Mostrar mensagens com a etiqueta vida. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta vida. Mostrar todas as mensagens

domingo, 30 de dezembro de 2012

2013

Hoje tive uma visão... 2013 é o primeiro ano do século XXI em que os quatro dígitos do ano são todos diferentes. Não sei se é uma boa notícia ou uma má notícia, mas uma coisa sei: a última vez que tal aconteceu foi em 1987, e esse ano não foi famoso. Nesse ano, Portugal assinou com a China o acordo de devolução de Macau, e em 19 de Outubro tivemos a famosa segunda-feira negra nos mercados.
2013 é um número mais bonito, é uma permutação de [0, 1, 2, 3], que não ocorria desde 1320, ano em que em Portugal reinava D. Dinis, um dos últimos portugueses a acreditar na agricultura e a lançar as bases para os séculos de glória que se seguiram. Deste ponto de vista, é mais animador...
E termina em 13, o número do azar para inúmeros povos, desde os Romanos e os Vikings aos Chineses, mas esse talvez seja um mal menor, ou mesmo um prenúncio de sorte!
Por isso, acredito piamente que as singularidades positivas se vão impor e que o próximo 2013 vão ser um ano particularmente favorável, em que vamos reconquistar a independência e começar a traçar o nosso próprio destino. Ou talvez não...

sábado, 29 de dezembro de 2012

Ignited Minds

"I dedicate this book to a child who is studying in class 12. Her name is Snehal Thakkar. On 11 April 2002 when I reached Anand by road in the evening, it was under curfew following communal disturbances. The next day, at the Anandalaya Hugh School, while talking to the students, a question came up: "Who is our enemy?"
There were many answers, but the one we all agreed was correct came from her: "Our enemy is poverty."
It is the root cause of our problems and should be the objectof our fight, not our own."
São as primeiras palavras de um livro cujo título é Ignited Minds, que comprei em 2005, na Índia, e cujo autor é A.P.J. Abdul Kalam, que muitos não conhecerão.


A.P.J. Abdul Kalam é um cientista indiano que, entre 2002 e 2007 serviu como 11º Presidente da Índia. Ouvi-o em duas intervenções dedicadas à aposta da Índia nos jovens, e ao papel dos jovens na construção daquele grande País. É um ser extraordinário, que coloca todo o seu esforço em levar os estudantes e os jovens a acreditar que valerá a pena serem cidadãos de uma India desenvolvida, e que para isso devem ser responsáveis e esclarecidos.
A India é um País imenso, com uma população de 1200 milhões de habitantes, pobre, independente desde 1947, que só um projecto com uma grande força será capaz de transformar numa nação nova e poderosa.
Noutro livro, India 2020: A Vision for the New Millenium, Kalam aponta o caminho do conhecimento para a construção dessa nova super-potência.


Controverso, como sempre é quem se propõe alterar o estabelecido, Kalam continuou depois do final do seu mandato o seu hábito de interagir regularmente com os jovens.
Considero este exemplo fantástico, e penso que em Portugal não será diferente, que o caminho será levar todos os jovens sem emprego, desmotivados, a acreditar neles próprios e a tomar nas suas mãos o seu futuro. Para que imagens como estas desapareçam definitivamente da India, e de Portugal.

From Passagem pela Índia

domingo, 28 de outubro de 2012

Para onde vamos?

Quando prescindimos de produzir dinheiro na Casa da Moeda e aderimos ao Euro, com uma taxa de conversão completamente errada, ainda por cima, ficamos completamente nas mãos de quem tem o dinheiro.
Basicamente, e pondo de parte o método usado por exemplo por Alves dos Reis anos atrás, ou pedimos emprestado ou trabalhamos. E como pedir emprestado nos coloca nas mãos dos nossos credores, a boa solução é mesmo trabalhar, produzir bens e serviços que valham, e transacioná-los.
Parece simples, mas não é. Por duas razões. Quê e quem?
No século XXI, com a desmateralização de uma parte da economia e a deslocalização da outra parte, grande parte dos bens e serviços transacionáveis incorporam informação e conhecimento em grande escala, seja directamente, seja por via indirecta. Um simples produto tradicional, turístico, cultural, gastronómico, só existe se chegar aos consumidores através das redes sociais, da Internet, dos novos espaços públicos onde hoje vivemos e trabalhamos.
Estaremos preparados para este choque? O drama é que não!
E se a única solução é trabalhar, será que a solução é compatível com o nível de desemprego que hoje temos? Será que é sustentável? Obviamente que não, também não!
Mas nada disto se resolve de um dia para o outro! Vai demorar muitos anos, uma geração ou mais. Muitas maratonas. Ao Governo cabe exactamente perceber estes problemas e implementar as medidas que nos permitam percorrer este caminho.

