a TV, as notícias, são os heróis de pés de barro, de um dia, capas de todos os jornais e revistas, o elogio dos comportamentos mais desviantes, a inexistência de canais informativos destinados a ajudar os mais interessados, jovens ou adultos, a encontrar os caminhos para uma vida positiva.
A escola fica assim com a missão redobrada de ajudar os nossos jovens a crescer, a descobrir a realidade, a aprender a pensar, a ser capaz de analisar e decidir, antes de executar, em todas as situações.
Este ciclo, analisar - decidir - executar, deve ser treinado em todos os momentos, seja no caso mais simples de um jogo de futebol, seja na resolução do problema mais complexo.
Fico assim muito, muito descontente, quando vejo um professor entregar aos alunos da sua turma uma ficha de trabalho que não é mais do que um conjunto de tarefas elementares, caídas sabe-se lá de onde, e que os alunos devem executar acefalamente, sem terem lido um enunciado rigoroso, sem terem tido uma pequena discussão das alternativas, sem a participação da turma, sem dar aos alunos a oportunidade de ter a alegria de descobrir a solução e aprender.
Esta pouca crença na capacidade dos nossos jovens se interessarem e aprenderem, que deriva mais da incompetência de muitos professores e da sua incapacidade de dialogar com os jovens, de lhes propor desafios interessantes, de discutir soluções, é a doença mais séria do nosso sistema de ensino, aquela que deve ser tratada com toda a urgência, e custe o que custar.
Não há nada, não há emprego, não há interesses, que justifiquem destruir mais uma geração, limitada por professores e gestores que não sabem e que não sabem que não sabem.
Os novos docentes que estão a sair das universidades, com o grau de mestre, com provas dadas nas matérias da área da docência, com uma formação sólida em didáctica, com prática de investigação científica, estão preparados para enfrentar estes novos desafios de um mundo em mudança.
Só é preciso que tenham a sua oportunidade de provar que estão à altura desses desafios.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Ganhar para trabalhar ou trabalhar para ganhar?

O mundo mudou, os paradigmas da sociedade industrial anterior desmoronaram, e muitos ainda não deram conta, sequer, de que o futuro tem de ser completamente reinventado.
A ideia do direito ao trabalho, de que há obrigatoriamente aí, ao virar da esquina, um Estado ou um patrão disposto a pagar, a cada um, um salário para fazer aquilo que sabe fazer, está completamente ultrapassada.
A humanidade, nós próprios, temos trabalhado incessantemente para eliminar as formas de produção dependentes de mão de obra numerosa e pouco diferenciada, apesar de, em muitos casos isso se traduzir numa deslocalização das unidades de produção para outros locais.
Assisti in loco ao fim das indústrias mineiras e siderúrgicas na Inglaterra, ao aumento brutal de desemprego, às greves, e à forma como, em dez anos, novas indústrias, e milhares de novas empresas, permitiram reinventar um novo tecido industrial naquele país.
A criação de empresas e de emprego está agora na ordem do dia, em Portugal. E na realidade, se há área de sucesso nos dias de hoje, são as novas empresas que têm sido criadas recentemente, com o apoio das universidades, dos institutos de investigação, das autarquias, e de muitas outras organizações.
O problema é que são poucas, muito poucas, porque a muitos nos falta o rasgo para avançar, para ir à procura do mercado, para lidar com a incerteza, para sobreviver num mundo mais complexo, mais imprevisível.
Só que a alternativa de ficar em casa não resulta.
E aqui penso, especialmente, nos 40% de desempregados jovens, porque serão eles, certamente, os mais preparados para assegurar o funcionamento das empresas que não existem, as que lhes garantiriam o tal emprego que não têm.
Então o que fazer? Mas uma empresa moderna não é um grupo de gente qualificada e organizada, capaz de entender o mercado, de desenhar produtos, de os produzir, satisfazer os clientes, e de se renovar diariamente? 
Então o que falta? O pontapé de saída, porque apoios não faltariam, tenho a certeza.
Chamo a isso trabalhar para ganhar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Soneto quase inédito

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

José Régio, 1968

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O vídeo do Professor Marcelo

