Tudo tem uma sigla. Tudo o que é mau tem uma sigla.
Nos países da OCDE, fala-se repetidamente dos NEET, das pessoas neither in employment nor in education or training, que nem trabalham nem estão em educação ou formação, e especialmente das pessoas NEET no escalão etário 16-24 anos.
É obrigatório olhar para Education at a Glance 2013 - OECD Indicators.
Não é fácil encontrar estes números para Portugal. Encontrei números globais, e tabelas em que não ficamos muito bem. E encontrei números detalhados para a Inglaterra, por exemplo, que mostram o rigor que o público exige na análise do desempenho do seu sistema educativo.
E descobri também um mapa interactivo interessante no The Guardian.
A nossa indiferença perante estes indicadores revela bem o que se passa com os nossos jovens, que, abandonados à sua sorte, sem confiança nas ajudas da família, da escola, da sociedade, têm dificuldade em tomar as melhores decisões e em fazer as melhores escolhas, e em mais de metade dos casos optam por não ir além do ensino secundário.
Só há uma maneira de resolver este problema, e que consiste em dar aos jovens as ferramentas, a autonomia, a responsabilidade, o pensamento crítico, a criatividade, a exigência que lhes permita fazer escolhas informadas.
Não vale a pena tentar adivinhar as necessidades do País, nunca conduziu a nada, nem criar vagas nos cursos para aproveitar os recursos existentes, pois isso tende a reproduzir o inútil.
Só há um caminho. Por um lado, terminar com o numerus clausus no ensino superior, deixar as escolas oferecer os melhores cursos, promover os politécnicos do interior para que possam fixar os jovens e as populações, e interagir com os nossos vizinhos espanhóis. E por outro criar toda uma nova aposta no ensino secundário, com professores preparados, focados nas competências essenciais, comunicar, escrever, ter identidade, conhecer o território, saber viver em rede e com as redes, ter as ferramentas essenciais para saber escolher e decidir, para que mais jovens se entusiasmem e decidam pelo ensino superior, por animar as universidades e politécnicos, com projectos exigentes e desafiantes.
E está no hora de começar a preparar o próximo ano lectivo!
sábado, 21 de setembro de 2013
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Chegou a hora de fazer?
Todos sabemos que chegamos a um ponto da nossa caminhada colectiva, em Portugal, no mundo, em que não sabemos nem para onde ir nem como recuar até um ponto anterior, mais ou menos seguro, onde possamos pensar sobre o caminho a seguir.
Era bom podermos fazer esse regresso ao passado, talvez até aos últimos anos do século XX, em que tudo parecia correr bem, em que havia emprego, indústria, esperança...
Efectivamente, já estava tudo mal, já ninguém sabia como conciliar uma nova revolução industrial baseada nas tecnologias da sociedade da informação, na automação e na robótica, no desmantelamento das grandes unidades industriais, e na Internet, na globalização da economia, na desmaterialização, com uma população mal preparada para a mudança, com escolas e professores a tentar resistir a essas mudanças, com governos impreparados, a apostar em velhas ideias para resolver problemas novos.
Mas talvez pudessemos começar pelo princípio, pelos jovens, pelos jovens que irão ser professores dos jovens, e construir uma sociedade mais confiante, mais solidária, mais capaz de apostar no futuro e de criar mod(el)os de vida mais viáveis, baseados na circulação da informação e do conhecimento, assentes nos nossos recursos e na sua valorização.
E dar valor aos mais séniores, àqueles que o sistema atira bruscamente para a reforma, sem pensar por exemplo num modelo gradual de reforma parcial que lhes permita passar os seus saberes aos mais jovens de uma forma institucional e inteligente.
Utopia? Não! Fácil de pôr em prática? Também não. Inevitável? Sim, se queremos que a humanidade sobreviva de uma forma digna, pacífica, ordenada, aos desafios que se avizinham.
