sábado, 1 de agosto de 2009

Esperar para ver?

Pois é!
Vêm aí as eleições legislativas e não se vêem nenhumas perspectivas de mudança.
Com estes protagonistas e com este sistema eleitoral, que é que nos espera?
Se nenhum partido vai ter maioria absoluta, se um governo maioritário, que teria de ser à esquerda, é impossível, se não se vê quem possa governar em minoria, e se um governo fora dos partidos parece condenado à partida, que é que nos espera?
Esperar para ver?

domingo, 26 de julho de 2009

(Des)orientação

O PS conseguiu | permitiu | quis que saltasse para a discussão pública a orientação sexual de um determinado candidato a deputado.
Acho isto muito estranho.
E acho também estranho que as orientações sexuais dos restantes 224 (ou 449, se se incluírem os suplentes) não sejam reveladas. Interrogo-me. Será que o PS pensa que os outros são pouco interessantes deste ponto de vista, por serem "normais"? Será que os outros têm algo a "esconder"? Será exploração pura e simples?
Claro que certos jornais, com o Público à frente, amplificam estas situações e vão procurar obter o máximo de dividendos. Desorientação.

sábado, 11 de julho de 2009

Lusofonia

Peço desculpa pela ignorância.
Não é que são doze os países representados nos segundos jogos da Lusofonia! Enquanto que na Comunidade de Países de Língua Portuguesa não passam de oito...

Aves atacam aviões

O avião que ia fazer hoje a ligação Porto Caracas foi atacado por aves...
Estou a imaginar. As aves, a preparar o ataque. A organizar o exército. Ali, escondidas atrás dos hangares do Francisco Sá Carneiro. E o avião, completamente indefeso, na sua inocência. Sem imaginar o que o esperava.
Será que as aves já não têm respeito por quem voa?

Bem...

Este episódio recorda-me um outro, que vivi em 17 de Maio de 1980, quando estava em Brighton.
Na praia, junto ao Pier, houve um festival aéreo em que uma das atracções eram os famosos Red Arrows. Numa daquelas passagens mais acrobáticas, quatro de cada lado, uns com fumos azuis e outros com fumos vermelhos, qual Porto Benfica, rodando 90º para se cruzarem intercalados, a ponta da asa de um dos aviões, o do comandante da esquadra, toca no mastro de um pequeno iate que estava ali mesmo, ao lado do Pier, à frente do meu nariz.

Percebemos que alguma coisa se tinha passado. O ruído acalmou. Os Red Arrows desapareceram momentâneamente, e algum tempo depois alguém chega de para-quedas. O piloto que se tinha ejectado! E lá se foi mais um Hawk T.1.

Claro que o proprietário do iate foi massacrado por toda a imprensa nos dias seguintes, pela sua imprudência. Mas lembraria ao diabo que um pequeno mastro de um pequeno iate, no seu meio próprio, poderia derrubar um avião daqueles?...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

E será que sabemos usar esta nova linguagem?

Comunica-se por palavras, por gestos, por imagens, e agora por cliques. Clico para dizer que vi, para dizer que apoio, para dizer que estou solidário. Clicar é fácil.

Clico para abrir uma porta e clico para a fechar. Mas abrir uma porta não é o mesmo que dar a alguém a chave dessa porta, apesar de muitas vezes confundirmos os dois gestos. E em regra só notamos isso quando a porta subitamente se nos fecha.

Que terá acontecido? Foi inadvertidamente? Foi deliberado? E porquê? Deixei de merecer confiança? Tudo por causa dum clique. Duma permissão que se cancela.

E agora que faço? Nada? Mas não seria só um teste à minha atenção? E o que deveria fazer não seria mesmo perguntar? Ou será uma vontade de fechar um espaço? (todos temos direito aos nossos espaços fechados) Que se deve respeitar sem mais questões.

Não sei. Fica dito.
Se um dia me acontecer, publico uma mensagem como esta.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Onde está a nossa identidade?

Nós gostamos desta nova forma de interacção entre pessoas utilizando as TIC.
Criamos uma conta de e-mail, ou quantas quisermos, e temos os instrumentos para nos registarmos nos mais diversos sites de interacção social. Ter uma conta de e-mail é quase como ter um endereço físico, rua e número, cidade e código postal. Ter várias contas, então, é meio caminho andado para criarmos e manejarmos múltiplas identidades digitais.