sábado, 20 de outubro de 2012

A hora da verdade

Tem de chegar. Vai chegar. Está a chegar. Chegou!
Dez anos de euro chegaram para mostrar que não há meias soluções, que não se pode viver à europeia e não ser europeu, com tudo o que isso significa.
Nesta Europa, inacabada, desconfiada, querer continuar, indefinidamente, a depender da generosidade dos outros, não é solução, e ainda bem, digo eu!
Percebemos agora que demos cabo de tudo, da agricultura, das pescas, das indústrias tradicionais, em troca de uma miragem traduzida nalguns milhões, que nunca produziram os efeitos prometidos.
Quando Francisco Van Zeller nos diz que um dos entraves aos estaleiros de Viana do Castelo é uma mão-de-obra "muito desatualizada e habituada a maus hábitos" está a pôr o dedo na ferida, está a perguntar como foi possível ignorar durante os últimos 25 anos este problema premente da valorização dos nossos recursos humanos, da sua preparação para o choque violentíssimo de uma nova economia à escala global, como foi possível passar ao lado?
Séculos de caciquismo, de corrupção, de aversão à educação, de uma tragédia a que não podemos fechar mais os olhos, e que os governantes que escolhemos não foram capazes de diagnosticar e, muito menos, resolver, não explicam tudo.
A verdade é que tivemos no governo gente impreparada, mais preocupada em servir-se do que em servir, que enriqueceu, que fez negócios escandalosos, e que não é sequer capaz de reconhecer que errou, que nos conduziu a uma situação insustentável, e que é preciso mudar tudo!
Agora, precisamos de um governo que nos motive a apertar o cinto para atravessar este deserto, quanto mais depressa melhor! Que pare com a hemorragia das PPP. Que adopte as medidas de emergência necessárias para reduzir drasticamente o nível de desemprego. Que não tenha medo de decisões arrojadas. E que nos ponha a trabalhar, trabalhar muito, a estudar, estudar muito, para que nunca mais aconteça!
Mas como? Poderá este sistema regenerar-se? É disso que se trata! É a hora da verdade!

domingo, 14 de outubro de 2012

Políticos de aviário

Portugal é um País com um problema estrutural tremendo, resultado de anos e anos de desprezo pela educação e desenvolvimento cultural, que hoje está na cauda da Europa por exemplo num indicador crítico como é a percentagem da população entre os 25 e os 64 anos com o ensino secundário completo. Vale a pena estudar os números do PISA - OECD Programme for International Students Assessment, para se ter uma ideia da dimensão do problema, que demorará muito tempo a resolver e exigirá um esforço muito grande de todos.
Mas sem esse problema resolvido, não será fácil sermos na Europa um entre iguais, não será fácil resolvermos o problema do desemprego, que gera mais desemprego, que castiga de igual modo os que trabalham e os que não trabalham, uns porque têm de pagar mais impostos e outros porque estão condenados à dependência de um orçamento de Estado cada vez mais exíguo.
Não consigo perceber como políticos sérios são capazes de passar pelas cadeiras do poder sem tremer com este problema, sem colocar este problema no centro de todas as prioridades, sem procurar unir os portugueses em torno de um projecto para uma geração, em prol da educação, da cultura, da cidadania, realizado com o apoio de todos, sem hesitações, com a certeza de que é o único caminho que nos permitirá recuperar a nossa independência.
E também sem encontrar uma resposta de emergência ao problema do desemprego, que devolva às pessoas um sentimento de utilidade que é absolutamente indispensável, nem que seja trabalhando menos, mas trabalhando todos.
O problema está nos políticos que nos "governam", nos quais votamos sem os escolher, por virtude de um sistema político anacrónico, que defende a preponderância dos partidos sobre a sociedade, que gera a indiferença, que abre as portas a soluções autocráticas indesejáveis.
Mas alguma coisa estamos a aprender todos os dias: a necessidade de reformar completamente o nosso sistema poliítico, de livrar este País de políticos de aviário, que se servem, mas que não servem.
Deste ponto de vista, as notícias de hoje são assustadoras.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A indiferença

Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.

(Uma das muitas versões de um sermão de Martin Niemöller, muitas vezes atribuída a Bertolt Brecht)

domingo, 23 de setembro de 2012

Nada mudou!

