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domingo, 28 de setembro de 2008

A Ética e a lei: Pequenos favores

Vasco Pulido Valente diz exactamente o que deve ser dito sobre este modo bem português de fazer batota. É no Público de hoje.
Transcrevo parte, à boleia do 4R - Quarta República:

Pequenos favores

Por mais que se mude, não se mudam os portugueses. Vem isto a propósito do novo "escândalo" da Câmara de Lisboa. Parece que, desde o começo do regime, a Câmara de Lisboa resolveu (por razões que excedem o entendimento) "atribuir" casas a quem lhe apetece. Até agora já "atribuiu" 3.200 com uma renda média de 35 euros. Pedro Feist, vereador de Aquilino Ribeiro Machado a Carmona Rodrigues, não vê nada de extraordinário nisto: é uma "realidade histórica", explica ele, como se a duração do abuso o justificasse. Ele mesmo "meteu uma cunha" ao "seu colega da habitação" para um motorista que murava na Curraleira e acha a coisa "perfeitamente humana". Toda a gente, de resto, fazia o mesmo, com a mais tranquila consciência. A título de caridade oficial ou particular.
(...)
De qualquer maneira o que espanta neste episódio é inocência da autoridade. Uma inocência genuína e profunda. Que um funcionário (eleito ou não eleito) distribua como quem distribui uma mercê propriedade da câmara, ou seja, do contribuinte, não perturba a cabeça de ninguém. Então um favorzinho, que não custa nada, é agora um crime? Os portugueses sempre se trataram assim: com um "jeitinho" aqui em troca de um "jeitinho" ali. E a administração do Estado fervilha de grupinhos de influência e de pressão que promovem, despromovem, transferem e demitem - e vão, muito respeitosamente, ganhando o seu dinheirinho por fora, com uma assinatura e um carimbo. Ética de serviços? Quem ouviu falar nisso?

Eu estou farto de ouvir e de ver. Obrigado, VPV.

domingo, 21 de setembro de 2008

Liga dos Últimos

Não gosto muito da nossa televisão. Mas gosto da Liga dos Últimos. E não sou o único.

From Portugal

Trancrevo um artigo do Francisco Moita Flores na TV Guia nº 1547:

Liga dos Últimos

Não me apetece falar de crimes, nem de violência, nem de polícias. Existem momentos de TV em que a vida pára, em que a ternura emerge, em que a lágrima ou a gargalhada brotam sem que outra razão exista que não seja ver televisão.
Passa na RTP, a várias horas e em vários canais. A Liga dos Últimos, liderada por Álvaro Costa e Hernâni Gonçalves, é uma lição de vida, de festa, de compreensão de um país, o país dos últimos, afinal, o país que somos, sempre em último nos índices de desenvolvimento europeu.
A pretexto do futebol, de jogos das últimas divisões, os seus autores têm o talento de revelar um mundo que não é rosa, nem cabe nas revistas cor-de-rosa, feito de bifanas, paixões e desgarradas. Um país imenso que se descobre na carolice, um país do desenrasca, uma multidão de sonhos vividos como quimeras nos campos pelados, rodeados de bebedeiras, discussões e pobreza. Um país que não é notícia, nem primeira página, que não entra em galas e não sabe, porque lhe é indiferente, o tamanho do mundo. Um país que sobrevive, que transforma a espontaneidade num milagre de vida, desdentado, com projectos que não vão para além do limite da sua rua.
A Liga dos Últimos é uma incursão por um país tão real, que não conhece as Novas Oportunidades, que já ouviu falar vagamente da União Europeia, a quem o talento dos seus criadores e repórteres e a maestria de Álvaro Costa e Hernâni Gonçalves entrega mais doçura e nos deixa na permanente hesitação sobre se não somos todos nós que por ali passamos, umas vezes à canelada, outras vezes de braço dado.
Não é um momento de televisão sobre aqueles que vivem, mas sobre aqueles que sobrevivem. Em que o dirigismo desportivo não tem dinheiro, em que os árbitros não têm razão para serem corrompidos, onde a pureza das intenções vai muito para além da impureza do pó e do álcool, das interpretações e comentários. Então, o Prémio Capitão Moura é impagável e, quando se percebe que está a chegar ao fim, nasce um sentimento de saudade, de desejo que não acabe, e não sabemos se havemos de rir, se havemos de chorar, e chegam-me aos sentidos os sinos de Hemingway quando a ficha técnica encerra aquele tempo de tanto prazer e desprazer, que não perguntarei por quem os sinos dobram. Eles dobram por nós.

Francisco Moita Flores

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Pessimus

Estava convencido que íamos ter uma loja da Casa da Música.
Não temos! Temos uma loja de uma empresa de telemóveis, cuja marca vai figurar bem visível em todas as fotografias tiradas do passeio em frente. A Casa da Música não deveria ser um suporte publicitário.

From Portugal

Não acho nada bem.

sábado, 23 de agosto de 2008

Tirem-me daqui!

Regresso. De Milão e de Genève. E dos lagos: Como e Léman.
TSF. Noticiário das 23:00. Tirem-me daqui!...