Deixo aqui uma ideia, simples de realizar, com poucos recursos, e que consiste em reunir jovens desempregados e séniores reformados em equipas mais ou menos homogéneas a quem é colocado o desafio de se organizarem em empresas viáveis e de as colocar em movimento.
Há tantos espaços, em todas as cidades e vilas, desde centros comerciais abandonados até escolas e tribunais sem uso, que poderiam ser os embriões destas novas empresas.
Para fazer o quê? Mas quem melhor que elas para o determinarem?
E o dinheiro necessário será mínimo.
Alguém quer conversar sobre isto num dos próximos dias?
sábado, 8 de junho de 2013
A espera
E aqui estamos nós, em pleno século XXI, dois anos depois do resgate, à espera! De quê? Ninguém sabe. Provavelmente à espera de alguém que saiba de que estamos à espera!
E cada dia a situação vai-se agravando, empresas fecham, desemprego cresce, dívida aumenta, jovens fogem, tudo se degrada, e não há ideias, não há projectos, não há uma luz, uma esperança, uma certeza, um sinal, que nos anime, que nos diga que estamos no caminho certo.
E cada dia cresce em nós a necessidade de mudar, custe o que custar, de romper com este marasmo, de começar de novo, com outra gente, de mãos limpas, como outras vezes fizemos na nossa História.
Vai acontecer, fatalmente, mais cedo ou mais tarde.
Barabási, no seu livro Bursts, em que estuda os padrões de comportamento humano, retrata a espera como um estado em que a acção desbloqueadora se vai impondo, até atingir um nível de prioridade que a desencadeie, até que se esgote a paciência, diria eu.
Há uns tempos, num dia de muita chuva, fiquei preso num engarrafamento de trânsito, porque numa determinada rotunda o piso tinha aluído. Tudo parou, não apareceu nenhum agente de trânsito, até que, passado uma meia hora, alguém tomou a iniciativa de forçar a circulação nos dois sentidos na parte utilizável da rotunda, e o problema resolveu-se. Como previra Barabási, o mecanismo das prioridades dinâmicas funcionou!
No País, continuamos aparentemente à espera. Mas o tempo passa, e as nossas prioridades vão sendo ajustadas continuamente. Os poderes instituídos devem sabê-lo. Ou não?
E cada dia a situação vai-se agravando, empresas fecham, desemprego cresce, dívida aumenta, jovens fogem, tudo se degrada, e não há ideias, não há projectos, não há uma luz, uma esperança, uma certeza, um sinal, que nos anime, que nos diga que estamos no caminho certo.
E cada dia cresce em nós a necessidade de mudar, custe o que custar, de romper com este marasmo, de começar de novo, com outra gente, de mãos limpas, como outras vezes fizemos na nossa História.
Vai acontecer, fatalmente, mais cedo ou mais tarde.
Barabási, no seu livro Bursts, em que estuda os padrões de comportamento humano, retrata a espera como um estado em que a acção desbloqueadora se vai impondo, até atingir um nível de prioridade que a desencadeie, até que se esgote a paciência, diria eu.
Há uns tempos, num dia de muita chuva, fiquei preso num engarrafamento de trânsito, porque numa determinada rotunda o piso tinha aluído. Tudo parou, não apareceu nenhum agente de trânsito, até que, passado uma meia hora, alguém tomou a iniciativa de forçar a circulação nos dois sentidos na parte utilizável da rotunda, e o problema resolveu-se. Como previra Barabási, o mecanismo das prioridades dinâmicas funcionou!
No País, continuamos aparentemente à espera. Mas o tempo passa, e as nossas prioridades vão sendo ajustadas continuamente. Os poderes instituídos devem sabê-lo. Ou não?
sábado, 4 de maio de 2013
Novo resgate para quê?
O problema é que não tratamos de resolver o nosso problema de sempre? Sabermos o que queremos!