Um País não são os comentadores políticos, não são os jornalistas, são as pessoas!
Que votam, que escolhem os seus representantes políticos, e que depois não vêem as promessas eleitorais cumpridas, mas sim um País endividado, empobrecido, mal gerido, desorientado, sem uma alternativa de esperança.
São dezenas de anos de erros acumulados, praticados por quem conhecemos, à frente de todos, de nós e dos órgãos que escolhemos para fiscalizar, para investigar, para identificar e julgar quem prevarica.
Ficamos assim nas mãos dos credores, a quem nem sequer podemos dizer que não pagamos, pois no dia seguinte vamos precisar do seu dinheiro outra vez.
Realmente, poder, podemos! Desde que nos libertemos do Euro, fazendo voltar o escudo, ou outra moeda qualquer que não se esgote, que até podia ser o yuan, e que chegue para todos. Perderiam todos os que não têm economias, ou que têm economias no País, que instantâneamente passariam a ganhar menos uns 40% do que ganham hoje, sem dor, possivelmente com uma sensação de enriquecimento, completamente falsa, pois todos os produtos oriundos da zona Euro encareceriam pelo menos esses mesmos 40%.
Se não é isso que queremos, então nada mudou!
Continua a ser preciso equilibrar o orçamento tão depressa quanto possível, apostar na educação, mudar mentalidades, ajudar as empresas mais preparadas a virar-se para a exportação, atrair investimento estrangeiro, reduzir os encargos da dívida, reduzir as rendas das PPP com a mesma coragem com que se reduziram salários e pensões, definir um pacote fiscal justo, explicá-lo, e vêrmo-nos livres da Troika, de uma vez por todas.
Mas só uma equipa governamental forte, com uma visão estratégica do País real, que lidere, que tenha o apoio dos eleitores, que ouça, que seja eticamente irrepreensível, que fique ao lado dos mais fracos, poderá ter êxito.
Em homenagem a um povo que numa geração foi ao Inferno e voltou, deixo aqui uma recordação de uma visita recente que fiz a Berlim

From Berlin 2012

em que se vê, à esquerda, o antigo parlamento, com a cúpula de vidro de Frank Lloyd Wright, e à direita, o novo parlamento, unindo simbolicamente as duas margens do Spree, que aqui dividia Berlim. Só aqui, sete berlinenses perderam a vida ao tentar escapar a nado para o lado ocidental.
Aqui sim, tudo mudou.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A diferença, sente-se

Aqueles quase quatro anos que vivemos em Inglaterra proporcionaram-nos experiências únicas, umas grandes, outras insignificantes, mas sempre marcadas por aquele espírito Inglês que só quem lá viveu tempo suficiente consegue compreender.
Um belo domingo, finais de 1977, fui até à cabine telefónica telefonar para os meus Pais (era assim...), introduzi uma moeda de 10 p, marquei o número, alguém atendeu, a moeda entrou no depósito, e a chamada caiu! Bolas! Outra vez. Introduzi outra moeda, repeti tudo, e a chamada caiu novamente! Liguei para o operador. Sim, era um operador, verdadeiro, que falava conosco, e que ouviu a minha reclamação. Pediu desculpa pelo sucedido, perguntou-me se lhe poderia facultar o meu nome e morada, disse-lhe o número para que pretendia ligar, fez a ligação e falei, sem moedas, o tempo que quis. Por mim, não esperava mais nada.
E muito menos que, dois dias depois, na minha caixa do correio, estivesse uma carta da companhia dos telefones, com um pedido de desculpa e 20 p em selos do correio, o valor das duas moedas de 10 p que a máquina tinha engolido.
É a diferença.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Economia?

