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sábado, 8 de junho de 2013

A espera

E aqui estamos nós, em pleno século XXI, dois anos depois do resgate, à espera! De quê? Ninguém sabe. Provavelmente à espera de alguém que saiba de que estamos à espera!
E cada dia a situação vai-se agravando, empresas fecham, desemprego cresce, dívida aumenta, jovens fogem, tudo se degrada, e não há ideias, não há projectos, não há uma luz, uma esperança, uma certeza, um sinal, que nos anime, que nos diga que estamos no caminho certo.
E cada dia cresce em nós a necessidade de mudar, custe o que custar, de romper com este marasmo, de começar de novo, com outra gente, de mãos limpas, como outras vezes fizemos na nossa História.
Vai acontecer, fatalmente, mais cedo ou mais tarde.
Barabási, no seu livro Bursts, em que estuda os padrões de comportamento humano, retrata a espera como um estado em que a acção desbloqueadora se vai impondo, até atingir um nível de prioridade que a desencadeie, até que se esgote a paciência, diria eu.
Há uns tempos, num dia de muita chuva, fiquei preso num engarrafamento de trânsito, porque numa determinada rotunda o piso tinha aluído. Tudo parou, não apareceu nenhum agente de trânsito, até que, passado uma meia hora, alguém tomou a iniciativa de forçar a circulação nos dois sentidos na parte utilizável da rotunda, e o problema resolveu-se. Como previra Barabási, o mecanismo das prioridades dinâmicas funcionou!
No País, continuamos aparentemente à espera. Mas o tempo passa, e as nossas prioridades vão sendo ajustadas continuamente. Os poderes instituídos devem sabê-lo. Ou não?

sábado, 4 de maio de 2013

Novo resgate para quê?

O problema é que não tratamos de resolver o nosso problema de sempre? Sabermos o que queremos!
E das duas uma, ou queremos ser o que quase sempre fomos, europeus de segunda, do lado de lá de Espanha, ignorantes, incultos, dependentes, sempre à espera de alguém que nos "guie", ou queremos sair deste buraco em que nos enfiamos, valorizar o que temos, e viver de igual para igual num espaço europeu em que todos se respeitam, sem norte e sul, sem este e oeste, sem europeus de primeira e de segunda.
E esta definição é urgente!
No primeiro caso, não precisamos do Euro, é preferível uma moeda própria, e enganarmo-nos com salários que crescem mas que não valem nada, com uma inflação enorme, com taxas de juros insuportáveis, com poder de compra real em queda permanente, como bem nos recordamos.
E confesso que não estou seguro de que não seja esta a opção que em breve nos será "oferecida".
No segundo caso, não é de um resgate que precisamos. Todos sabemos o efeito de um resgate. Se não se tratar de resolver, ou de dar os primeiros passos para resolver, os problemas essenciais, o desemprego, a ignorância, o baixo nível de educação, a atractividade do País para o turismo e para o investimento, a reconstrução de tudo o que foi destruído, das belezas naturais ao património abandonado e às "urbanizações" sem sentido, a legislação anárquica, e tantas outras coisas, não chegaremos a lado nenhum.
Já todos, ou todos menos dois, no mínimo, percebemos que cortar nos salários e aumentar impostos implica cortar no consumo, cortar nas receitas fiscais, aumentar o desemprego, aumentar as despesas sociais, e não resolve o problema do défice, sequer. Portanto, não resolve problema nenhum.
Mas a alternativa precisa de um governo competente e forte, de gente com ideias que mobilizem, de uma visão moderna da sociedade, em que o trabalho é visto de uma forma completamente diferente.
É desta grande mudança de paradigma que precisamos. Já! Porque está na ordem do dia.

sábado, 16 de março de 2013

Onde está a luz no fim do túnel?

