Hoje saí de casa com este poema na cabeça. [ver aqui e aqui]
E daí saltei para Carl Sagan e António Damásio. Como funciona mesmo o nosso cérebro?
E nós, os seres humanos? Como funcionamos?
E continuei.
Afinal, é bem possível que não haja nada de muito espectacular.
De certo modo, teremos um nível de planeamento e controlo, o nosso cérebro, digamos, e um nível de execução e monitorização, os músculos e os sentidos. Mais um sistema de energia, a alimentação, a respiração e a circulação sanguínea, e um sistema de comunicações, o sistema nervoso. E um sistema de manutenção e renovação, as células que morrem e nascem todos os dias.
Focando-nos no cérebro, aí encontramos uma rede neuronal gigantesca, uns cem mil milhões de neurónios, e as respectivas conexões, que vamos estabelecendo ao longo da vida. Aprender é estabelecer estas conexões, no fundo os coeficientes e os níveis de disparo de cada neurónio. Um processo essencialmente químico.
E depois temos esta capacidade de comunicar uns com os outros, de cooperar e de competir, e de nos reproduzirmos.
Estar contente ou triste, estar deprimido ou apaixonado, optimista ou pessimista, depende no fundo de uns coeficientes, de uns potenciais de disparo, de umas membranas, de uma concentração química.
Será mesmo?
Gostaria bem que não...
domingo, 2 de agosto de 2009
sábado, 1 de agosto de 2009
Esperar para ver?
Pois é!
Vêm aí as eleições legislativas e não se vêem nenhumas perspectivas de mudança.
Com estes protagonistas e com este sistema eleitoral, que é que nos espera?
Se nenhum partido vai ter maioria absoluta, se um governo maioritário, que teria de ser à esquerda, é impossível, se não se vê quem possa governar em minoria, e se um governo fora dos partidos parece condenado à partida, que é que nos espera?
Esperar para ver?
Vêm aí as eleições legislativas e não se vêem nenhumas perspectivas de mudança.
Com estes protagonistas e com este sistema eleitoral, que é que nos espera?
Se nenhum partido vai ter maioria absoluta, se um governo maioritário, que teria de ser à esquerda, é impossível, se não se vê quem possa governar em minoria, e se um governo fora dos partidos parece condenado à partida, que é que nos espera?
Esperar para ver?
domingo, 26 de julho de 2009
(Des)orientação
O PS conseguiu | permitiu | quis que saltasse para a discussão pública a orientação sexual de um determinado candidato a deputado.
Acho isto muito estranho.
E acho também estranho que as orientações sexuais dos restantes 224 (ou 449, se se incluírem os suplentes) não sejam reveladas. Interrogo-me. Será que o PS pensa que os outros são pouco interessantes deste ponto de vista, por serem "normais"? Será que os outros têm algo a "esconder"? Será exploração pura e simples?
Claro que certos jornais, com o Público à frente, amplificam estas situações e vão procurar obter o máximo de dividendos. Desorientação.
Acho isto muito estranho.
E acho também estranho que as orientações sexuais dos restantes 224 (ou 449, se se incluírem os suplentes) não sejam reveladas. Interrogo-me. Será que o PS pensa que os outros são pouco interessantes deste ponto de vista, por serem "normais"? Será que os outros têm algo a "esconder"? Será exploração pura e simples?
Claro que certos jornais, com o Público à frente, amplificam estas situações e vão procurar obter o máximo de dividendos. Desorientação.
sábado, 11 de julho de 2009
Lusofonia
Peço desculpa pela ignorância.
Não é que são doze os países representados nos segundos jogos da Lusofonia! Enquanto que na Comunidade de Países de Língua Portuguesa não passam de oito...
Não é que são doze os países representados nos segundos jogos da Lusofonia! Enquanto que na Comunidade de Países de Língua Portuguesa não passam de oito...
Aves atacam aviões
O avião que ia fazer hoje a ligação Porto Caracas foi atacado por aves...
Estou a imaginar. As aves, a preparar o ataque. A organizar o exército. Ali, escondidas atrás dos hangares do Francisco Sá Carneiro. E o avião, completamente indefeso, na sua inocência. Sem imaginar o que o esperava.
Será que as aves já não têm respeito por quem voa?
Bem...
Este episódio recorda-me um outro, que vivi em 17 de Maio de 1980, quando estava em Brighton.
Na praia, junto ao Pier, houve um festival aéreo em que uma das atracções eram os famosos Red Arrows. Numa daquelas passagens mais acrobáticas, quatro de cada lado, uns com fumos azuis e outros com fumos vermelhos, qual Porto Benfica, rodando 90º para se cruzarem intercalados, a ponta da asa de um dos aviões, o do comandante da esquadra, toca no mastro de um pequeno iate que estava ali mesmo, ao lado do Pier, à frente do meu nariz.
Percebemos que alguma coisa se tinha passado. O ruído acalmou. Os Red Arrows desapareceram momentâneamente, e algum tempo depois alguém chega de para-quedas. O piloto que se tinha ejectado! E lá se foi mais um Hawk T.1.
Claro que o proprietário do iate foi massacrado por toda a imprensa nos dias seguintes, pela sua imprudência. Mas lembraria ao diabo que um pequeno mastro de um pequeno iate, no seu meio próprio, poderia derrubar um avião daqueles?...
Estou a imaginar. As aves, a preparar o ataque. A organizar o exército. Ali, escondidas atrás dos hangares do Francisco Sá Carneiro. E o avião, completamente indefeso, na sua inocência. Sem imaginar o que o esperava.
Será que as aves já não têm respeito por quem voa?
Bem...
Este episódio recorda-me um outro, que vivi em 17 de Maio de 1980, quando estava em Brighton.