Pode ser bom, e pode ser mau!
Aconteceu-me no Ning. Na maioria das redes que aí frequento o meu e-mail é o fjr@fe.up.pt, mas numa sou o frestivo@gmail.com. Fui convidado através deste endereço e assim ficou. Só que agora não consigo convencer o Ning que estes dois endereços pertencem a uma mesma pessoa, eu! São dois avatares distintos. Cada um vê o outro como isso mesmo, outro.

Tentei sorrateiramente registar-me com o outro endereço na segunda rede que mencionei. O mesmo nome, a mesma foto, ninguém deu por nada. Fiz um dos meus eus amigo do outro eu. Tudo bem. Há lá dois avatares com o mesmo nome, com a minha cara, amigos um do outro, e não sei como dizer que sou sempre eu!

Posso matar um. Posso mesmo matar os dois. Mas mais nada. Alterar um e-mail é que não. Só me resta a figura triste de apagar o que não quero, perder todos os amigos que ele fez, e o outro voltar a convidar os mesmos amigos. Se me virem numa cena destas, já sabem porquê.

Onde está então a nossa identidade?

domingo, 21 de junho de 2009

A perenidade do imaterial

Na 4ª CISTI - Conferência Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, o meu amigo António Dias de Figueiredo falou da Geração 2.0 e os Novos Saberes.
No diálogo que se gerou fez-se muita luz sobre a questão da literacia digital, e deixo aqui uma visão sobre esta questão resultante em parte desse diálogo.

Normalmente, entende-se por literacia a capacidade de um indivíduo produzir, compreender e usar informação escrita em material impresso, saberes considerados indispensáveis ao seu desenvolvimento pessoal e participação social. De acordo.
E sabe-se que ao longo dos tempos o suporte da informação escrita tem evoluído de uma forma dramática, desde a pedra, a madeira, o papiro e o pergaminho, ao papel e aos suportes digitais.

A grande (r) evolução introduzida pelos suportes digitais, pela desmaterialização da informação, pela existência da internet, pelo acesso facilitado da casa de cada um ou do seu terminal móvel aos documentos digitais alojados em servidores em qualquer parte do mundo, tudo mudou.
E mudou no sentido mais inesperado, não facilitando a nossa vida, mas antes criando a necessidade de novos saberes que tardamos em adquirir.

No tempo em que escrevíamos em papel, ou no nosso próprio computador pessoal, estava nas nossas mãos eliminar, difundir, reproduzir essa informação. Quantas notas tem cada um de nós em casa que nunca publicou? Muitas, claro. Alguém as conhece? Muito provavelmente não. E podem ser utilizadas nomeadamente contra nós? Não.

E hoje? Imagine-se este post. Depois de publicado, ficará guardado num servidor que eu não faço ideia onde fica, será copiado por quem o quiser, e se eu quiser alterar o seu conteúdo, ou mesmo apagá-lo, poderei eventualmente fazê-lo relativamente ao documento alojado nesse servidor. E relativamente a essas cópias? Não. Impossível.

Deixamos um rasto na internet. Um rasto muito complexo, que as nossas interacções criam, que os utilizadores da internet ampliam, e que os motores de busca registam e muito dificilmente esquecem. Uma simples pesquisa sobre o que o Google saberá de nós próprios certamente nos deixará assustados...

E se pensarmos que dentro de pouco tempo, se não já hoje, o nosso perfil de utilização da internet, se temos ou não um blog, como usamos a nossa conta no Facebook ou no Twitter, valerá mais do que o nosso próprio CV, é fácil vermos qual é o problema. Estamos a mover-nos no desconhecido, a escrever em suportes que não conhecemos, para leitores que não imaginamos, que utilizarão esses nossos escritos para fins que não antevimos.

São estes os novos saberes. Hoje, cada interacção, cada movimento, cada preferência, cada gesto, ficam registados indelevelmente num suporte digital qualquer, que escapa completamente ao nosso controlo. Não sabemos como proceder, e precisamos de saber.

E o certo é que o que estamos a fazer hoje, o nosso comentário, vai ficar indefinidamente ao dispor de toda a comunidade, independentemente da nossa vontade!

A literacia digital é definitivamente muito complexa.