Pois é. Parece que paramos, que desistimos, que nos sentamos no chão, de costas, à espera.  De quê? Não sabemos. Nem sabemos. Não pode ser muito pior, não é?
Mas pode, graças aos nossos "governantes", todos, aqueles que "elegemos", sem nos erguermos contra a tirania dos partidos, que escolhem os "eleitos", que partem e repartem tudo o que nos podem retirar, sem contemplações, sem respeito, sem cumprir o dever de governar, de apontar um caminho.
Graças ao fim do Escudo, que servia para repartir os custos da nossa ineficiência de uma forma mais equlibrada, mas que não servia para alguns, os que se apropriam das economias de todos, e para quem só serve uma moeda forte, que não desvalorize.
Graças à forma como os sucessivos governos não olharam de frente para a questão do emprego, da criação de empresas, dos sectores estratégicos, da educação, da cultura, dos valores que podem fazer a diferença.
Como é possível uma Nação com quase mil anos de história se entregar nas mãos desta gente ignorante, e não se revoltar, não se libertar, não escolher outro caminho?
Lembremo-nos ao menos de Gedeão.

sábado, 2 de março de 2013

MoVimento 5 Stelle

Não confundo Beppe Grillo nem com Tiririca nem com José Manuel Coelho.
O MoVimento 5 Stelle teve um grande resultado eleitoral em Itália pela simples razão de 1 em cada 4 eleitores não acreditar nos partidos "tradicionais" nem na capacidade dos seus dirigentes em encontrar uma saída para a crise na Itália e na Europa.
Os Italianos não acreditam no Euro, não acreditam numa Europa guiada pela Alemanha, não acreditam nos burocratas de Bruxelas, querem viver a sua vida como gostam, querem ser senhores dos seus destinos, não se importam de ter uma moeda desvalorizadíssima, de usar notas velhas, de pagar dezenas de milhares de Liras por uma simples refeição, de ter uma taxa de inflação que os assusta sempre que querem trocar as suas Liras por outra moeda, de ter um velho Fiat, porque têm o sol, o mar, a música, a pasta, a Ferrari, a alegria de viver.
Os Italianos querem regressar ao tempo em que eram senhores deles próprios, e estão dispostos a pagar por isso.

From In and around Venezia, August 2006

Gosto desta Itália, do Norte a Sul, sinto-me em casa, seja em Milão seja em Bari, e acredito que todos saberemos defender a liberdade, e que a Europa do sul não se deixará derrotar por esta gente cinzenta que acha que é capaz de governar a Europa, mas que só sabe da teoria económica que vem nos livros que leram.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

E não se muda o sistema eleitoral?

Não consigo perceber o que se passa na cabeça destes seres que se apoderaram das nossas instituições e que nada fazem no sentido de mudar o nosso sistema político, para que possamos passar a escolher os melhores para o desempenho dos cargos de governo.
Será que estão convencidos que conseguem perpetuar o sistema existente, que não perceberam que estão possivelmente perante a última oportunidade para o mudar de uma forma elegante, que a alternativa não será esperar mais tempo mas pura e simplesmente chegar à mudança através da força, exercida de uma forma imprevisível, com consequências desagradáveis para alguns ou muitos?
E não seria tão fácil limpar o governo das figuras lamentáveis que por lá andam, mudar radicalmente a lei eleitoral para que os nossos representantes passem a ser eleitos nominalmente, um por um, sem a protecção de um partido, e deixar o presidente da República convocar eleições para um parlamento novo, em que cada um representa uma parte precisa da população, que se veria toda representada nesse parlamento?
Membros do parlamento capazes de olhar para os nossos problemas mais básicos, dos desempregados, dos reformados, do desnorte do nosso sistema de ensino, e de eleger um governo capaz de adoptar as medidas paradigmáticas capazes de transformar as mentalidades e de criar de imediato uma nova esperança para todos.
E uma justiça em que as pessoas acreditem, que não proteja os fortes.
Não estará tudo aí, ao virar da esquina?!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Onde está o meu deputado?