E das duas uma, ou queremos ser o que quase sempre fomos, europeus de segunda, do lado de lá de Espanha, ignorantes, incultos, dependentes, sempre à espera de alguém que nos "guie", ou queremos sair deste buraco em que nos enfiamos, valorizar o que temos, e viver de igual para igual num espaço europeu em que todos se respeitam, sem norte e sul, sem este e oeste, sem europeus de primeira e de segunda.
E esta definição é urgente!
No primeiro caso, não precisamos do Euro, é preferível uma moeda própria, e enganarmo-nos com salários que crescem mas que não valem nada, com uma inflação enorme, com taxas de juros insuportáveis, com poder de compra real em queda permanente, como bem nos recordamos.
E confesso que não estou seguro de que não seja esta a opção que em breve nos será "oferecida".
No segundo caso, não é de um resgate que precisamos. Todos sabemos o efeito de um resgate. Se não se tratar de resolver, ou de dar os primeiros passos para resolver, os problemas essenciais, o desemprego, a ignorância, o baixo nível de educação, a atractividade do País para o turismo e para o investimento, a reconstrução de tudo o que foi destruído, das belezas naturais ao património abandonado e às "urbanizações" sem sentido, a legislação anárquica, e tantas outras coisas, não chegaremos a lado nenhum.
Já todos, ou todos menos dois, no mínimo, percebemos que cortar nos salários e aumentar impostos implica cortar no consumo, cortar nas receitas fiscais, aumentar o desemprego, aumentar as despesas sociais, e não resolve o problema do défice, sequer. Portanto, não resolve problema nenhum.
Mas a alternativa precisa de um governo competente e forte, de gente com ideias que mobilizem, de uma visão moderna da sociedade, em que o trabalho é visto de uma forma completamente diferente.
É desta grande mudança de paradigma que precisamos. Já! Porque está na ordem do dia.
E das duas uma, ou queremos ser o que quase sempre fomos, europeus de segunda, do lado de lá de Espanha, ignorantes, incultos, dependentes, sempre à espera de alguém que nos "guie", ou queremos sair deste buraco em que nos enfiamos, valorizar o que temos, e viver de igual para igual num espaço europeu em que todos se respeitam, sem norte e sul, sem este e oeste, sem europeus de primeira e de segunda.
E esta definição é urgente!
No primeiro caso, não precisamos do Euro, é preferível uma moeda própria, e enganarmo-nos com salários que crescem mas que não valem nada, com uma inflação enorme, com taxas de juros insuportáveis, com poder de compra real em queda permanente, como bem nos recordamos.
E confesso que não estou seguro de que não seja esta a opção que em breve nos será "oferecida".
No segundo caso, não é de um resgate que precisamos. Todos sabemos o efeito de um resgate. Se não se tratar de resolver, ou de dar os primeiros passos para resolver, os problemas essenciais, o desemprego, a ignorância, o baixo nível de educação, a atractividade do País para o turismo e para o investimento, a reconstrução de tudo o que foi destruído, das belezas naturais ao património abandonado e às "urbanizações" sem sentido, a legislação anárquica, e tantas outras coisas, não chegaremos a lado nenhum.
Já todos, ou todos menos dois, no mínimo, percebemos que cortar nos salários e aumentar impostos implica cortar no consumo, cortar nas receitas fiscais, aumentar o desemprego, aumentar as despesas sociais, e não resolve o problema do défice, sequer. Portanto, não resolve problema nenhum.
Mas a alternativa precisa de um governo competente e forte, de gente com ideias que mobilizem, de uma visão moderna da sociedade, em que o trabalho é visto de uma forma completamente diferente.
É desta grande mudança de paradigma que precisamos. Já! Porque está na ordem do dia.
sábado, 16 de março de 2013
Onde está a luz no fim do túnel?
Pois é. Parece que paramos, que desistimos, que nos sentamos no chão, de costas, à espera. De quê? Não sabemos. Nem sabemos. Não pode ser muito pior, não é?
