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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Este governo já não interessa nada!

Este governo começou por ter o projecto de salvar o País. Agora luta desesperadamente para se salvar. Mas os problemas são muitos, e não se resolvem com números, com orçamentos, com impostos, nem com dinheiro. Nem saindo do Euro.
Há um problema tremendamente complexo chamado Europa. Lembremo-nos apenas da paz de Westphalia, da complexidade dos tratados que foram assinados naqueles tempos, e dos problemas de hoje, dos Balcãs, da Bélgica, da Itália, de Espanha, do Euro, do projecto da Europa das regiões, desta incapacidade de perceber que numa rede todos os nós são importantes, que se um perde, perdem todos.
E há um problema Português, antigo de séculos, que não fomos capazes de resolver com a adesão à Comunidade Económica Europeia, porque aceitamos trocar a nossa agricultura, a nossa pesca, a nossa indústria tradicional, por alguns milhões, que deveriam ter sido utilizados na formação das pessoas e na reconversão da nossa base produtiva, mas que uma dúzia de "espertos", que todos sabemos quem são, descaradamente desviou para os seus bolsos.
E com a taxa de conversão do escudo em Euro, arruinamo-nos definitivamente.
Nenhum País aguenta, e muito menos se desenvolve, com o nível de desemprego que daqui resultou, com os maus hábitos gerados, sem investimento em empresas produtivas que sejam capazes de dar emprego a quase um milhão de pessoas com baixa formação, que nos devia envergonhar. Na Europa, estamos atrás de todos.
Mas vemos no nosso "governo" uma única pessoa capaz de enfrentar estes desafios? Eu, não!
É este o problema. 
E temos recursos humanos, e institucionais para o ultrapassar? Um projecto nacional, que mobilize as nossas forças, em nome de um futuro melhor para as próximas gerações? Com certeza!

domingo, 16 de setembro de 2012

Tirem-nos daqui!

Portugal vive horas difíceis, como sempre!
Se pensarmos bem, nunca ao longo da nossa história, tivemos um período com a duração de uma vida sem grandes problemas, sem grandes tragédias.
O que há de doloroso na hora actual é terem decorridos 38 anos depois do 25 de Abril, é termos posto termo a uma guerra colonial sem sentido, é estarmos na Europa comunitária de pleno direito há mais de 25 anos, é termos recebido fundos comunitários imensos, e continuarmos na cauda da Europa, na cauda dos países desenvolvidos, como ainda recentemente o Wall Street Journal retratou, num artigo que nos envergonha, em nos aponta como os cábulas da Europa!
Realmente, é completamente incompreensível que no final da primeira década do século XXI, em Portugal, mais de 70% dos habitantes entre os 25 e os 64 anos não tenham completado o ensino secundário, o que nos coloca atrás do México e da Turquia, por exemplo.
Culpa dos anteriores governos, que têm nomes, Cavaco, Guterres, Durão, Santana, Sócrates, que defraudaram completamente quem acreditou nas suas promessas, e que esbanjaram a nossa riqueza em negócios criminosos, em obras megalómanas, em máquinas partidárias, no crédito fácil, sem cuidar do essencial, da justiça à segurança social, da saúde ao combate à corrupção, e sem travar a batalha essencial, a da educação, sem a qual nunca sairemos do grau zero do desenvolvimento.
Enquanto esta batalha não for vencida, e vai demorar muitos anos, continuaremos a ser um país de pessoas que não têm mais do que a sua disponibilidade para trabalhar, e que, por isso, pedem emprego, sem sequer pensar que aquilo que realmente sabem fazer já de pouco serve, num mundo que mudou sem sequer darem conta!
Como sair daqui?
Sair do Euro, ou mesmo ter duas moedas, não é solução, especialmente para os mais novos, que estudaram, que querem justamente ser europeus, ser cidadãos do mundo, afirmar as suas capacidades, derrotar o ónus de terem nascido neste pobre País, que não dá valor à educação, ao contrato social que nos deveria unir.
Resta-nos, assim, ser europeus, assumir essa identidade, e escolher um caminho de progresso entre os estreitos limites que os nossos credores justamente nos impõem.
Só sairemos daqui com um governo competente, que saiba negociar na Europa, que não queira ser o "bom aluno" envergonhado, sem voz, mas o parceiro para uma Europa melhor, porque os números que nos envergonham também envergonham a Europa.
E um governo livre, que não tenha na sua constituição quem nos conduziu à situação em que estamos, que restaure a independência nacional, nomeadamente a económica, que negoceie as rendas (PPP, juros, amortização da dívida) em bases realistas, e que ganhe os cidadãos para esse projecto.
E que invista tudo na Educação!