My MP, o meu membro do parlamento, tive um nos anos em que vivi em Inglaterra.
O sistema político inglês assenta em três pilares, o Monarca, a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns (o Parlamento).
Na Câmara dos Lordes sentam-se os Lordes Espirituais, e os Lordes Temporais, estes nomeados pelo Monarca, por proposta do primeiro-ministro. No total, os Lordes são actualmente 760. E até 2009 tiveram o poder judicial supremo.
Na Câmara dos Comuns sentam-se 650 membros do parlamento, eleitos individualmente, em 650 actos eleitorais distintos, nas 650 circunscrições eleitorais existentes, para um mandato máximo de 5 anos.
O Monarca convida o líder do partido mais votado a formar Governo, constituído obrigatoriamente por membros da Câmara dos Comuns (embora possa incluir membros da Câmara dos Lordes), isto é, políticos que tiveram obrigatoriamente de ganhar uma eleição nominal, na sua circunscrição eleitoral, e que têm de cuidar dos interesses dessa circunscrição se aspiram a vir a ser reeleitos.
Cabe ao primeiro ministro aconselhar o Monarca a ouvir o povo quando os 5 anos de mandato se aproximam do fim, ou antes, se achar que está a perder o apoio popular. Também pode, quando o parlamento muda de opinião, aconselhar o Monarca a convidar o líder da oposição a formar Governo.
E o parlamento muda muitas vezes de opinião, ou porque deputados mudaram de bancada, ou com as chamadas by-elections, eleições ocasionais de deputados, por falecimento, ou abandono do cargo de alguns. A eleição é sempre de um deputado, que nunca será substituído por alguém não eleito: não há listas!
É este pormenor que divide a Inglaterra de Bruxelas e do resto da Europa, que os Ingleses vêem cheios de gente não eleita a tomar decisões.
E é este sistema de representação que eu reclamo para Portugal.
Quam tem medo desta responsabilização pessoal de cada deputado?

sábado, 12 de janeiro de 2013

Ganhar para trabalhar ou trabalhar para ganhar?

O mundo mudou, os paradigmas da sociedade industrial anterior desmoronaram, e muitos ainda não deram conta, sequer, de que o futuro tem de ser completamente reinventado.
A ideia do direito ao trabalho, de que há obrigatoriamente aí, ao virar da esquina, um Estado ou um patrão disposto a pagar, a cada um, um salário para fazer aquilo que sabe fazer, está completamente ultrapassada.
A humanidade, nós próprios, temos trabalhado incessantemente para eliminar as formas de produção dependentes de mão de obra numerosa e pouco diferenciada, apesar de, em muitos casos isso se traduzir numa deslocalização das unidades de produção para outros locais.
Assisti in loco ao fim das indústrias mineiras e siderúrgicas na Inglaterra, ao aumento brutal de desemprego, às greves, e à forma como, em dez anos, novas indústrias, e milhares de novas empresas, permitiram reinventar um novo tecido industrial naquele país.
A criação de empresas e de emprego está agora na ordem do dia, em Portugal. E na realidade, se há área de sucesso nos dias de hoje, são as novas empresas que têm sido criadas recentemente, com o apoio das universidades, dos institutos de investigação, das autarquias, e de muitas outras organizações.
O problema é que são poucas, muito poucas, porque a muitos nos falta o rasgo para avançar, para ir à procura do mercado, para lidar com a incerteza, para sobreviver num mundo mais complexo, mais imprevisível.
Só que a alternativa de ficar em casa não resulta.
E aqui penso, especialmente, nos 40% de desempregados jovens, porque serão eles, certamente, os mais preparados para assegurar o funcionamento das empresas que não existem, as que lhes garantiriam o tal emprego que não têm.
Então o que fazer? Mas uma empresa moderna não é um grupo de gente qualificada e organizada, capaz de entender o mercado, de desenhar produtos, de os produzir, satisfazer os clientes, e de se renovar diariamente? 
Então o que falta? O pontapé de saída, porque apoios não faltariam, tenho a certeza.
Chamo a isso trabalhar para ganhar.

