Perante a mesma situação de trabalho e remuneração encontro muitas vezes estes dois comportamentos distintos: aqueles que dizem 'porque hei-de trabalhar mais ou melhor, se ganho tão pouco?' e os outros que pensam 'só há uma forma de ganhar mais, que é trabalhar melhor!'.
Os primeiros, infelizmente parece que em maioria, não são os empreendedores, não são os que querem ter a vida nas suas próprias mãos, os que acreditam nas suas capacidades, são os resignados, os condenados a permanecer na situação em que se encontram, os que se vão queixando de tudo, menos deles próprios, e um encargo terrível para a sociedade.
E se há razões sociais e culturais para estes dois comportamentos, é muito triste que tão pouco se tenha feito para alterar esta situação. Em Portugal, no século XXI, 34 anos depois do 25 de Abril, 22 anos depois da entrada na União Europeia, com milhares de milhões de euros gastos na formação dos Portugueses, esta situação é completamente inaceitável.
Há competências básicas, para além do português e da matemática, das ciências e das tecnologias, que são absolutamente indispensáveis: de exigência democrática, de comunicação, de gestão, de convívio com a incerteza, e fundamentalmente de decisão relativamente ao percurso de vida.
Se cada um de nós, nos seus sítios, não se cansar de o reclamar, talvez um dia lá cheguemos...
domingo, 23 de novembro de 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Preços dos combustíveis
Um fim de semana em Madrid permite ver de uma só vez todas as diferenças entre nós e eles.
Sendo dois países tão próximos, sendo tão simples e facilitada a comunicação entre os dois povos, são surpreendentes essas diferenças: na rua, nos gestos, no ruído, na oferta cultural e de espectáculos, nos restaurantes, nas lojas, na disciplina, nas relações com a autoridade, e na autonomia pessoal, na capacidade de cada um tomar as suas decisões de uma forma autónoma.
Depois, há o preço dos combustíveis
Não é fácil perceber porquê estas diferenças substanciais.
E por outro lado, lá pode adquirir-se BioDiesel!
Sendo dois países tão próximos, sendo tão simples e facilitada a comunicação entre os dois povos, são surpreendentes essas diferenças: na rua, nos gestos, no ruído, na oferta cultural e de espectáculos, nos restaurantes, nas lojas, na disciplina, nas relações com a autoridade, e na autonomia pessoal, na capacidade de cada um tomar as suas decisões de uma forma autónoma.
Depois, há o preço dos combustíveis
| From España |
E por outro lado, lá pode adquirir-se BioDiesel!
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Maus gestores
O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Mariano Gago, admitiu hoje que existem maus gestores nas universidades públicas. Eu tenho a certeza.
Na minha óptica, gestão implica uma visão estratégica, objectivos, e depois conceber planos de acção, executar e avaliar. Consumindo recursos, naturalmente. Que são escassos, naturalmente. E vêm dos nossos bolsos, obviamente.
O que se espera dos gestores é que consigam o máximo consumindo o mínimo. É isso que todos fazemos em nossas casas. Reduzindo os desperdícios. Sendo mais eficientes. Mais criativos.
Ainda estamos muito longe.
Na minha óptica, gestão implica uma visão estratégica, objectivos, e depois conceber planos de acção, executar e avaliar. Consumindo recursos, naturalmente. Que são escassos, naturalmente. E vêm dos nossos bolsos, obviamente.
O que se espera dos gestores é que consigam o máximo consumindo o mínimo. É isso que todos fazemos em nossas casas. Reduzindo os desperdícios. Sendo mais eficientes. Mais criativos.
Ainda estamos muito longe.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Bucareste
Voltei a Bucareste.
Cidade difícil, grande, imensa, caótica, europeia, asiática, feia, bonita, quente, mesmo hoje, e fria, de gente perdida, os preços em euros e o novo léu no bolso.
Atrai-me muito, andar sozinho, vir do aeroporto no 783, os engarrafamentos monumentais, os anúncios LENA Construções (andam por aqui), os pisos péssimos, o lixo, e a monumentalidade, estranha.
E as pessoas, mistura, onde estamos? Ali a Turquia, Grécia em baixo, Roma do outro lado, a Hungria, a Ucrânia, encruzilhada terrível...