domingo, 10 de julho de 2011

Malditas agências de rating

Mas que é isto? Somos governados pelas agências de rating? São esses tecnocratas desenraízados que se sentam nas secretárias dos gabinetes da Moody's, da Fitch ou da Standard & Poor's que ditam o modo como vamos viver nos tempos mais próximos? Mas que sabem elas de nós, da nossa história, da nossa identidade, do nosso modo de viver? Nada! Nada! Nada!
Sabem fazer contas e emitir opiniões. Sobre as empresas, as instituições, os Estados que as contratam! Que as contratam... E nós contratamo-las para elas emitirem aquelas opiniões sobre nós. Que mal agradecidos!
E porque é que as contratámos, ao fim e ao cabo?
Pela simples razão de que as entidades que nos emprestam dinheiro exigem que nós exibamos um rating "decente" avaliado por uma ou mais agências de uma short list qualquer, e elas lá estão! Apesar do histórico de avaliações erradas...
Embora o nosso downgrading pela Moody's não seja definitivamente uma avaliação errada! Ou achamos que se cumprirmos os acordos, se emagrecermos como nos estão a pedir, algum dia conseguiremos inverter a situação, pagar a dívida monstruosa e "voltar aos mercados"?
Ninguém acredita!
Todos sabemos, há muito tempo, desde a negociação incompleta para a entrada no Euro, que a construção da Europa ficou a aguardar melhores dias, e que é isso que estamos a pagar.
Felizmente, parece que agora os políticos europeus começam a descobrir que a solução do problema está nas mãos deles! Que há outras maneiras de ver a Europa. Que não estamos condenados a viver todos de forma igual. Que todos os países têm as suas riquezas. Que talvez se possa viver em harmonia numa Europa menos obcecada pelo dinheiro.
Ainda vamos agradecer à Moody's...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Estamos feitos!

Os nossos "políticos" (não consigo escrever sem aspas) que deram cabo das nossas finanças e do nosso País, que não cuidaram do que deviam, na educação, na saúde, na justiça, e em vez disso gastaram o que tínhamos e o que não tínhamos em obras de luxo, nas auto-estradas, nas escolas da Parque Escolar, no TGV, no novo aeroporto, nas PPP nos hospitais, e acumularam dívidas na saúde, nas empresas de transporte, nos bancos, nas offshore, fechando os olhos aos negócios mais escandalosos, e dizimando os dinheiros públicos, chegaram a um bêco sem saída.
E o problema é que não têm mesmo saída! O País não tem saída! Não temos recursos humanos que possam alimentar um ressurgimento da nossa economia, não os há, as pessoas foram enganadas pelas Novas Oportunidades, faltam-nos empresários, e na melhor das hipóteses acontece-nos o mesmo que à Grécia. Aguentamos um ou dois anos, e resignamos.
Há que reconhecer que não é por aqui, que é preciso criar actividade económica, exportar (ou substituir importações), que é preciso debater ideias, entre nós e com os nossos parceiros, mudar o clima, atraír investidores. Como seria bom em vez da "ajuda" termos 78 mil milhões de investimento, realizado por gente interessada em ganhar dinheiro, e por essa via criar actividade, reduzir o desemprego, aumentar as exportações.
O problema está em como chegar aí, em como mudar o paradigma, ter ideias claras, arregaçar as mangas e criar a motivação para uma mobilização nacional que vença este marasmo a que hoje assistimos. Fazer em 3 anos o que não fizemos em 15 ou 20!
Mas se queremos estar na Europa, é este o caminho.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Pobre País...