domingo, 30 de dezembro de 2012

2013

Hoje tive uma visão... 2013 é o primeiro ano do século XXI em que os quatro dígitos do ano são todos diferentes. Não sei se é uma boa notícia ou uma má notícia, mas uma coisa sei: a última vez que tal aconteceu foi em 1987, e esse ano não foi famoso. Nesse ano, Portugal assinou com a China o acordo de devolução de Macau, e em 19 de Outubro tivemos a famosa segunda-feira negra nos mercados.
2013 é um número mais bonito, é uma permutação de [0, 1, 2, 3], que não ocorria desde 1320, ano em que em Portugal reinava D. Dinis, um dos últimos portugueses a acreditar na agricultura e a lançar as bases para os séculos de glória que se seguiram. Deste ponto de vista, é mais animador...
E termina em 13, o número do azar para inúmeros povos, desde os Romanos e os Vikings aos Chineses, mas esse talvez seja um mal menor, ou mesmo um prenúncio de sorte!
Por isso, acredito piamente que as singularidades positivas se vão impor e que o próximo 2013 vão ser um ano particularmente favorável, em que vamos reconquistar a independência e começar a traçar o nosso próprio destino. Ou talvez não...

sábado, 29 de dezembro de 2012

Ignited Minds

"I dedicate this book to a child who is studying in class 12. Her name is Snehal Thakkar. On 11 April 2002 when I reached Anand by road in the evening, it was under curfew following communal disturbances. The next day, at the Anandalaya Hugh School, while talking to the students, a question came up: "Who is our enemy?"
There were many answers, but the one we all agreed was correct came from her: "Our enemy is poverty."
It is the root cause of our problems and should be the objectof our fight, not our own."
São as primeiras palavras de um livro cujo título é Ignited Minds, que comprei em 2005, na Índia, e cujo autor é A.P.J. Abdul Kalam, que muitos não conhecerão.


A.P.J. Abdul Kalam é um cientista indiano que, entre 2002 e 2007 serviu como 11º Presidente da Índia. Ouvi-o em duas intervenções dedicadas à aposta da Índia nos jovens, e ao papel dos jovens na construção daquele grande País. É um ser extraordinário, que coloca todo o seu esforço em levar os estudantes e os jovens a acreditar que valerá a pena serem cidadãos de uma India desenvolvida, e que para isso devem ser responsáveis e esclarecidos.
A India é um País imenso, com uma população de 1200 milhões de habitantes, pobre, independente desde 1947, que só um projecto com uma grande força será capaz de transformar numa nação nova e poderosa.
Noutro livro, India 2020: A Vision for the New Millenium, Kalam aponta o caminho do conhecimento para a construção dessa nova super-potência.


Controverso, como sempre é quem se propõe alterar o estabelecido, Kalam continuou depois do final do seu mandato o seu hábito de interagir regularmente com os jovens.
Considero este exemplo fantástico, e penso que em Portugal não será diferente, que o caminho será levar todos os jovens sem emprego, desmotivados, a acreditar neles próprios e a tomar nas suas mãos o seu futuro. Para que imagens como estas desapareçam definitivamente da India, e de Portugal.

From Passagem pela Índia

domingo, 28 de outubro de 2012

Para onde vamos?

Quando prescindimos de produzir dinheiro na Casa da Moeda e aderimos ao Euro, com uma taxa de conversão completamente errada, ainda por cima, ficamos completamente nas mãos de quem tem o dinheiro.
Basicamente, e pondo de parte o método usado por exemplo por Alves dos Reis anos atrás, ou pedimos emprestado ou trabalhamos. E como pedir emprestado nos coloca nas mãos dos nossos credores, a boa solução é mesmo trabalhar, produzir bens e serviços que valham, e transacioná-los.
Parece simples, mas não é. Por duas razões. Quê e quem?
No século XXI, com a desmateralização de uma parte da economia e a deslocalização da outra parte, grande parte dos bens e serviços transacionáveis incorporam informação e conhecimento em grande escala, seja directamente, seja por via indirecta. Um simples produto tradicional, turístico, cultural, gastronómico, só existe se chegar aos consumidores através das redes sociais, da Internet, dos novos espaços públicos onde hoje vivemos e trabalhamos.
Estaremos preparados para este choque? O drama é que não!
E se a única solução é trabalhar, será que a solução é compatível com o nível de desemprego que hoje temos? Será que é sustentável? Obviamente que não, também não!
Mas nada disto se resolve de um dia para o outro! Vai demorar muitos anos, uma geração ou mais. Muitas maratonas. Ao Governo cabe exactamente perceber estes problemas e implementar as medidas que nos permitam percorrer este caminho.