Mas pode, graças aos nossos "governantes", todos, aqueles que "elegemos", sem nos erguermos contra a tirania dos partidos, que escolhem os "eleitos", que partem e repartem tudo o que nos podem retirar, sem contemplações, sem respeito, sem cumprir o dever de governar, de apontar um caminho.
Graças ao fim do Escudo, que servia para repartir os custos da nossa ineficiência de uma forma mais equlibrada, mas que não servia para alguns, os que se apropriam das economias de todos, e para quem só serve uma moeda forte, que não desvalorize.
Graças à forma como os sucessivos governos não olharam de frente para a questão do emprego, da criação de empresas, dos sectores estratégicos, da educação, da cultura, dos valores que podem fazer a diferença.
Como é possível uma Nação com quase mil anos de história se entregar nas mãos desta gente ignorante, e não se revoltar, não se libertar, não escolher outro caminho?
Lembremo-nos ao menos de Gedeão.
Mas pode, graças aos nossos "governantes", todos, aqueles que "elegemos", sem nos erguermos contra a tirania dos partidos, que escolhem os "eleitos", que partem e repartem tudo o que nos podem retirar, sem contemplações, sem respeito, sem cumprir o dever de governar, de apontar um caminho.
Graças ao fim do Escudo, que servia para repartir os custos da nossa ineficiência de uma forma mais equlibrada, mas que não servia para alguns, os que se apropriam das economias de todos, e para quem só serve uma moeda forte, que não desvalorize.
Graças à forma como os sucessivos governos não olharam de frente para a questão do emprego, da criação de empresas, dos sectores estratégicos, da educação, da cultura, dos valores que podem fazer a diferença.
Como é possível uma Nação com quase mil anos de história se entregar nas mãos desta gente ignorante, e não se revoltar, não se libertar, não escolher outro caminho?
Lembremo-nos ao menos de Gedeão.
sábado, 2 de março de 2013
MoVimento 5 Stelle
Não confundo Beppe Grillo nem com Tiririca nem com José Manuel Coelho.
O MoVimento 5 Stelle teve um grande resultado eleitoral em Itália pela simples razão de 1 em cada 4 eleitores não acreditar nos partidos "tradicionais" nem na capacidade dos seus dirigentes em encontrar uma saída para a crise na Itália e na Europa.
Os Italianos não acreditam no Euro, não acreditam numa Europa guiada pela Alemanha, não acreditam nos burocratas de Bruxelas, querem viver a sua vida como gostam, querem ser senhores dos seus destinos, não se importam de ter uma moeda desvalorizadíssima, de usar notas velhas, de pagar dezenas de milhares de Liras por uma simples refeição, de ter uma taxa de inflação que os assusta sempre que querem trocar as suas Liras por outra moeda, de ter um velho Fiat, porque têm o sol, o mar, a música, a pasta, a Ferrari, a alegria de viver.
Os Italianos querem regressar ao tempo em que eram senhores deles próprios, e estão dispostos a pagar por isso.
Gosto desta Itália, do Norte a Sul, sinto-me em casa, seja em Milão seja em Bari, e acredito que todos saberemos defender a liberdade, e que a Europa do sul não se deixará derrotar por esta gente cinzenta que acha que é capaz de governar a Europa, mas que só sabe da teoria económica que vem nos livros que leram.
O MoVimento 5 Stelle teve um grande resultado eleitoral em Itália pela simples razão de 1 em cada 4 eleitores não acreditar nos partidos "tradicionais" nem na capacidade dos seus dirigentes em encontrar uma saída para a crise na Itália e na Europa.