Andamos todos a falar do que não interessa ou do que não sabemos, e o problema essencial mantem-se... É que o problema essencial não é saber se há liberdade de expressão ou não, mas sim se temos um governo capaz ou não.
E tudo indica que não. Como já sabemos há muito tempo, aliás. São demasiadas as trapalhadas, as histórias mal contadas, as nomeações para a máquina do Estado, as tentativas de alargar a sua influência, as assessorias, os milhões, as pressões, as irritações, para podermos acreditar que temos um governo em que podemos confiar.
Os problemas que temos pela frente são tão sérios e tão complexos que passam pelo âmago da organização social, do modelo económico, da relação de cada um com a sociedade. Está na ordem do dia saber antecipar as mudanças!
Infelizmente, parece óbvio que nada ainda foi feito para começar a debelar esta grande crise económica e social em que mergulhamos. Nem cá dentro nem lá fora. Ou alguém acredita que as mesmas organizações, os mesmos intérpretes, vão ser capazes de dar resposta a estes problemas?
Eu não!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O fim do emprego

Temos de encarar os graves problemas que a economia mundial atravessa como sinais de uma mudança de paradigma que é absolutamente inevitável e que deve ser desejada.
A economia do "direito ao emprego" acabou, e muitos nem notaram. Notaram os desempregados, as principais vítimas do sistema, e mais ninguém! O "direito ao emprego" é o "direito a ser explorado", e está a esgotar-se com a tomada de consciência de cada um de que pode tomar o futuro nas suas mãos, de que não há mais gente providencial, capaz de criar as fábricas e as organizações que vão "dar" emprego decente a todos, de que o futuro de cada um passa em primeiro lugar por ele próprio.
Esta mudança é cultural, pois não estamos preparados para a ideia de que para receber é preciso também dar, de que todos temos de contribuir para o futuro de todos. E exige um governo capaz, que trate dos assuntos verdadeiramente importantes. Que promova a discussão dos tópicos que afectam o nosso futuro. Que entenda que hoje já não é o tempo do hardware, e que começa também a não ser do software, mas sim do brainware, das ideias, da criatividade, do conhecimento. Da criação do próprio emprego.
São desafios fantásticos, e oportunidades fantásticas. Mas acreditamos que quem nos governa nos irá guiar por estes caminhos? Eu não...
Acredito mais nas pessoas, nos eleitores, na nossa capacidade colectiva. Na inteligência colectiva que nos levou ao último resultado eleitoral. Sim, porque perante as opções que os políticos nos apresentaram, qualquer outro resultado teria sido catastrófico!...

sábado, 14 de novembro de 2009

Legalidade não chega! Ética, senhores!

As leis nunca são perfeitas, já se sabe, e há sempre quem esteja pronto a desvirtuar o seu espírito, cumprindo-a à letra. Ocorre-me sempre o caso daquela equipa de ciclismo que dopava os seus ciclistas cirurgicamente para as concentrações das substâncias proibidas estarem sempre ligeiramente abaixo dos limites da lei, esquecendo completamente que assim estava a comprometer a saúde dos seus atletas. Era legal, mas não era obviamente ético. E às vezes falhava, ultrapassavam-se os limites...
Dizia o antigo ministro Pina Moura que a ética é a lei. Mas não é. A ética está no plano dos valores, que toda a gente entende, independentemente dos meandros das leis.
Usar o dinheiro de uma empresa pública para adquirir a um valor várias vezes superior ao valor de mercado um qualquer serviço, pode até ser legal, se tiverem sido cumpridas as regras que condicionam a aquisição de serviços por parte das empresas públicas, mas não é ético.
Usar o dinheiro de um banco para adquirir empresas por valores perfeitamente exorbitantes ou para conceder empréstimos de interesse duvidoso, pode ser legal, se tiverem sido cumpridos os regulamentos respectivos, mas não será certamente ético.
Como não será usar o dinheiro das autarquias em obras desnecessárias, ou autorizar a construção de edifícios que são verdadeiros atentados ao bom senso, por exemplo.
Fica sempre o manto da suspeita, dos interesses privados, do enriquecimento ilícito, do financiamento do futebol ou dos partidos.
É por isso que estou farto desta conversa de legalidade, legalidade, legalidade. Legalidade não chega! Ética, senhores!