sábado, 20 de outubro de 2012

A hora da verdade

Tem de chegar. Vai chegar. Está a chegar. Chegou!
Dez anos de euro chegaram para mostrar que não há meias soluções, que não se pode viver à europeia e não ser europeu, com tudo o que isso significa.
Nesta Europa, inacabada, desconfiada, querer continuar, indefinidamente, a depender da generosidade dos outros, não é solução, e ainda bem, digo eu!
Percebemos agora que demos cabo de tudo, da agricultura, das pescas, das indústrias tradicionais, em troca de uma miragem traduzida nalguns milhões, que nunca produziram os efeitos prometidos.
Quando Francisco Van Zeller nos diz que um dos entraves aos estaleiros de Viana do Castelo é uma mão-de-obra "muito desatualizada e habituada a maus hábitos" está a pôr o dedo na ferida, está a perguntar como foi possível ignorar durante os últimos 25 anos este problema premente da valorização dos nossos recursos humanos, da sua preparação para o choque violentíssimo de uma nova economia à escala global, como foi possível passar ao lado?
Séculos de caciquismo, de corrupção, de aversão à educação, de uma tragédia a que não podemos fechar mais os olhos, e que os governantes que escolhemos não foram capazes de diagnosticar e, muito menos, resolver, não explicam tudo.
A verdade é que tivemos no governo gente impreparada, mais preocupada em servir-se do que em servir, que enriqueceu, que fez negócios escandalosos, e que não é sequer capaz de reconhecer que errou, que nos conduziu a uma situação insustentável, e que é preciso mudar tudo!
Agora, precisamos de um governo que nos motive a apertar o cinto para atravessar este deserto, quanto mais depressa melhor! Que pare com a hemorragia das PPP. Que adopte as medidas de emergência necessárias para reduzir drasticamente o nível de desemprego. Que não tenha medo de decisões arrojadas. E que nos ponha a trabalhar, trabalhar muito, a estudar, estudar muito, para que nunca mais aconteça!
Mas como? Poderá este sistema regenerar-se? É disso que se trata! É a hora da verdade!

domingo, 14 de outubro de 2012

Políticos de aviário

Portugal é um País com um problema estrutural tremendo, resultado de anos e anos de desprezo pela educação e desenvolvimento cultural, que hoje está na cauda da Europa por exemplo num indicador crítico como é a percentagem da população entre os 25 e os 64 anos com o ensino secundário completo. Vale a pena estudar os números do PISA - OECD Programme for International Students Assessment, para se ter uma ideia da dimensão do problema, que demorará muito tempo a resolver e exigirá um esforço muito grande de todos.
Mas sem esse problema resolvido, não será fácil sermos na Europa um entre iguais, não será fácil resolvermos o problema do desemprego, que gera mais desemprego, que castiga de igual modo os que trabalham e os que não trabalham, uns porque têm de pagar mais impostos e outros porque estão condenados à dependência de um orçamento de Estado cada vez mais exíguo.
Não consigo perceber como políticos sérios são capazes de passar pelas cadeiras do poder sem tremer com este problema, sem colocar este problema no centro de todas as prioridades, sem procurar unir os portugueses em torno de um projecto para uma geração, em prol da educação, da cultura, da cidadania, realizado com o apoio de todos, sem hesitações, com a certeza de que é o único caminho que nos permitirá recuperar a nossa independência.
E também sem encontrar uma resposta de emergência ao problema do desemprego, que devolva às pessoas um sentimento de utilidade que é absolutamente indispensável, nem que seja trabalhando menos, mas trabalhando todos.
O problema está nos políticos que nos "governam", nos quais votamos sem os escolher, por virtude de um sistema político anacrónico, que defende a preponderância dos partidos sobre a sociedade, que gera a indiferença, que abre as portas a soluções autocráticas indesejáveis.
Mas alguma coisa estamos a aprender todos os dias: a necessidade de reformar completamente o nosso sistema poliítico, de livrar este País de políticos de aviário, que se servem, mas que não servem.
Deste ponto de vista, as notícias de hoje são assustadoras.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A indiferença

Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.