A União Europeia e os seus 500 milhões de habitantes constituem um sistema verdadeiramente complexo, governando pelas decisões individuais de 500 milhões de decisores mais ou menos autónomos.
Neste sistema, as pequenas decisões de cada um - comprar ou não o jornal, ir ou não ao restaurante, comprar ou vender acções, trocar de carro - quando multiplicadas por milhões podem ter efeitos catastróficos no colectivo.
Se todos nós, por exemplo, por desconfiança ou medo do futuro, decidirmos trocar o carro todos os 6 anos, em vez de todos os 4 anos, vamos necessitar de muito menos carros novos para os substituir, como certamente a senhora Merkel e o senhor Sarkozy já andam a descobrir!
O problema está em que os decisores, nós, cada um de nós, têm as suas crenças, desejos e intenções individuais, não homogéneas, e não têm uma consciência clara da complexidade do sistema, pelo que agem de acordo com impulsos momentãneos, com grande probabilidade de gerar um comportamento caótico.
Experimentemos colocar 22 pessoas e uma bola num campo de futebol sem lhes dizermos qual é o jogo nem as regras. Que acontece? Absolutamente imprevisível!
Sem uma consciência do colectivo e dos fins e objectivos individuais e globais, sem um conhecimento partilhado das possíveis implicações de cada decisão, sem o reconhecimento das esferas de decisão de cada um, de cada região, de cada País, sem uma noção de que há uma variável rígida chamada tempo, não podemos jogar nenhum jogo.
E nomeadamente porque há hoje grupos económicos e grupos de pressão fortíssimos, uma comunicação social influente, regras económicas complexas para o decisor comum, pessoas e empresas prontas a arrecadar muito e muito dinheiro através de avaliações de risco totalmente infundadas, através do desvio de dinheiro para paraísos fiscais, ou através da especulação descarada.
É aqui que os governos devem funcionar. Criar as condições para que o todo funcione, o que só acontece se todas as partes funcionarem. Saber que serviços queremos que o Estado nos preste e quanto estamos dispostos a pagar por isso. Gerir o orçamento com rigor. Defender os mais fracos.
Sim, que os fortes não precisam de quem os defenda!

sábado, 13 de agosto de 2011

Chegou a hora de mudar!

Estamos em mudança! Nós. Em Portugal. No Mundo. Basta ver como aceitamos a necessidade de medidas duras e difíceis. Como olhamos para essas medidas como parte do "castigo" pelos exageros que todos cometemos, e muitos continuamos a cometer.
Mas o Mundo ainda não se auto-governa. A lei do mais forte não serve. E precisamos de olhar para os que ainda não compreendem que esta cultura do receber sem dar, dos direitos sem deveres, do culto das "celebridades", dos jogos que exploram as fraquezas de alguns, do short selling, dos paraísos fiscais, das obras faraónicas, do curto prazo, não leva a lado nenhum.
Hoje, felizmente, começa a haver sinais de que estamos a olhar para estes problemas com outros olhos. Basta olhar para meia dúzia de canais de TV ou de jornais internacionais para percebermos isso.
Temos que perceber o que queremos do Estado, do governo, da Europa, como recompensamos os mais empreendedores, como garantimos uma vida digna aos menos capazes, e quanto estamos dispostos a pagar por isso.
O caminho é naturalmente estreito, cheio de dificuldades. Só que não há alternativa.
Chegou a hora de mudar!

domingo, 10 de julho de 2011

Malditas agências de rating

Mas que é isto? Somos governados pelas agências de rating? São esses tecnocratas desenraízados que se sentam nas secretárias dos gabinetes da Moody's, da Fitch ou da Standard & Poor's que ditam o modo como vamos viver nos tempos mais próximos? Mas que sabem elas de nós, da nossa história, da nossa identidade, do nosso modo de viver? Nada! Nada! Nada!
Sabem fazer contas e emitir opiniões. Sobre as empresas, as instituições, os Estados que as contratam! Que as contratam... E nós contratamo-las para elas emitirem aquelas opiniões sobre nós. Que mal agradecidos!
E porque é que as contratámos, ao fim e ao cabo?
Pela simples razão de que as entidades que nos emprestam dinheiro exigem que nós exibamos um rating "decente" avaliado por uma ou mais agências de uma short list qualquer, e elas lá estão! Apesar do histórico de avaliações erradas...
Embora o nosso downgrading pela Moody's não seja definitivamente uma avaliação errada! Ou achamos que se cumprirmos os acordos, se emagrecermos como nos estão a pedir, algum dia conseguiremos inverter a situação, pagar a dívida monstruosa e "voltar aos mercados"?
Ninguém acredita!
Todos sabemos, há muito tempo, desde a negociação incompleta para a entrada no Euro, que a construção da Europa ficou a aguardar melhores dias, e que é isso que estamos a pagar.
Felizmente, parece que agora os políticos europeus começam a descobrir que a solução do problema está nas mãos deles! Que há outras maneiras de ver a Europa. Que não estamos condenados a viver todos de forma igual. Que todos os países têm as suas riquezas. Que talvez se possa viver em harmonia numa Europa menos obcecada pelo dinheiro.
Ainda vamos agradecer à Moody's...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Confesso...

