segunda-feira, 6 de outubro de 2008

População que viveu desde sempre

Sei que o mundo é habitado por aproximadamente 6 700 milhões de seres humanos, mas não tinha ideia de quantos seres humanos terão vivido desde sempre. As fontes de informação que consultei (comecei aqui) levam-me a acreditar que este mundo em que vivemos é um legado de uns 100 000 milhões de seres humanos, cujas contribuições individuais no pequeno período de tempo em que cada um viveu permitiram criar todo o nosso conhecimento colectivo e construir a sociedade actual tal como a conhecemos.
Esta história terá começado há cerca de 200 000 anos, e pensa-se que há cerca de 70 000 anos enormes vicissitudes ameaçaram a população existente, que terá então ficado reduzida a qualquer coisa como 2000 seres, num último reduto algures em África. 10 000 anos depois, a população começou a crescer rapidamente e a expandir-se, assinalando o fim da Idade da Pedra.
A actividade humana esgota-se em duas frentes, a criação do conhecimento e a construção da sociedade. O ciclo de vida individual - nascimento, acasalamento, reprodução, morte - é o verdadeiro segredo da vida e o motor de toda essa actividade.
E vale a pena pensar como tudo isso se processará. Se e como poderá cada um contribuir. Sabemos? Pensamos?
Mas nada me espanta mais do que a comparação daqueles 100 000 milhões com os 700 000 milhões de dólares que o plano Paulsen prevê que serão necessários para começar a corrigir as asneiras realizadas por um pequeno número de aprendizes de financeiros. Nada mais nada menos que 7 dólares por cada um dos seres humanos que nos últimos 200 000 anos viveu à superfície da Terra!
Tenhamos juízo!

domingo, 28 de setembro de 2008

A Ética e a lei: Pequenos favores

Vasco Pulido Valente diz exactamente o que deve ser dito sobre este modo bem português de fazer batota. É no Público de hoje.
Transcrevo parte, à boleia do 4R - Quarta República:

Pequenos favores

Por mais que se mude, não se mudam os portugueses. Vem isto a propósito do novo "escândalo" da Câmara de Lisboa. Parece que, desde o começo do regime, a Câmara de Lisboa resolveu (por razões que excedem o entendimento) "atribuir" casas a quem lhe apetece. Até agora já "atribuiu" 3.200 com uma renda média de 35 euros. Pedro Feist, vereador de Aquilino Ribeiro Machado a Carmona Rodrigues, não vê nada de extraordinário nisto: é uma "realidade histórica", explica ele, como se a duração do abuso o justificasse. Ele mesmo "meteu uma cunha" ao "seu colega da habitação" para um motorista que murava na Curraleira e acha a coisa "perfeitamente humana". Toda a gente, de resto, fazia o mesmo, com a mais tranquila consciência. A título de caridade oficial ou particular.
(...)
De qualquer maneira o que espanta neste episódio é inocência da autoridade. Uma inocência genuína e profunda. Que um funcionário (eleito ou não eleito) distribua como quem distribui uma mercê propriedade da câmara, ou seja, do contribuinte, não perturba a cabeça de ninguém. Então um favorzinho, que não custa nada, é agora um crime? Os portugueses sempre se trataram assim: com um "jeitinho" aqui em troca de um "jeitinho" ali. E a administração do Estado fervilha de grupinhos de influência e de pressão que promovem, despromovem, transferem e demitem - e vão, muito respeitosamente, ganhando o seu dinheirinho por fora, com uma assinatura e um carimbo. Ética de serviços? Quem ouviu falar nisso?

Eu estou farto de ouvir e de ver. Obrigado, VPV.

Se não fosse esta certeza

From Portugal

Se não fosse esta certeza

que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.

Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.

Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

António Gedeão

sábado, 27 de setembro de 2008

La Biennale di Venezia

A Representação Oficial Portuguesa na 11ª Exposição Internacional de Arquitectura La Biennale di Venezia, a  cargo de Eduardo Souto de Moura e Ângelo de Sousa, surpreende. A Biennale organiza exposições multidisciplinares nos sectores da Arquitectura, Arte, Cinema, Dança, Música e Teatro, e este ano o tema da exposição de Arquitectura é Out There: Architecture beyond Building.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Y Dreams

Ouvir o António Câmara numa sessão organizada à volta de uma mesa, em que ele escolhe os temas de que fala, é uma experiência inesquecível. A Y Dreams é uma empresa notável, que cria experiências interactivas e produtos baseados em tecnologias e design avançados. No canal Y Dreams no Youtube, podem encontrar-se inúmeros vídeos que o atestam.
Aconteceu hoje, na ANOP, em Santa Maria da Feira. Obrigado, Carlos. Obrigado, ANOP.

domingo, 21 de setembro de 2008

Liga dos Últimos

Não gosto muito da nossa televisão. Mas gosto da Liga dos Últimos. E não sou o único.

From Portugal

Trancrevo um artigo do Francisco Moita Flores na TV Guia nº 1547:

Liga dos Últimos

Não me apetece falar de crimes, nem de violência, nem de polícias. Existem momentos de TV em que a vida pára, em que a ternura emerge, em que a lágrima ou a gargalhada brotam sem que outra razão exista que não seja ver televisão.
Passa na RTP, a várias horas e em vários canais. A Liga dos Últimos, liderada por Álvaro Costa e Hernâni Gonçalves, é uma lição de vida, de festa, de compreensão de um país, o país dos últimos, afinal, o país que somos, sempre em último nos índices de desenvolvimento europeu.
A pretexto do futebol, de jogos das últimas divisões, os seus autores têm o talento de revelar um mundo que não é rosa, nem cabe nas revistas cor-de-rosa, feito de bifanas, paixões e desgarradas. Um país imenso que se descobre na carolice, um país do desenrasca, uma multidão de sonhos vividos como quimeras nos campos pelados, rodeados de bebedeiras, discussões e pobreza. Um país que não é notícia, nem primeira página, que não entra em galas e não sabe, porque lhe é indiferente, o tamanho do mundo. Um país que sobrevive, que transforma a espontaneidade num milagre de vida, desdentado, com projectos que não vão para além do limite da sua rua.
A Liga dos Últimos é uma incursão por um país tão real, que não conhece as Novas Oportunidades, que já ouviu falar vagamente da União Europeia, a quem o talento dos seus criadores e repórteres e a maestria de Álvaro Costa e Hernâni Gonçalves entrega mais doçura e nos deixa na permanente hesitação sobre se não somos todos nós que por ali passamos, umas vezes à canelada, outras vezes de braço dado.
Não é um momento de televisão sobre aqueles que vivem, mas sobre aqueles que sobrevivem. Em que o dirigismo desportivo não tem dinheiro, em que os árbitros não têm razão para serem corrompidos, onde a pureza das intenções vai muito para além da impureza do pó e do álcool, das interpretações e comentários. Então, o Prémio Capitão Moura é impagável e, quando se percebe que está a chegar ao fim, nasce um sentimento de saudade, de desejo que não acabe, e não sabemos se havemos de rir, se havemos de chorar, e chegam-me aos sentidos os sinos de Hemingway quando a ficha técnica encerra aquele tempo de tanto prazer e desprazer, que não perguntarei por quem os sinos dobram. Eles dobram por nós.

Francisco Moita Flores

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Iasi

Este é o meu amigo Dorin Dumitrache a comprar vegetais num mercado a caminho de Moldovita, no norte da Roménia, mesmo junto à Ucrânia.

From Romania

Estive na Universidade de Iasi em Maio de 2005, e conhecer a família do Dorin que mora na região dos mosteiros de Santo Estevão foi uma experiência inesquecível.

From Romania

A força destes símbolos é fantástica.