Gosto por isso mesmo. De nada em especial, mas de pensar onde estou, e o que já passou por aqui. Tudo e todos. De cá para lá e de lá para cá.
E os meus amigos.
Cidade difícil, grande, imensa, caótica, europeia, asiática, feia, bonita, quente, mesmo hoje, e fria, de gente perdida, os preços em euros e o novo léu no bolso.
| From Romania |
| From Romania |
Gosto por isso mesmo. De nada em especial, mas de pensar onde estou, e o que já passou por aqui. Tudo e todos. De cá para lá e de lá para cá.
E os meus amigos.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
O Cisne Negro
Imagine-se uma ameaça com alguma probabilidade de se concretizar. O Homem irá certamente trabalhar para conseguir um antídoto eficaz, e essa ameaça não se concretizará nunca. Então, pode-se concluir que uma ameaça absolutamente improvável tem o caminho mais facilitado, porque ninguém se preocupará em travá-la!
Imagine-se que alguém tinha admitido a possibilidade de ataques a edifícios altos com aviões comerciais, tinha encontrado um antídoto (um escudo invisível), e tinha conseguido proteger as torres gémeas antes do 11 de Setembro. Este alguém não seria possivelmente conhecido por ter salvo as torres gémeas. Passaria desapercebido.
São questões como estas que levaram Nassim Nicholas Taleb a escrever The Black Swan - The Impact of the Highly Improbable, e outros livros.
Leitura altamente recomendável....
Imagine-se que alguém tinha admitido a possibilidade de ataques a edifícios altos com aviões comerciais, tinha encontrado um antídoto (um escudo invisível), e tinha conseguido proteger as torres gémeas antes do 11 de Setembro. Este alguém não seria possivelmente conhecido por ter salvo as torres gémeas. Passaria desapercebido.
São questões como estas que levaram Nassim Nicholas Taleb a escrever The Black Swan - The Impact of the Highly Improbable, e outros livros.
Leitura altamente recomendável....
domingo, 26 de outubro de 2008
O que se pode fazer em 38 anos
Comemorei ontem 38 anos de licenciatura, ocasião para recordar esses 38 anos. Ou alguns mais.
A escola primária 33A, ali nas Antas, o Liceu Nacional de Alexandre Herculano, e a Universidade do Porto, 3 anos na Faculdade de Ciências mais 3 anos na Faculdade de Engenharia (último curso de 6 anos). Professores à moda antiga na Faculdade de Ciências, Jayme Rios de Souza, Arala Chaves, Pires de Carvalho, Moreira Araújo, Cipião de Carvalho, Miranda, e Engenharia à moda antiga na Faculdade de Engenharia. Uma guerra com o Ministro da Educação da época (Veiga Simão) e uma reforma curricular arrancada a ferros. Em pleno 1970!
Depois o ensino e a investigação. No sub-grupo C (Correntes Fracas) do 6º grupo da Faculdade de Engenharia e no projecto Análise e Síntese de Sistemas Lógicos, Analógicos e de Informação do Instituto de Alta Cultura (depois, INIC - Instituto Nacional de Investigação Científica). Um doutoramento para fazer e uma guerra em África à espera.
As contradições e as inevitáveis rupturas. Doutoramento, como? E a Assembleia dos Assistentes da Faculdade de Engenharia, para uma nova esperança. E subitamente, Abril de 1974. Conselho Directivo Provisório da Faculdade de Engenharia. Director do Departamento de Engenharia Electrotécnica. Doutoramento, quando?
Setembro de 1977, Universidade do Sussex. Até Abril de 1981.
Regresso, a um País em mudança, à procura de um destino, como sempre. Uma experiência no mundo empresarial, na engenharia biomédica. E em 1986, Portugal na CEE. Hora dos projectos europeus. CNMA - Communications Networks for Manufacturing Applications, o primeiro. Em 1992, CCP - Centro de CIM do Porto, o maior.
Presidência do CCP em 1995. Agregação em 1998. Direcção do IDIT em 2000. Avaliação de projectos: JNICT, AdI, Comissão Europeia, INTAS, governo da Roménia. E agora o DEI - Departamento de Engenharia Informática. Mais desafios.