Confesso que resolvi deixar de obedecer a uma ordem que me foi dada expressamente por um elemento da brigada de trânsito da GNR.
Ia eu há uns tempos para Braga, na A3, na faixa mais à direita, descontando aquela faixa estreitinha, na antiga berma, para veículos lentos (pensava eu), um pouco antes da saída para Cruz, quando notei no meu espelho retrovisor que um carro da GNR se aproximava a grande velocidade, exactamente nessa faixa.
Suspeitei que me ia ultrapassar mesmo por ali, mas não. Passou para a faixa à minha esquerda, colocou-se ao meu lado, fiz de conta que não vi nada, acelerou, passou outra vez para a faixa estreitinha e, surpresa, mostrou-me uma mensagem clara num display luminoso que transportava: CIRCULAR PELA DIREITA!
Wow! Lá fui para a faixa indicada, fiz-lhe um gesto com o polegar, e foi à vida.
E assim passei a fazer, e a notar que outros devem ter recebido a mesma reprimenda, dado o aumento de frequentadores da berma. Apesar dos perigos.
Sim. Porque logo a seguir à saída para Cruz, numa curva, a berma recupera a velha função de faixa de aceleração para os carros que entram, muito devagarinho, naquilo que pensam ser mesmo uma faixa de aceleração. Loucura!
Como gosto de antecipar as coisas, ao chegar ao local verifico sempre se a faixa ao meu lado está livre, pois poderei precisar dela, e assim aconteceu ontem. Só não bati na traseira de um inocente que entrava calmamente na A3 porquê tinha espaço para me desviar. Mas podia não ter!
E portanto, por uma questão de segurança, passei a desobedecer àquela ordem.
Estou à espera de novo aviso...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Estamos feitos!

Os nossos "políticos" (não consigo escrever sem aspas) que deram cabo das nossas finanças e do nosso País, que não cuidaram do que deviam, na educação, na saúde, na justiça, e em vez disso gastaram o que tínhamos e o que não tínhamos em obras de luxo, nas auto-estradas, nas escolas da Parque Escolar, no TGV, no novo aeroporto, nas PPP nos hospitais, e acumularam dívidas na saúde, nas empresas de transporte, nos bancos, nas offshore, fechando os olhos aos negócios mais escandalosos, e dizimando os dinheiros públicos, chegaram a um bêco sem saída.
E o problema é que não têm mesmo saída! O País não tem saída! Não temos recursos humanos que possam alimentar um ressurgimento da nossa economia, não os há, as pessoas foram enganadas pelas Novas Oportunidades, faltam-nos empresários, e na melhor das hipóteses acontece-nos o mesmo que à Grécia. Aguentamos um ou dois anos, e resignamos.
Há que reconhecer que não é por aqui, que é preciso criar actividade económica, exportar (ou substituir importações), que é preciso debater ideias, entre nós e com os nossos parceiros, mudar o clima, atraír investidores. Como seria bom em vez da "ajuda" termos 78 mil milhões de investimento, realizado por gente interessada em ganhar dinheiro, e por essa via criar actividade, reduzir o desemprego, aumentar as exportações.
O problema está em como chegar aí, em como mudar o paradigma, ter ideias claras, arregaçar as mangas e criar a motivação para uma mobilização nacional que vença este marasmo a que hoje assistimos. Fazer em 3 anos o que não fizemos em 15 ou 20!
Mas se queremos estar na Europa, é este o caminho.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Que parva que é!

Esta ideia de um emprego para a vida, que paga um ordenado ao fim do mês, certinho, num mundo que não muda, é completamente irrealista, obviamente.
Estes empregos teriam de ser garantidos por muitas empresas grandes, pouco flexíveis, vivendo numa economia de regras obsoletas, empresas iguazinhas àquelas que vemos morrer todos os dias, e sem deixar saudade!
O mundo muda! Os gostos mudam! O consumo muda! Novas profissões surgem todos os dias, novas oportunidades são criadas todos os dias pelos mais preparados, por aqueles que pensam autonomamente e que acreditam neles próprios.
Na raiz do problema estão as expectativas geradas pelos políticos que nos seus discursos são capazes de prometer o impossível, de explorar a ignorância, e a crença infundada de jovens pouco habituados a pensar pela sua cabeça, e a decidir de acordo com as suas próprias opções.
Esta ideia que os une de que o Governo há-de e tem de resolver todos estes problemas é completamente anacrónica.
Assim, entretidos nas ficções das ondas no Facebook ou numa moda nos Morangos, ou mesmo numa palavra de ordem da esquerda radical, os mais novos esquecem-se de pensar na mudança necessária, e na sua contribuição para essa mudança, para a mudança que aqueles mais empenhados na resolução dos problemas do País procuram promover.
As soluções existem, mas exigem que se perceba como funciona o mundo hoje, que o trabalho que nos espera não será possivelmente aquele como que sonhamos, que essa utopia não existe!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Guia eleitoral