(Uma das muitas versões de um sermão de Martin Niemöller, muitas vezes atribuída a Bertolt Brecht)

domingo, 23 de setembro de 2012

Nada mudou!

Um País não são os comentadores políticos, não são os jornalistas, são as pessoas!
Que votam, que escolhem os seus representantes políticos, e que depois não vêem as promessas eleitorais cumpridas, mas sim um País endividado, empobrecido, mal gerido, desorientado, sem uma alternativa de esperança.
São dezenas de anos de erros acumulados, praticados por quem conhecemos, à frente de todos, de nós e dos órgãos que escolhemos para fiscalizar, para investigar, para identificar e julgar quem prevarica.
Ficamos assim nas mãos dos credores, a quem nem sequer podemos dizer que não pagamos, pois no dia seguinte vamos precisar do seu dinheiro outra vez.
Realmente, poder, podemos! Desde que nos libertemos do Euro, fazendo voltar o escudo, ou outra moeda qualquer que não se esgote, que até podia ser o yuan, e que chegue para todos. Perderiam todos os que não têm economias, ou que têm economias no País, que instantâneamente passariam a ganhar menos uns 40% do que ganham hoje, sem dor, possivelmente com uma sensação de enriquecimento, completamente falsa, pois todos os produtos oriundos da zona Euro encareceriam pelo menos esses mesmos 40%.
Se não é isso que queremos, então nada mudou!
Continua a ser preciso equilibrar o orçamento tão depressa quanto possível, apostar na educação, mudar mentalidades, ajudar as empresas mais preparadas a virar-se para a exportação, atrair investimento estrangeiro, reduzir os encargos da dívida, reduzir as rendas das PPP com a mesma coragem com que se reduziram salários e pensões, definir um pacote fiscal justo, explicá-lo, e vêrmo-nos livres da Troika, de uma vez por todas.
Mas só uma equipa governamental forte, com uma visão estratégica do País real, que lidere, que tenha o apoio dos eleitores, que ouça, que seja eticamente irrepreensível, que fique ao lado dos mais fracos, poderá ter êxito.
Em homenagem a um povo que numa geração foi ao Inferno e voltou, deixo aqui uma recordação de uma visita recente que fiz a Berlim

From Berlin 2012

em que se vê, à esquerda, o antigo parlamento, com a cúpula de vidro de Frank Lloyd Wright, e à direita, o novo parlamento, unindo simbolicamente as duas margens do Spree, que aqui dividia Berlim. Só aqui, sete berlinenses perderam a vida ao tentar escapar a nado para o lado ocidental.
Aqui sim, tudo mudou.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A diferença, sente-se

Aqueles quase quatro anos que vivemos em Inglaterra proporcionaram-nos experiências únicas, umas grandes, outras insignificantes, mas sempre marcadas por aquele espírito Inglês que só quem lá viveu tempo suficiente consegue compreender.
Um belo domingo, finais de 1977, fui até à cabine telefónica telefonar para os meus Pais (era assim...), introduzi uma moeda de 10 p, marquei o número, alguém atendeu, a moeda entrou no depósito, e a chamada caiu! Bolas! Outra vez. Introduzi outra moeda, repeti tudo, e a chamada caiu novamente! Liguei para o operador. Sim, era um operador, verdadeiro, que falava conosco, e que ouviu a minha reclamação. Pediu desculpa pelo sucedido, perguntou-me se lhe poderia facultar o meu nome e morada, disse-lhe o número para que pretendia ligar, fez a ligação e falei, sem moedas, o tempo que quis. Por mim, não esperava mais nada.
E muito menos que, dois dias depois, na minha caixa do correio, estivesse uma carta da companhia dos telefones, com um pedido de desculpa e 20 p em selos do correio, o valor das duas moedas de 10 p que a máquina tinha engolido.
É a diferença.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Economia?