domingo, 8 de novembro de 2009

Corrupções

Mas porque somos tão atrasados?
O Manuel Lima, um Português que prestigia Portugal, num estudo por ele realizado, mostra como num grupo de 20 países todos menores que nós em área e em população, nós conseguimos ser o último no que diz respeito ao produto. Somos o primeiro dos 20 em área e em população, e o vigésimo em produção per capita. Não é por sermos poucos ou pequenos que somos atrasados!
Somos atrasados porque nos atrasamos e não fazemos nada para recuperarmos dessa situação.
E não há nada mais preocupante do que o que se passa nas nossas escolas, pois sem uma educação integral para a vida, centrada no princípio de que viver em sociedade é dar e receber, não passaremos de miseráveis pedintes, na nossa casa, na nossa rua, no nosso País, no mundo. É que para receber, é preciso dar. E para dar é preciso saber construir.
Mas não, preferimos este assalto aos dinheiros públicos, de todos, por parte de alguns. Esta mistura de empreses públicas deficitárias, de obras públicas, de futebol, de interesses mesquinhos de alguns, de encobrimentos, de incapacidade do nosso sistema judicial, só mostra que o que resulta é a cunha, o esquema, a esperteza saloia.
Sem aprendermos a lidar com a corrupção, sem percebermos o verdadeiro cancro social que é esta atitude desleixada de deixar andar, nunca seremos melhores.
E os melhores nunca aceitarão o desafio de nos governar!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O autocarro 102

Estou em Bucareste porque fui convidado para avaliar projectos para a ANCS - Autoritatea Nationala pentru Cercetare Stiintifica.
Em Bucareste, estou pela terceira vez, e a avaliar projectos, pela segunda.
Na primeira vez, tinha sido convidado pela UEFISCSU - Unitatea Executiva pentru Finantarea Invatamantului Superior si a Cercetarii Stiintifice Universitare.
Bucareste é uma cidade extraordinária, de que se vai gostando a pouco e pouco. Começa por ser medonha, enorme, confusa, e acaba sendo excitante, monumental, com uma vida própria surpreendente, dia e noie, de segunda a domingo.
Cheguei no domingo à noite, e logo reparei que todos os restaurantes bons estavam a abarrotar. Não consegui uma mesa no Caru' cu bere... nem nos outros que procurei. Acabei por ir ao simpático City Grill, no centro histórico. Jantei por 23 lei, menos de 6 euros, crepe de chocolate incluído...

Do aeroporto para o Novotel Bucharest City Centre, onde estou, usei o autocarro 783, em que um bilhete de ida e volta custa 7 lei, menos de 2 euros, e sai na Universitate, bem perto do hotel. Recuso-me a usar taxis, nomeadamente aqui, em que o preço é variável, embora esteja (quando está) anunciado na porta. Taxis sem preço afixado não são recomendados em nenhum caso. E a propósito, o brunch de domingo no Novotel custa 170 lei por pessoa (42 euros). No Hilton, aqui ao lado, 165.

A aventura começou com o transporte para o local da avaliação no dia seguinte. Ao contrário do que aconteceu na minha primeira avaliação, em que usamos as instalações da UEFISCSU, bem no centro, a ANCS resolveu instalar os avaliadores no ICEMENERG,

From em Bucareste, para avaliar projectos da ANCS

que fica bem longe do centro, mesmo ao lado de uma das três centrais térmicas que alimentam esta cidade de muitos milhões de habitantes.

From em Bucareste, para avaliar projectos da ANCS

Simpaticamente, descobriram um hotel ainda herdado do anterior regime e bem perto do ICEMENERG, o RIN Grand Hotel, e convidaram toda a gente a ficar lá, a um preço convidativo, menos de metade do que estou a pagar no Novotel, e com um autocarro para levar todos os avaliadores às 8:30 da manhã e trazê-los de volta às 18:00.

Se há coisa que eu destesto, são estes hotéis isolados de tudo. Felizmente, já tinha reservado o Novotel e não segui o conselho. Fiquei em troca com o problema de estar às 8:30 no RIN ou no ICEMENERG.

Comecei por perguntar ao ANCS, que me disse que a única maneira de lá chegar era de táxi! Achei estranho. Perguntei à Claudia (que é romena) que me disse que não estava a ver nenhuma solução melhor. A Claudia perguntou ao Pai dela, que vive em Bucareste, que me deu o mesmo conselho, taxi... Parecia um complô.