Constitucionalmente, o candidato para ser eleito tem necessariamente de obter mais de metade dos votos validamente expressos.
Vejamos então quais são as hipóteses de votação que restam a um cidadão:
  • não ir lá: contribui para aumentar a abstenção e dá um sinal de descontentamento relativamente ao regime em vigor;
  • ir lá e votar branco: tem o mesmo efeito eleitoral que o anterior, pois não é um voto validamente expresso, não contribui para a abstenção, mas dá a ideia que qualquer candidato serve;
  • ir lá e votar nulo: parecido com o anterior, mas dá a ideia que nenhum candidato serve;
  • ir lá e votar num candidato: é o voto dos que sabem o que querem;
  • ir lá e votar num candidato qualquer excepto naquele que não queremos: é o voto inteligente, é um voto validamente expresso, que aumenta a possibilidade de o candidato incumbente ter de nascer outra vez e lhe dá tempo para explicar as trapalhadas em que nos meteu e em que se meteu, com os seus amigos e vizinhos.
Domingo, podemos votar ou não, mas que o nosso voto tenha uma leitura e um efeito claros! Eu já sei o que vou fazer!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Negociar em Marrocos e noutros países...

Há quem goste e há quem deteste. Eu gosto. Nunca tive nenhum problema.
E já me vi em muitas situações à primeira vista hostis, pelo menos aos olhos de um europeu que não esteja preparado para compreender o sistema de vendas destes povos, seja no Norte de África seja na Turquia.

Nunca, mas mesmo nunca se deve perguntar por um preço e depois simplesmente dizer obrigado e virar as costas. É um insulto grave. Quem pergunta, quer comprar, e tem de estar preparado para regatear, ou oferecer um preço, ou pelo menos dizer que é muito caro.
Mas nunca, mesmo nunca, force o seu preço. O vendedor normalmente faz questão em ser ele a fixar o preço final da transação, pelo que devemos deixar margem de manobra para esse jeitinho final. É uma questão de honra para ele.

Uma vez , no Grand Bazaar em Istambul, vimos um tapete que nos interessava. Antes de entrar, combinamos entre nós que pagaríamos 200 € pela peça. Depois perguntei o preço. 1000, disse ele. Muito caro, disse eu. 800, disse ele, porque eu era o primeiro cliente do dia... Muito caro, disse eu. Fez umas contas na máquina de calcular, e pediu 600. Já perdia dinheiro! Não, disse eu. Ofereça, disse ele. 200 euros, disse eu. Ficou zangadíssimo, disse asneiras, mas não me pôs na rua... 400, pediu, só para se ver livre de mim. Não. 350. Não. 300. Não. 250. Era a última oferta dele. Não, e viemos embora. Veio atrás de nós. 210?!
Aceitei. Não podia violar a regra de ser o vendedor quem fixa o preço. É o pequeno jogo de que eles tanto gostam. Claro que se fica sempre com a sensação de que eles é que ganharam no negócio, mas isso...

Outro jogo que os vendedores sempre jogam é o jogo das nacionalidades. Eles sabem que negociar com um português, um espanhol, um italiano, um russo, são coisas completamente diferentes, pelo que precisam dessa informação. E se lhes dificultamos o acesso à informação, eles não gostam... Portugais? Ronaldo. Mourinho. (os nossos valores em alta...)

Finalmente, eles usam todos os estratagemas para tentar vender, mas são completamente pacíficos; é sempre possível dizermos que não estamos interessados e virmos embora sem problema. Dois pequenos episódios, um em Agadir e outro em Marraquexe, assim o ilustram.

Em Agadir, estávamos no ClubHotel Riu Tikida Dunas e pedimos um taxi para irmos a um centro comercial conhecido. O condutor logo perguntou o que queríamos comprar, nós dissemos que só queríamos ir àquele centro, ele disse que conhecia um sítio fabuloso para tapetes, e perante a insistência dele, aceitamos ir lá. Era longíssimo, fora da cidade. Vimos. Dissemos que não gostámos de nada e dirigimo-nos para a porta. Lá estava o táxi, mas sem condutor! Vieram-nos dizer que tinha chegado a hora das orações e ele fora à mesquita. Passados uns longos minutos, chega uma carrinha com novas cores de tapetes, e logo a seguir, o taxista! Tinha sido um estratagema para nos forçar a esperar. Não compramos nada, e viemos embora.