A União Europeia e os seus 500 milhões de habitantes constituem um sistema verdadeiramente complexo, governando pelas decisões individuais de 500 milhões de decisores mais ou menos autónomos.
Neste sistema, as pequenas decisões de cada um - comprar ou não o jornal, ir ou não ao restaurante, comprar ou vender acções, trocar de carro - quando multiplicadas por milhões podem ter efeitos catastróficos no colectivo.
Se todos nós, por exemplo, por desconfiança ou medo do futuro, decidirmos trocar o carro todos os 6 anos, em vez de todos os 4 anos, vamos necessitar de muito menos carros novos para os substituir, como certamente a senhora Merkel e o senhor Sarkozy já andam a descobrir!
O problema está em que os decisores, nós, cada um de nós, têm as suas crenças, desejos e intenções individuais, não homogéneas, e não têm uma consciência clara da complexidade do sistema, pelo que agem de acordo com impulsos momentãneos, com grande probabilidade de gerar um comportamento caótico.
Experimentemos colocar 22 pessoas e uma bola num campo de futebol sem lhes dizermos qual é o jogo nem as regras. Que acontece? Absolutamente imprevisível!
Sem uma consciência do colectivo e dos fins e objectivos individuais e globais, sem um conhecimento partilhado das possíveis implicações de cada decisão, sem o reconhecimento das esferas de decisão de cada um, de cada região, de cada País, sem uma noção de que há uma variável rígida chamada tempo, não podemos jogar nenhum jogo.
E nomeadamente porque há hoje grupos económicos e grupos de pressão fortíssimos, uma comunicação social influente, regras económicas complexas para o decisor comum, pessoas e empresas prontas a arrecadar muito e muito dinheiro através de avaliações de risco totalmente infundadas, através do desvio de dinheiro para paraísos fiscais, ou através da especulação descarada.
É aqui que os governos devem funcionar. Criar as condições para que o todo funcione, o que só acontece se todas as partes funcionarem. Saber que serviços queremos que o Estado nos preste e quanto estamos dispostos a pagar por isso. Gerir o orçamento com rigor. Defender os mais fracos.
Sim, que os fortes não precisam de quem os defenda!

sábado, 13 de agosto de 2011

Chegou a hora de mudar!

Estamos em mudança! Nós. Em Portugal. No Mundo. Basta ver como aceitamos a necessidade de medidas duras e difíceis. Como olhamos para essas medidas como parte do "castigo" pelos exageros que todos cometemos, e muitos continuamos a cometer.
Mas o Mundo ainda não se auto-governa. A lei do mais forte não serve. E precisamos de olhar para os que ainda não compreendem que esta cultura do receber sem dar, dos direitos sem deveres, do culto das "celebridades", dos jogos que exploram as fraquezas de alguns, do short selling, dos paraísos fiscais, das obras faraónicas, do curto prazo, não leva a lado nenhum.
Hoje, felizmente, começa a haver sinais de que estamos a olhar para estes problemas com outros olhos. Basta olhar para meia dúzia de canais de TV ou de jornais internacionais para percebermos isso.
Temos que perceber o que queremos do Estado, do governo, da Europa, como recompensamos os mais empreendedores, como garantimos uma vida digna aos menos capazes, e quanto estamos dispostos a pagar por isso.
O caminho é naturalmente estreito, cheio de dificuldades. Só que não há alternativa.
Chegou a hora de mudar!

domingo, 10 de julho de 2011

Malditas agências de rating

Mas que é isto? Somos governados pelas agências de rating? São esses tecnocratas desenraízados que se sentam nas secretárias dos gabinetes da Moody's, da Fitch ou da Standard & Poor's que ditam o modo como vamos viver nos tempos mais próximos? Mas que sabem elas de nós, da nossa história, da nossa identidade, do nosso modo de viver? Nada! Nada! Nada!
Sabem fazer contas e emitir opiniões. Sobre as empresas, as instituições, os Estados que as contratam! Que as contratam... E nós contratamo-las para elas emitirem aquelas opiniões sobre nós. Que mal agradecidos!
E porque é que as contratámos, ao fim e ao cabo?
Pela simples razão de que as entidades que nos emprestam dinheiro exigem que nós exibamos um rating "decente" avaliado por uma ou mais agências de uma short list qualquer, e elas lá estão! Apesar do histórico de avaliações erradas...
Embora o nosso downgrading pela Moody's não seja definitivamente uma avaliação errada! Ou achamos que se cumprirmos os acordos, se emagrecermos como nos estão a pedir, algum dia conseguiremos inverter a situação, pagar a dívida monstruosa e "voltar aos mercados"?
Ninguém acredita!
Todos sabemos, há muito tempo, desde a negociação incompleta para a entrada no Euro, que a construção da Europa ficou a aguardar melhores dias, e que é isso que estamos a pagar.
Felizmente, parece que agora os políticos europeus começam a descobrir que a solução do problema está nas mãos deles! Que há outras maneiras de ver a Europa. Que não estamos condenados a viver todos de forma igual. Que todos os países têm as suas riquezas. Que talvez se possa viver em harmonia numa Europa menos obcecada pelo dinheiro.
Ainda vamos agradecer à Moody's...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Confesso...