Entretanto, noto que num ofício sobre esta logística toda era dito que quem não estivesse às 8:30 no átrio do RIN teria de ir no autocarro 102, três paragens. Fez-se-me luz! Abri o mapa gigante que a Claudia me tinha oferecido há uns tempos, e reparei que numa estação do metro próxima, Aparatorii Patriei, também passava o autocarro 102! Eureka! Bastava ir na linha 2 do metro da Universitate até Aparatorii Patriei, 6 estações, e depois apanhar o autocarro 102 até ao hotel, aí umas 4 paragens.

Como sabia que o custo das viagens é o mesmo no metro, nos autocarros, nos trólei-carros e nos tramways, admiti que a minha carta de 10 bilhetes servisse. Saí do hotel às 7:45, e às 8:05 estava em Aparatorii Patriei. Olho para o lado e lá vinha o 102. Entrei, tendo validar o bilhete, e descubro que as máquinas são incompatíveis! Era preciso um bilhete diferente!... Bem. Ninguém falava senão romeno, mas uma senhora oferece-me um bilhete e assim se resolve a situação. Perguntei-lhe quanto custava, ela não queria aceitar, mas outra lá a convence e ela aceita o meu leu (um leu, vários lei...). Chego ao hotel às 8:20, bem a horas.

Entretanto, começam a perguntar-me como cheguei ao hotel, e eu falo no autocarro 102. O que eu fui falar!... A linha 102 é perigosíssima, garantia de assalto no mínimo, aquela genta tranquila que me ajudou, afinal não era, e portanto não podia andar mais alí. Ponto. Como lhes disse que tinha aversão a táxis a desfazer-se, sem ar condicionado, cheios de fumo, houve reunião dos responsáveis, e decidiram levar-me a outra estação do metro, mais segura, para eu seguir a partir daí. Solução bem pior, pois exigia mudança de comboio na Piata Unirii.

Claro que hoje de manhã usei o mesmo caminho, já equipado de um bilhete adequado. Correu tudo bem, e às 8:15 lá estava no hotel RIN para apanhar o autocarro dos avaliadores. Ainda não perceberam porque não fui assaltado!...

E de tarde, vim pelo mesmo caminho, claro!

(depois conto a história do almoço de hoje)

domingo, 20 de setembro de 2009

O comportamento caótico do voto útil...

Uma vez que todos os votos contam, mesmo os nulos e os que não se depositam nas urnas, fala-se agora muito em voto útil. Mas estamos numa situação em que o voto útil não é fácil de decidir. Parecendo que a grande maioria das pessoas pretende hoje que Sócrates ou Manuela governem, mas sem maioria absoluta, a questão é, pois, como é que se consegue um resultado destes?
Como se todos os que pretendem um governo Sócrates, ou Manuela, com maioria relativa, votarem Sócrates, ou Manuela, pode muito bem acontecer que essa maioria se transforme em absoluta, há aqui um problema de inteligência colectiva que não é fácil de equacionar.
Há dois tipos básicos de comportamento humano que aqui se confrontam, tal como num jogo de cara ou coroa, em que há os que jogam cara porque têm saído muitas caras, e os que jogam coroa porque... têm saído muitas caras! Agora, é os que votam Sócrates, ou Manuela, porque as sondagens lhes dão vantagem, e os que votam Sócrates, ou Manuela, porque as sondagens não lhes dão vantagem! Outra situação deste género é o da evolução de uma população, em que se combinam os efeitos da população, quantos mais pais mais filhos, e da fome, quantos mais pais, menos filhos.
Ao estudar este problema, Verhulst chegou a uma equação recursiva muito simples
x(n) = alfa.x(n-1).[1 - x(n-1)]
em que x(n) é um valor entre 0 e 1 e alfa é uma constante de proporcionalidade, alfa < 4, tendo chegado à conclusão que para alfa superior a 3.57 a sequência começa a exibir um comportamento caótico.
O que explicava o comportamento aparentemente imprevisível das populações de coelhos em certas ilhas, e talvez explique a dificuldade de realizar sondagens nos dias de hoje...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Partido Nulo

Esta ideia do Partido Nulo desperta-me muita simpatia.
Se um voto em branco é uma não escolha - qualquer um serve, os outros que escolham, um voto nulo é uma escolha - nenhum serve! E se nenhum serve ninguém deve ocupar esse lugar.
Esta ideia de ficaram vazias as cadeiras correspondentes aos votos nulos não só permite poupar os custos correspondentes a esses deputados inexistentes, como vai assinalar permanentememte, durante todo o mandato, a real representatividade dos deputados reais, e deveria mesmo contar para a formação de maiorias nas votações.

sábado, 1 de agosto de 2009

Esperar para ver?