Em Marraquexe, eramos seis, e numa daquelas ruas que dão acesso à praça de Djemaa El-Fna, um marroquino impecavelmente vestido de branco aproxima-se e convida-nos a ver o estabelecimento dele, que parecia ser apenas uma pequena sala. Oferece-nos chá de menta, e leva-nos, para uma sala, e uma segunda, e uma terceira, e ao primeiro piso, e a mais salas, mostra-nos coisas lindíssimas, mas parte do grupo começou a sentir algum pânico resultante do facto de não saber mais como sair da loja. Disse ao homem: não vamos comprar nada, lamento; pode-nos indicar a saída, por favor? Certamente, disse ele, e saímos.

Não devemos confundir o nosso próprio desconhecimento dos hábitos com insegurança.

domingo, 4 de abril de 2010

Revisitar Seoul

Hoje estive a experimentar a nova possibilidade que o MEO oferece de associar uma conta fotos.sapo.pt a uma conta MEO. É interessante, pois é possível associar a mesma conta de fotos a múltiplas contas MEO e assim partilhar fotos de um modo controlado. A qualidade da imagem não é famosa, mas aceita-se e certamente que vai melhorar de forma acelerada.
Escolhi para experimentar uma selecção de fotos que fiz em Seoul há cerca de dois anos

e de repente dei comigo a pensar naqueles dias na Coreia do Sul. Dias de calor, de chuva e de manifestações. Muito calor, muita chuva e muitas manifestações.
Fiz a viagem como gosto. Porto-Frankfurt-Seoul e volta. Hotel President em Seoul. Depois um salto a Daejeon para uma conferência e regresso a Seoul. Em Julho, quente em todos os sentidos, em plena crise da carne. Manifestações duras, duríssimas. Tudo gente nova, manifestantes e polícias. Barreiras de autocarros quase intransponíveis. Zonas inacessíveis.
Cheguei a Seoul por volta das 11:00 horas locais. Verifiquei logo que o meu telemóvel não tinha roaming. Ainda no aeroporto arranjei moedas e tentei uma cabine telefónica. Nada. O que vale é que rapidamente alguém me avisou que a cabina que eu estava a usar só funcionava com as moedas antigas e me ensinou a resolver o problema.
Como de costume, fui de autocarro para o hotel. Tudo como o Google tinha previsto. O hotel ali mesmo em frente. O único óbice foi mesmo a barreira de autocarros da polícia entre a paragem do autocarro e o hotel. Absolutamente intransponível, pois os autocarros estavam encostados uns aos outros. Um polícia logo me explicou que teria de ir até ao fim da barreira e voltar pelo outro lado...
Seoul é uma cidade fantástica. Cheia de vida e de cor. Mesmo quando chove muito. Agitada, ferve. Para além das terríveis manifestações contra a importação de carne bovina dos EUA, vi manifestações de apoio ao Falun Gong, de protesto contra a Coreia do Norte, religiosas, folclóricas, todas levadas a sério, explicadas a todos, incluindo os turistas como eu, em absoluto respeito.
Seoul é Coreia. Coreia é Ásia. Outra civilização. Muito antiga. Muito paciente. Com gente nova que trabalha e que sabe o que vale. Que leva a educação a sério. Muito a sério. Desde a primeira escola. Que constrói o futuro.
Apesar das manifestações. Ou não fosse frequente à noite manifestantes e polícias se encontrarem todos nos mesmos restaurantes...

quarta-feira, 24 de março de 2010

E a espuma não pode entrar na cabina do avião?