(e não é que até já tenho direito à reforma?)
A escola primária 33A, ali nas Antas, o Liceu Nacional de Alexandre Herculano, e a Universidade do Porto, 3 anos na Faculdade de Ciências mais 3 anos na Faculdade de Engenharia (último curso de 6 anos). Professores à moda antiga na Faculdade de Ciências, Jayme Rios de Souza, Arala Chaves, Pires de Carvalho, Moreira Araújo, Cipião de Carvalho, Miranda, e Engenharia à moda antiga na Faculdade de Engenharia. Uma guerra com o Ministro da Educação da época (Veiga Simão) e uma reforma curricular arrancada a ferros. Em pleno 1970!
Depois o ensino e a investigação. No sub-grupo C (Correntes Fracas) do 6º grupo da Faculdade de Engenharia e no projecto Análise e Síntese de Sistemas Lógicos, Analógicos e de Informação do Instituto de Alta Cultura (depois, INIC - Instituto Nacional de Investigação Científica). Um doutoramento para fazer e uma guerra em África à espera.
As contradições e as inevitáveis rupturas. Doutoramento, como? E a Assembleia dos Assistentes da Faculdade de Engenharia, para uma nova esperança. E subitamente, Abril de 1974. Conselho Directivo Provisório da Faculdade de Engenharia. Director do Departamento de Engenharia Electrotécnica. Doutoramento, quando?
Setembro de 1977, Universidade do Sussex. Até Abril de 1981.
Regresso, a um País em mudança, à procura de um destino, como sempre. Uma experiência no mundo empresarial, na engenharia biomédica. E em 1986, Portugal na CEE. Hora dos projectos europeus. CNMA - Communications Networks for Manufacturing Applications, o primeiro. Em 1992, CCP - Centro de CIM do Porto, o maior.
Presidência do CCP em 1995. Agregação em 1998. Direcção do IDIT em 2000. Avaliação de projectos: JNICT, AdI, Comissão Europeia, INTAS, governo da Roménia. E agora o DEI - Departamento de Engenharia Informática. Mais desafios.
(e não é que até já tenho direito à reforma?)
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Já nada é como dantes!
Lá se foi o dogma! O teorema da amostragem de Shannon, a frequência de Nyquist, tudo aquilo em que acreditamos durante tanto tempo (eu já explico) afinal não serão verdades absolutas. Vem um tal Emmanuel Candès, e estraga tudo!
A ideia de que para ser representado sem erro um sinal deve ser amostrado a uma frequência pelo menos dupla da sua frequência máxima foi posta em causa. E realmente convenhamos: a que propósito nos esforçamos para amostrar um sinal de áudio a 44100 amostras por segundo, o que origina que, por exemplo, uma faixa de música de 3 minutos, 2 canais, 16 bits por amostra, ocupe qualquer coisa como 180x2x44100x2 bytes, ou seja, uns 32 MB, para depois deitarmos fora 90% dessa informação e ficarmos com um ficheiro mp3 de 3 MB com a mesma qualidade musical?
Aparentemente, estavamos a jogar demasiado pelo seguro: a habilidade consiste em fazer o mesmo usando menos dados, desperdiçando menos. Óbvio!
É este o problema de hoje. Menos força bruta e mais inteligência! Conhecimento. Estava-se mesmo a ver, não é?
A ideia de que para ser representado sem erro um sinal deve ser amostrado a uma frequência pelo menos dupla da sua frequência máxima foi posta em causa. E realmente convenhamos: a que propósito nos esforçamos para amostrar um sinal de áudio a 44100 amostras por segundo, o que origina que, por exemplo, uma faixa de música de 3 minutos, 2 canais, 16 bits por amostra, ocupe qualquer coisa como 180x2x44100x2 bytes, ou seja, uns 32 MB, para depois deitarmos fora 90% dessa informação e ficarmos com um ficheiro mp3 de 3 MB com a mesma qualidade musical?
Aparentemente, estavamos a jogar demasiado pelo seguro: a habilidade consiste em fazer o mesmo usando menos dados, desperdiçando menos. Óbvio!
É este o problema de hoje. Menos força bruta e mais inteligência! Conhecimento. Estava-se mesmo a ver, não é?
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