Na praia, junto ao Pier, houve um festival aéreo em que uma das atracções eram os famosos Red Arrows. Numa daquelas passagens mais acrobáticas, quatro de cada lado, uns com fumos azuis e outros com fumos vermelhos, qual Porto Benfica, rodando 90º para se cruzarem intercalados, a ponta da asa de um dos aviões, o do comandante da esquadra, toca no mastro de um pequeno iate que estava ali mesmo, ao lado do Pier, à frente do meu nariz.
Percebemos que alguma coisa se tinha passado. O ruído acalmou. Os Red Arrows desapareceram momentâneamente, e algum tempo depois alguém chega de para-quedas. O piloto que se tinha ejectado! E lá se foi mais um Hawk T.1.
Claro que o proprietário do iate foi massacrado por toda a imprensa nos dias seguintes, pela sua imprudência. Mas lembraria ao diabo que um pequeno mastro de um pequeno iate, no seu meio próprio, poderia derrubar um avião daqueles?...
quarta-feira, 1 de julho de 2009
E será que sabemos usar esta nova linguagem?
Comunica-se por palavras, por gestos, por imagens, e agora por cliques. Clico para dizer que vi, para dizer que apoio, para dizer que estou solidário. Clicar é fácil.
Clico para abrir uma porta e clico para a fechar. Mas abrir uma porta não é o mesmo que dar a alguém a chave dessa porta, apesar de muitas vezes confundirmos os dois gestos. E em regra só notamos isso quando a porta subitamente se nos fecha.
Que terá acontecido? Foi inadvertidamente? Foi deliberado? E porquê? Deixei de merecer confiança? Tudo por causa dum clique. Duma permissão que se cancela.
E agora que faço? Nada? Mas não seria só um teste à minha atenção? E o que deveria fazer não seria mesmo perguntar? Ou será uma vontade de fechar um espaço? (todos temos direito aos nossos espaços fechados) Que se deve respeitar sem mais questões.
Não sei. Fica dito.
Se um dia me acontecer, publico uma mensagem como esta.
Clico para abrir uma porta e clico para a fechar. Mas abrir uma porta não é o mesmo que dar a alguém a chave dessa porta, apesar de muitas vezes confundirmos os dois gestos. E em regra só notamos isso quando a porta subitamente se nos fecha.
Que terá acontecido? Foi inadvertidamente? Foi deliberado? E porquê? Deixei de merecer confiança? Tudo por causa dum clique. Duma permissão que se cancela.
E agora que faço? Nada? Mas não seria só um teste à minha atenção? E o que deveria fazer não seria mesmo perguntar? Ou será uma vontade de fechar um espaço? (todos temos direito aos nossos espaços fechados) Que se deve respeitar sem mais questões.
Não sei. Fica dito.
Se um dia me acontecer, publico uma mensagem como esta.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Onde está a nossa identidade?
Nós gostamos desta nova forma de interacção entre pessoas utilizando as TIC.
Criamos uma conta de e-mail, ou quantas quisermos, e temos os instrumentos para nos registarmos nos mais diversos sites de interacção social. Ter uma conta de e-mail é quase como ter um endereço físico, rua e número, cidade e código postal. Ter várias contas, então, é meio caminho andado para criarmos e manejarmos múltiplas identidades digitais.
Pode ser bom, e pode ser mau!
Aconteceu-me no Ning. Na maioria das redes que aí frequento o meu e-mail é o fjr@fe.up.pt, mas numa sou o frestivo@gmail.com. Fui convidado através deste endereço e assim ficou. Só que agora não consigo convencer o Ning que estes dois endereços pertencem a uma mesma pessoa, eu! São dois avatares distintos. Cada um vê o outro como isso mesmo, outro.
Tentei sorrateiramente registar-me com o outro endereço na segunda rede que mencionei. O mesmo nome, a mesma foto, ninguém deu por nada. Fiz um dos meus eus amigo do outro eu. Tudo bem. Há lá dois avatares com o mesmo nome, com a minha cara, amigos um do outro, e não sei como dizer que sou sempre eu!
Posso matar um. Posso mesmo matar os dois. Mas mais nada. Alterar um e-mail é que não. Só me resta a figura triste de apagar o que não quero, perder todos os amigos que ele fez, e o outro voltar a convidar os mesmos amigos. Se me virem numa cena destas, já sabem porquê.
Onde está então a nossa identidade?
Criamos uma conta de e-mail, ou quantas quisermos, e temos os instrumentos para nos registarmos nos mais diversos sites de interacção social. Ter uma conta de e-mail é quase como ter um endereço físico, rua e número, cidade e código postal. Ter várias contas, então, é meio caminho andado para criarmos e manejarmos múltiplas identidades digitais.
Pode ser bom, e pode ser mau!
Aconteceu-me no Ning. Na maioria das redes que aí frequento o meu e-mail é o fjr@fe.up.pt, mas numa sou o frestivo@gmail.com. Fui convidado através deste endereço e assim ficou. Só que agora não consigo convencer o Ning que estes dois endereços pertencem a uma mesma pessoa, eu! São dois avatares distintos. Cada um vê o outro como isso mesmo, outro.
Tentei sorrateiramente registar-me com o outro endereço na segunda rede que mencionei. O mesmo nome, a mesma foto, ninguém deu por nada. Fiz um dos meus eus amigo do outro eu. Tudo bem. Há lá dois avatares com o mesmo nome, com a minha cara, amigos um do outro, e não sei como dizer que sou sempre eu!
Posso matar um. Posso mesmo matar os dois. Mas mais nada. Alterar um e-mail é que não. Só me resta a figura triste de apagar o que não quero, perder todos os amigos que ele fez, e o outro voltar a convidar os mesmos amigos. Se me virem numa cena destas, já sabem porquê.
Onde está então a nossa identidade?
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