Nos aviões gosto de despachar a minha bagagem. Não tenho que me preocupar com os líquidos, nem de a carregar enquanto espero pelo embarque, embora no destino tenha sempre uma boa espera à minha espera, mesmo que não tenha havido extravio. As minhas malas costumam ser sempre das últimas a chegar ao tapete...
Ontem, em Frankfurt, tinha à minha espera um amigo que viajara num vôo anterior, e para não o fazer esperar mais tempo, decidi levar a minha bagagem para a cabine. Apresentei-me no ponto de verificação do Aeroporto Francisco Sá Carneiro com os líquidos num saco transparente, o laptop fora do saco, sem casaco nem gabardine, nada nos bolsos, um cinto pacífico, uns sapatos de confiança, daqueles que não apitam nunca. Lá passei silencioso, fui recebendo os meus items todos, até que... a minha espuma da barba numa bolsa transparente dentro da minha mala chamou a atenção dos zelosos funcionários:
- Isto não pode passar!
- Porquê? Não é um líquido...
- Não interessa, não pode passar!
- Pronto, ok, eu meto isso no meu saco transparente.
- Também não pode!
- Porquê?
- Porque tem mais de 100 ml (o máximo por frasquinho).
- Mas não tem, está quase no fim...
- Não interessa, aqui fora diz 200 ml, e portanto não pode passar.
Confesso que não tive paciência para mais, dispensei o zeloso funcionário do auto que me permitiria recuperar a minha espuma no regresso, pensei que o sabão do hotel até seria capaz de ser uma boa solução alternativa, e fui.
Num avião mais seguro, porque a minha espuma suspeita tinha felizmente sido detectada e ficado retida em terra...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Pobre País...

Andamos todos a falar do que não interessa ou do que não sabemos, e o problema essencial mantem-se... É que o problema essencial não é saber se há liberdade de expressão ou não, mas sim se temos um governo capaz ou não.
E tudo indica que não. Como já sabemos há muito tempo, aliás. São demasiadas as trapalhadas, as histórias mal contadas, as nomeações para a máquina do Estado, as tentativas de alargar a sua influência, as assessorias, os milhões, as pressões, as irritações, para podermos acreditar que temos um governo em que podemos confiar.
Os problemas que temos pela frente são tão sérios e tão complexos que passam pelo âmago da organização social, do modelo económico, da relação de cada um com a sociedade. Está na ordem do dia saber antecipar as mudanças!
Infelizmente, parece óbvio que nada ainda foi feito para começar a debelar esta grande crise económica e social em que mergulhamos. Nem cá dentro nem lá fora. Ou alguém acredita que as mesmas organizações, os mesmos intérpretes, vão ser capazes de dar resposta a estes problemas?
Eu não!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Afinal quem disse que a justiça não funciona?

Hoje, vinha eu na VCI de regresso ao trabalho quando o telemóvel tocou.
Vi quem era. Pareceu-me importante. E atendi...
"Noto que está no carro. Tem altavoz, ou mãos livres?" "Não tenho, mas pode falar, desde que seja rápido." De repente, senti a luz azul no meu lado esquerdo, ouvi uma sirene, e não disse mais nada, só um "fui apanhado!"
A Honda colocou-se à minha frente, um dedo apontou para o lado direito, e segui-a. Andou umas centenas de metros devagarinho, até que chegou à zona tracejada junto à saída para a rotunda de Francos. Paramos aí mesmo, carros a passar pelos dois lados.
O chefe N. de S. aproximou-se, cumprimentou, pediu os documentos, enquanto eu lhe ia dizendo que bem... o telefone tinha tocado e eu não tinha resistido... sabia que era proíbido mas... Não adiantou. Rapidamente me explicou que a infracção era grave, que não havia perdão, mas que se eu fosse delinquente primário e pagasse a coima voluntariamente na hora, teria a pena mínima: multa de 120 € e 30 dias de inibição de conduzir, esta pena suspensa durante seis meses.
Perguntei-lhe como me tinha apanhado, ele contou-me uma história de abutres e presas (sic) e explicou-me como usou o espelho retrovisor exterior do meu carro para ver o que eu estava a fazer. Mas apesar de ser um verdadeiro gentleman, o chefe N. de S. não me leu os direitos, não me sugeriu que ligasse ao meu advogado, e apenas quis saber se tinha comigo dinheiro suficiente ou se tinhamos de ir a uma caixa Multibanco.
Paguei, recebi de volta os documentos e o recibo, o chefe N. de S. despediu-se com um "foi um prazer!" e ajudou-me a reentrar na VCI. Olho pelo retrovisor, e vejo que já tinha mandado parar outro carro, que aparentemente tinha pisado o risco contínuo ali mesmo. Outra presa...
Entretanto fiz umas contas. Se todos contribuíssemos com 120 € uma vez por ano, isto dava uns 1200 milhões de € por ano. Que bela contribuição para a redução do défice nacional! Olhei para os 120 € como a minha parte, e ajudou-me a digerir a coisa...
Logo a seguir, ouvi na rádio que o Cristiano Ronaldo por dois míseros jogos de suspensão, por ter partido um maxilar de um colega de profissão, tinha sido multado em 600 €, cinco vezes mais. Eu, 30 dias, 120 €. Até tive sorte!...