domingo, 20 de setembro de 2009

O comportamento caótico do voto útil...

Uma vez que todos os votos contam, mesmo os nulos e os que não se depositam nas urnas, fala-se agora muito em voto útil. Mas estamos numa situação em que o voto útil não é fácil de decidir. Parecendo que a grande maioria das pessoas pretende hoje que Sócrates ou Manuela governem, mas sem maioria absoluta, a questão é, pois, como é que se consegue um resultado destes?
Como se todos os que pretendem um governo Sócrates, ou Manuela, com maioria relativa, votarem Sócrates, ou Manuela, pode muito bem acontecer que essa maioria se transforme em absoluta, há aqui um problema de inteligência colectiva que não é fácil de equacionar.
Há dois tipos básicos de comportamento humano que aqui se confrontam, tal como num jogo de cara ou coroa, em que há os que jogam cara porque têm saído muitas caras, e os que jogam coroa porque... têm saído muitas caras! Agora, é os que votam Sócrates, ou Manuela, porque as sondagens lhes dão vantagem, e os que votam Sócrates, ou Manuela, porque as sondagens não lhes dão vantagem! Outra situação deste género é o da evolução de uma população, em que se combinam os efeitos da população, quantos mais pais mais filhos, e da fome, quantos mais pais, menos filhos.
Ao estudar este problema, Verhulst chegou a uma equação recursiva muito simples
x(n) = alfa.x(n-1).[1 - x(n-1)]
em que x(n) é um valor entre 0 e 1 e alfa é uma constante de proporcionalidade, alfa < 4, tendo chegado à conclusão que para alfa superior a 3.57 a sequência começa a exibir um comportamento caótico.
O que explicava o comportamento aparentemente imprevisível das populações de coelhos em certas ilhas, e talvez explique a dificuldade de realizar sondagens nos dias de hoje...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Partido Nulo

Esta ideia do Partido Nulo desperta-me muita simpatia.
Se um voto em branco é uma não escolha - qualquer um serve, os outros que escolham, um voto nulo é uma escolha - nenhum serve! E se nenhum serve ninguém deve ocupar esse lugar.
Esta ideia de ficaram vazias as cadeiras correspondentes aos votos nulos não só permite poupar os custos correspondentes a esses deputados inexistentes, como vai assinalar permanentememte, durante todo o mandato, a real representatividade dos deputados reais, e deveria mesmo contar para a formação de maiorias nas votações.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A New Kind of Science

Sou um admirador incondicional de Stephen Wolfram, o criador de Mathematica, uma ferramenta extraordinária de computação, modelação, simulação e documentação, e usada em MathWorld, uma fantástica colecção de recursos de matemática criado pelo não menos notável Eric Weisstein, de WolframAlpha, um motor de conhecimento computacional que começa agora a ser compreendido, e de tantas outras iniciativas.
Não resisti a adquirir a versão em papel de A New Kind of Science, que está completamente disponível na Web, mas que tem um sabor especial se puder ser manuseado em papel. Disse manuseado, e não disse lido. O livro contem material desenvolvido ao longo de 20 anos, 1200 páginas de texto altamente condensado e sintético, meio milhão de palavras, e a sua escrita necessitou de cerca de 10 anos de trabalho contínuo, cem milhões de teclas premidas, centenas de milhares de páginas de notas em Mathematica, um milhão de linhas de código, e mais de um milhão de biliões de operações de computador.
Wolfram nasceu em 1959 em Londres, é um jovem.
A New Kind of Science, em papel, ou na Web, é incontornável para quem quiser perceber as relações entre as ciências que nos rodeiam e que afectam e de certo modo determinam as nossas vidas. Vale a pena visitar o site, onde se encontram projectos de demonstração, foruns de discussão e muitas outras oportunidades de entrar no munod de Stephen Wolfram.

sábado, 8 de agosto de 2009

Paisagem protegida

Antigamente era a APPLE - Área de Paisagem Protegida do Litoral de Espozende, e agora é parte do Parque Natural do Litoral Norte.
Fica na foz do Cávado, aquela língua de dunas entre o rio e o mar, conhecida por Ofir.
Podia ser um paraíso, mas está ameaçada seriamente, talvez mesmo definitivamente, pela intervenção humana.
São os ataques ao domínio público, que já nem as margens dos rios respeitam, nem os próprios leitos,

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as construções completamente aberrantes no meio das dunas,

From Blogger Pictures

e as agressões visuais.

From Blogger Pictures

São estes os nossos políticos.
Mas será que não podemos mesmo fazer nada?

domingo, 2 de agosto de 2009

Como será estar contente?

Hoje saí de casa com este poema na cabeça. [ver aqui e aqui]
E daí saltei para Carl Sagan e António Damásio. Como funciona mesmo o nosso cérebro?
E nós, os seres humanos? Como funcionamos?
E continuei.
Afinal, é bem possível que não haja nada de muito espectacular.
De certo modo, teremos um nível de planeamento e controlo, o nosso cérebro, digamos, e um nível de execução e monitorização, os músculos e os sentidos. Mais um sistema de energia, a alimentação, a respiração e a circulação sanguínea, e um sistema de comunicações, o sistema nervoso. E um sistema de manutenção e renovação, as células que morrem e nascem todos os dias.
Focando-nos no cérebro, aí encontramos uma rede neuronal gigantesca, uns cem mil milhões de neurónios, e as respectivas conexões, que vamos estabelecendo ao longo da vida. Aprender é estabelecer estas conexões, no fundo os coeficientes e os níveis de disparo de cada neurónio. Um processo essencialmente químico.
E depois temos esta capacidade de comunicar uns com os outros, de cooperar e de competir, e de nos reproduzirmos.
Estar contente ou triste, estar deprimido ou apaixonado, optimista ou pessimista, depende no fundo de uns coeficientes, de uns potenciais de disparo, de umas membranas, de uma concentração química.
Será mesmo?
Gostaria bem que não...

sábado, 1 de agosto de 2009

Esperar para ver?

Pois é!
Vêm aí as eleições legislativas e não se vêem nenhumas perspectivas de mudança.
Com estes protagonistas e com este sistema eleitoral, que é que nos espera?
Se nenhum partido vai ter maioria absoluta, se um governo maioritário, que teria de ser à esquerda, é impossível, se não se vê quem possa governar em minoria, e se um governo fora dos partidos parece condenado à partida, que é que nos espera?
Esperar para ver?

domingo, 26 de julho de 2009

(Des)orientação

O PS conseguiu | permitiu | quis que saltasse para a discussão pública a orientação sexual de um determinado candidato a deputado.
Acho isto muito estranho.
E acho também estranho que as orientações sexuais dos restantes 224 (ou 449, se se incluírem os suplentes) não sejam reveladas. Interrogo-me. Será que o PS pensa que os outros são pouco interessantes deste ponto de vista, por serem "normais"? Será que os outros têm algo a "esconder"? Será exploração pura e simples?
Claro que certos jornais, com o Público à frente, amplificam estas situações e vão procurar obter o máximo de dividendos. Desorientação.