Os Italianos não acreditam no Euro, não acreditam numa Europa guiada pela Alemanha, não acreditam nos burocratas de Bruxelas, querem viver a sua vida como gostam, querem ser senhores dos seus destinos, não se importam de ter uma moeda desvalorizadíssima, de usar notas velhas, de pagar dezenas de milhares de Liras por uma simples refeição, de ter uma taxa de inflação que os assusta sempre que querem trocar as suas Liras por outra moeda, de ter um velho Fiat, porque têm o sol, o mar, a música, a pasta, a Ferrari, a alegria de viver.
Os Italianos querem regressar ao tempo em que eram senhores deles próprios, e estão dispostos a pagar por isso.
| From In and around Venezia, August 2006 |
Gosto desta Itália, do Norte a Sul, sinto-me em casa, seja em Milão seja em Bari, e acredito que todos saberemos defender a liberdade, e que a Europa do sul não se deixará derrotar por esta gente cinzenta que acha que é capaz de governar a Europa, mas que só sabe da teoria económica que vem nos livros que leram.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
E não se muda o sistema eleitoral?
Não consigo perceber o que se passa na cabeça destes seres que se apoderaram das nossas instituições e que nada fazem no sentido de mudar o nosso sistema político, para que possamos passar a escolher os melhores para o desempenho dos cargos de governo.
Será que estão convencidos que conseguem perpetuar o sistema existente, que não perceberam que estão possivelmente perante a última oportunidade para o mudar de uma forma elegante, que a alternativa não será esperar mais tempo mas pura e simplesmente chegar à mudança através da força, exercida de uma forma imprevisível, com consequências desagradáveis para alguns ou muitos?
E não seria tão fácil limpar o governo das figuras lamentáveis que por lá andam, mudar radicalmente a lei eleitoral para que os nossos representantes passem a ser eleitos nominalmente, um por um, sem a protecção de um partido, e deixar o presidente da República convocar eleições para um parlamento novo, em que cada um representa uma parte precisa da população, que se veria toda representada nesse parlamento?
Membros do parlamento capazes de olhar para os nossos problemas mais básicos, dos desempregados, dos reformados, do desnorte do nosso sistema de ensino, e de eleger um governo capaz de adoptar as medidas paradigmáticas capazes de transformar as mentalidades e de criar de imediato uma nova esperança para todos.
E uma justiça em que as pessoas acreditem, que não proteja os fortes.
Não estará tudo aí, ao virar da esquina?!
Será que estão convencidos que conseguem perpetuar o sistema existente, que não perceberam que estão possivelmente perante a última oportunidade para o mudar de uma forma elegante, que a alternativa não será esperar mais tempo mas pura e simplesmente chegar à mudança através da força, exercida de uma forma imprevisível, com consequências desagradáveis para alguns ou muitos?
E não seria tão fácil limpar o governo das figuras lamentáveis que por lá andam, mudar radicalmente a lei eleitoral para que os nossos representantes passem a ser eleitos nominalmente, um por um, sem a protecção de um partido, e deixar o presidente da República convocar eleições para um parlamento novo, em que cada um representa uma parte precisa da população, que se veria toda representada nesse parlamento?
Membros do parlamento capazes de olhar para os nossos problemas mais básicos, dos desempregados, dos reformados, do desnorte do nosso sistema de ensino, e de eleger um governo capaz de adoptar as medidas paradigmáticas capazes de transformar as mentalidades e de criar de imediato uma nova esperança para todos.
E uma justiça em que as pessoas acreditem, que não proteja os fortes.
Não estará tudo aí, ao virar da esquina?!
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Onde está o meu deputado?
My MP, o meu membro do parlamento, tive um nos anos em que vivi em Inglaterra.
O sistema político inglês assenta em três pilares, o Monarca, a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns (o Parlamento).
Na Câmara dos Lordes sentam-se os Lordes Espirituais, e os Lordes Temporais, estes nomeados pelo Monarca, por proposta do primeiro-ministro. No total, os Lordes são actualmente 760. E até 2009 tiveram o poder judicial supremo.