Não sei o que terá passado pela cabeça do "famoso" professor Marcelo (Rebelo de Sousa), para querer passar na praça Sony, em Berlim, o seu vídeo. Parece que não conseguiu, mas está no YouTube, em três línguas, para vergonha nossa.
Esta velha ideia de que todos são culpados, menos nós, claro, é para mim completamente incompreensível, e só serve para branquear os políticos que nos "governaram" nos últimos 25 anos e que nos fizeram regredir até este estado deplorável em que estamos hoje.
O respeito por nós próprios exige que olhemos para o futuro de outra forma!
E que não inventemos histórias ridículas como aquela de que já temos uma rede para carregar as baterias dos carros eléctricos que os alemães ainda não nos fornecem...
O que hoje me apetece mesmo, é voltar à praça Sony, recordar Potsdam, caminhar até às portas de Brandenburgo, ir até ao rio Spree, e respirar aquela atmosfera de liberdade que lá se vive! Sem o vídeo do professor Marcelo!

From Berlin 2012


domingo, 28 de outubro de 2012

Para onde vamos?

Quando prescindimos de produzir dinheiro na Casa da Moeda e aderimos ao Euro, com uma taxa de conversão completamente errada, ainda por cima, ficamos completamente nas mãos de quem tem o dinheiro.
Basicamente, e pondo de parte o método usado por exemplo por Alves dos Reis anos atrás, ou pedimos emprestado ou trabalhamos. E como pedir emprestado nos coloca nas mãos dos nossos credores, a boa solução é mesmo trabalhar, produzir bens e serviços que valham, e transacioná-los.
Parece simples, mas não é. Por duas razões. Quê e quem?
No século XXI, com a desmateralização de uma parte da economia e a deslocalização da outra parte, grande parte dos bens e serviços transacionáveis incorporam informação e conhecimento em grande escala, seja directamente, seja por via indirecta. Um simples produto tradicional, turístico, cultural, gastronómico, só existe se chegar aos consumidores através das redes sociais, da Internet, dos novos espaços públicos onde hoje vivemos e trabalhamos.
Estaremos preparados para este choque? O drama é que não!
E se a única solução é trabalhar, será que a solução é compatível com o nível de desemprego que hoje temos? Será que é sustentável? Obviamente que não, também não!
Mas nada disto se resolve de um dia para o outro! Vai demorar muitos anos, uma geração ou mais. Muitas maratonas. Ao Governo cabe exactamente perceber estes problemas e implementar as medidas que nos permitam percorrer este caminho.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Este governo já não interessa nada!

Este governo começou por ter o projecto de salvar o País. Agora luta desesperadamente para se salvar. Mas os problemas são muitos, e não se resolvem com números, com orçamentos, com impostos, nem com dinheiro. Nem saindo do Euro.
Há um problema tremendamente complexo chamado Europa. Lembremo-nos apenas da paz de Westphalia, da complexidade dos tratados que foram assinados naqueles tempos, e dos problemas de hoje, dos Balcãs, da Bélgica, da Itália, de Espanha, do Euro, do projecto da Europa das regiões, desta incapacidade de perceber que numa rede todos os nós são importantes, que se um perde, perdem todos.
E há um problema Português, antigo de séculos, que não fomos capazes de resolver com a adesão à Comunidade Económica Europeia, porque aceitamos trocar a nossa agricultura, a nossa pesca, a nossa indústria tradicional, por alguns milhões, que deveriam ter sido utilizados na formação das pessoas e na reconversão da nossa base produtiva, mas que uma dúzia de "espertos", que todos sabemos quem são, descaradamente desviou para os seus bolsos.
E com a taxa de conversão do escudo em Euro, arruinamo-nos definitivamente.
Nenhum País aguenta, e muito menos se desenvolve, com o nível de desemprego que daqui resultou, com os maus hábitos gerados, sem investimento em empresas produtivas que sejam capazes de dar emprego a quase um milhão de pessoas com baixa formação, que nos devia envergonhar. Na Europa, estamos atrás de todos.
Mas vemos no nosso "governo" uma única pessoa capaz de enfrentar estes desafios? Eu, não!
É este o problema. 
E temos recursos humanos, e institucionais para o ultrapassar? Um projecto nacional, que mobilize as nossas forças, em nome de um futuro melhor para as próximas gerações? Com certeza!