Pois é!
Vêm aí as eleições legislativas e não se vêem nenhumas perspectivas de mudança.
Com estes protagonistas e com este sistema eleitoral, que é que nos espera?
Se nenhum partido vai ter maioria absoluta, se um governo maioritário, que teria de ser à esquerda, é impossível, se não se vê quem possa governar em minoria, e se um governo fora dos partidos parece condenado à partida, que é que nos espera?
Esperar para ver?

domingo, 26 de julho de 2009

(Des)orientação

O PS conseguiu | permitiu | quis que saltasse para a discussão pública a orientação sexual de um determinado candidato a deputado.
Acho isto muito estranho.
E acho também estranho que as orientações sexuais dos restantes 224 (ou 449, se se incluírem os suplentes) não sejam reveladas. Interrogo-me. Será que o PS pensa que os outros são pouco interessantes deste ponto de vista, por serem "normais"? Será que os outros têm algo a "esconder"? Será exploração pura e simples?
Claro que certos jornais, com o Público à frente, amplificam estas situações e vão procurar obter o máximo de dividendos. Desorientação.

sábado, 11 de julho de 2009

Aves atacam aviões

O avião que ia fazer hoje a ligação Porto Caracas foi atacado por aves...
Estou a imaginar. As aves, a preparar o ataque. A organizar o exército. Ali, escondidas atrás dos hangares do Francisco Sá Carneiro. E o avião, completamente indefeso, na sua inocência. Sem imaginar o que o esperava.
Será que as aves já não têm respeito por quem voa?

Bem...

Este episódio recorda-me um outro, que vivi em 17 de Maio de 1980, quando estava em Brighton.
Na praia, junto ao Pier, houve um festival aéreo em que uma das atracções eram os famosos Red Arrows. Numa daquelas passagens mais acrobáticas, quatro de cada lado, uns com fumos azuis e outros com fumos vermelhos, qual Porto Benfica, rodando 90º para se cruzarem intercalados, a ponta da asa de um dos aviões, o do comandante da esquadra, toca no mastro de um pequeno iate que estava ali mesmo, ao lado do Pier, à frente do meu nariz.

Percebemos que alguma coisa se tinha passado. O ruído acalmou. Os Red Arrows desapareceram momentâneamente, e algum tempo depois alguém chega de para-quedas. O piloto que se tinha ejectado! E lá se foi mais um Hawk T.1.

Claro que o proprietário do iate foi massacrado por toda a imprensa nos dias seguintes, pela sua imprudência. Mas lembraria ao diabo que um pequeno mastro de um pequeno iate, no seu meio próprio, poderia derrubar um avião daqueles?...

domingo, 26 de abril de 2009

25 de Abril de 1974

Sou da geração de nasceu depois da segunda grande guerra mundial, e tinha 27 anos em 25 de Abril de 1974. Soube muito pouco dos horrores dessa guerra, ouvi falar vagamente do racionamento de bens alimentares, e de todas as dificuldades, mas passei pelas campanhas de Humberto Delgado e de 1969. Opunha-me totalmente à guerra colonial, e senti a presença de PIDE mais do que uma vez. Quando, ainda aluno da FEUP, estive com os da frente na tentativa conseguida de alterar os nossos planos de estudo, tendo chegado a 'enfrentar' o então ministro Veiga Simão, e já no início dos anos 70, quando estive mais uma vez com os da frente na Assembleia dos Assistentes da FEUP.
Vivi com muita alegria o dia 25 de Abril de 1974 e os primeiros anos depois da revolução.
Mas já se passaram 35 anos, e ainda não aconteceu a revolução, essencialmente cultural, que nos tirará desta posição de tudo esperarmos do governo, sem perceber que o governo somos nós que escolhemos e que o governo deve cumprir um mandato claro do povo e sujeitar-se à sua avaliação. O País está mal, os sistemas essenciais não funcionam nem se regeneram, a corrupção grassa todos os níveis.
Deve estar na hora daqueles que nasceram depois do 25 de Abril de 1974 olharem bem à sua volta e criarem a sua revolução, dotarem o País de uma visão estratégica, de objectivos, planos de acção, orçamentos e equipas capazes de executar esses planos e de prestar contas.
E de pôr fim a essa instituição chamada subsídio de desemprego, que deveria ser substituído por um subsídio de emprego, que não autorize o parasitismo de milhares e milhares de indigentes que vivem à custa daqueles que bem ou mal lá vão trabalhando!