Confesso que resolvi deixar de obedecer a uma ordem que me foi dada expressamente por um elemento da brigada de trânsito da GNR.
Ia eu há uns tempos para Braga, na A3, na faixa mais à direita, descontando aquela faixa estreitinha, na antiga berma, para veículos lentos (pensava eu), um pouco antes da saída para Cruz, quando notei no meu espelho retrovisor que um carro da GNR se aproximava a grande velocidade, exactamente nessa faixa.
Suspeitei que me ia ultrapassar mesmo por ali, mas não. Passou para a faixa à minha esquerda, colocou-se ao meu lado, fiz de conta que não vi nada, acelerou, passou outra vez para a faixa estreitinha e, surpresa, mostrou-me uma mensagem clara num display luminoso que transportava: CIRCULAR PELA DIREITA!
Wow! Lá fui para a faixa indicada, fiz-lhe um gesto com o polegar, e foi à vida.
E assim passei a fazer, e a notar que outros devem ter recebido a mesma reprimenda, dado o aumento de frequentadores da berma. Apesar dos perigos.
Sim. Porque logo a seguir à saída para Cruz, numa curva, a berma recupera a velha função de faixa de aceleração para os carros que entram, muito devagarinho, naquilo que pensam ser mesmo uma faixa de aceleração. Loucura!
Como gosto de antecipar as coisas, ao chegar ao local verifico sempre se a faixa ao meu lado está livre, pois poderei precisar dela, e assim aconteceu ontem. Só não bati na traseira de um inocente que entrava calmamente na A3 porquê tinha espaço para me desviar. Mas podia não ter!
E portanto, por uma questão de segurança, passei a desobedecer àquela ordem.
Estou à espera de novo aviso...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Estamos feitos!

Os nossos "políticos" (não consigo escrever sem aspas) que deram cabo das nossas finanças e do nosso País, que não cuidaram do que deviam, na educação, na saúde, na justiça, e em vez disso gastaram o que tínhamos e o que não tínhamos em obras de luxo, nas auto-estradas, nas escolas da Parque Escolar, no TGV, no novo aeroporto, nas PPP nos hospitais, e acumularam dívidas na saúde, nas empresas de transporte, nos bancos, nas offshore, fechando os olhos aos negócios mais escandalosos, e dizimando os dinheiros públicos, chegaram a um bêco sem saída.
E o problema é que não têm mesmo saída! O País não tem saída! Não temos recursos humanos que possam alimentar um ressurgimento da nossa economia, não os há, as pessoas foram enganadas pelas Novas Oportunidades, faltam-nos empresários, e na melhor das hipóteses acontece-nos o mesmo que à Grécia. Aguentamos um ou dois anos, e resignamos.
Há que reconhecer que não é por aqui, que é preciso criar actividade económica, exportar (ou substituir importações), que é preciso debater ideias, entre nós e com os nossos parceiros, mudar o clima, atraír investidores. Como seria bom em vez da "ajuda" termos 78 mil milhões de investimento, realizado por gente interessada em ganhar dinheiro, e por essa via criar actividade, reduzir o desemprego, aumentar as exportações.
O problema está em como chegar aí, em como mudar o paradigma, ter ideias claras, arregaçar as mangas e criar a motivação para uma mobilização nacional que vença este marasmo a que hoje assistimos. Fazer em 3 anos o que não fizemos em 15 ou 20!
Mas se queremos estar na Europa, é este o caminho.