domingo, 29 de março de 2009

Mamaracho horrível!

O Porto está a ficar mais bonito.
A marginal do Douro é linda.
O novo molhe da Foz criou um espaço novo, cheio de possibilidades (esperemos que a hidráulica não nos pregue nenhuma partida...)

From Portugal
Vamos ter uma esplanada nova e uma viagem ao centro da tempestade!

From Portugal
Portanto, pergunto: o que está este mamarracho aqui na Rua do Ouro a fazer?

From Portugal
Será que não aprendemos o valor económico de um espaço agradável, com história, onde as pessoas se sentem bem?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Goal average

Um dos grandes problemas nacionais. Ou como se consegue gastar tempo inutilmente. Então não há gente que usa o termo goal average num regulamento e depois não sabe o que quer dizer?!
E depois inventa. Não, não é o quociente da divisão dos golos marcados pelos sofridos, e com toda a razão, digo eu, pois se fosse teriam escrito goal ratio, certamente. Mas também não é a média de golos, apesar de ser o que exactamente quer dizer goal average. Então o que é? É a diferença de golos, o que os ingleses chamariam goal difference! A dúvida afinal era entre dois disparates!
Claro que isto não tem importância nenhuma, mas mostra a ignorância que grassa pelas cabeças que decidem. E isso é muito grave. Porque não é só no futebol. É no País todo. Basta olhar à nossa volta.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Anda alguém a brincar conosco! 6 milhões por uma fotocopiadora?

Está tudo aqui. Será que perdemos a cabeça?
Por enquanto, é possível pesquisar na base de dados de ajuste directo do Estado aqui.
Não tenho palavras.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Ribeira da Granja

Hoje, ali mesmo nas traseiras do Hotel Bessa, descobri um trecho anteriormente escondido da Ribeira da Granja (quem não conhecer, pode ver em Ribeiras do Porto)
From Portugal
Neste pobre País, com os governantes que nos governam, os autarcas que gastam o nosso dinheiro nas coisas mais extravagantes, os banqueiros que desbaratam o que sobra, os gestores de empresas públicas que gerem no seu próprio interesse, os reguladores distraídos, a promiscuidade entre política e futebol, vale-nos às vezes um momento destes para acreditarmos que é possível.

domingo, 23 de novembro de 2008

Caminho longo

Perante a mesma situação de trabalho e remuneração encontro muitas vezes estes dois comportamentos distintos: aqueles que dizem 'porque hei-de trabalhar mais ou melhor, se ganho tão pouco?' e os outros que pensam 'só há uma forma de ganhar mais, que é trabalhar melhor!'.
Os primeiros, infelizmente parece que em maioria, não são os empreendedores, não são os que querem ter a vida nas suas próprias mãos, os que acreditam nas suas capacidades, são os resignados, os condenados a permanecer na situação em que se encontram, os que se vão queixando de tudo, menos deles próprios, e um encargo terrível para a sociedade.
E se há razões sociais e culturais para estes dois comportamentos, é muito triste que tão pouco se tenha feito para alterar esta situação. Em Portugal, no século XXI, 34 anos depois do 25 de Abril, 22 anos depois da entrada na União Europeia, com milhares de milhões de euros gastos na formação dos Portugueses, esta situação é completamente inaceitável.
Há competências básicas, para além do português e da matemática, das ciências e das tecnologias, que são absolutamente indispensáveis: de exigência democrática, de comunicação, de gestão, de convívio com a incerteza, e fundamentalmente de decisão relativamente ao percurso de vida.
Se cada um de nós, nos seus sítios, não se cansar de o reclamar, talvez um dia lá cheguemos...