Na Câmara dos Comuns sentam-se 650 membros do parlamento, eleitos individualmente, em 650 actos eleitorais distintos, nas 650 circunscrições eleitorais existentes, para um mandato máximo de 5 anos.
O Monarca convida o líder do partido mais votado a formar Governo, constituído obrigatoriamente por membros da Câmara dos Comuns (embora possa incluir membros da Câmara dos Lordes), isto é, políticos que tiveram obrigatoriamente de ganhar uma eleição nominal, na sua circunscrição eleitoral, e que têm de cuidar dos interesses dessa circunscrição se aspiram a vir a ser reeleitos.
Cabe ao primeiro ministro aconselhar o Monarca a ouvir o povo quando os 5 anos de mandato se aproximam do fim, ou antes, se achar que está a perder o apoio popular. Também pode, quando o parlamento muda de opinião, aconselhar o Monarca a convidar o líder da oposição a formar Governo.
E o parlamento muda muitas vezes de opinião, ou porque deputados mudaram de bancada, ou com as chamadas by-elections, eleições ocasionais de deputados, por falecimento, ou abandono do cargo de alguns. A eleição é sempre de um deputado, que nunca será substituído por alguém não eleito: não há listas!
É este pormenor que divide a Inglaterra de Bruxelas e do resto da Europa, que os Ingleses vêem cheios de gente não eleita a tomar decisões.
E é este sistema de representação que eu reclamo para Portugal.
Quam tem medo desta responsabilização pessoal de cada deputado?
O sistema político inglês assenta em três pilares, o Monarca, a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns (o Parlamento).
Na Câmara dos Lordes sentam-se os Lordes Espirituais, e os Lordes Temporais, estes nomeados pelo Monarca, por proposta do primeiro-ministro. No total, os Lordes são actualmente 760. E até 2009 tiveram o poder judicial supremo.
Na Câmara dos Comuns sentam-se 650 membros do parlamento, eleitos individualmente, em 650 actos eleitorais distintos, nas 650 circunscrições eleitorais existentes, para um mandato máximo de 5 anos.
O Monarca convida o líder do partido mais votado a formar Governo, constituído obrigatoriamente por membros da Câmara dos Comuns (embora possa incluir membros da Câmara dos Lordes), isto é, políticos que tiveram obrigatoriamente de ganhar uma eleição nominal, na sua circunscrição eleitoral, e que têm de cuidar dos interesses dessa circunscrição se aspiram a vir a ser reeleitos.
Cabe ao primeiro ministro aconselhar o Monarca a ouvir o povo quando os 5 anos de mandato se aproximam do fim, ou antes, se achar que está a perder o apoio popular. Também pode, quando o parlamento muda de opinião, aconselhar o Monarca a convidar o líder da oposição a formar Governo.
E o parlamento muda muitas vezes de opinião, ou porque deputados mudaram de bancada, ou com as chamadas by-elections, eleições ocasionais de deputados, por falecimento, ou abandono do cargo de alguns. A eleição é sempre de um deputado, que nunca será substituído por alguém não eleito: não há listas!
É este pormenor que divide a Inglaterra de Bruxelas e do resto da Europa, que os Ingleses vêem cheios de gente não eleita a tomar decisões.
E é este sistema de representação que eu reclamo para Portugal.
Quam tem medo desta responsabilização pessoal de cada deputado?
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
71:45 são 72 horas!!!
De acordo com o JN de ontem, segundo um "professor na Faculdade de Engenharia do Porto e docente das cadeiras de Estatística e Gestão da Manutenção, os dragões cumpriram a lei, mesmo que a diferença entre um encontro e o outro tenha sido de 71 horas e 45 minutos. "O tempo mede-se e não se conta", começa por dizer, ao JN, para abordar o que está escrito no artigo 13.1 do Regulamento da Taça da Liga: "Quem fez a lei definiu uma precisão à hora e não ao minuto. A partir do momento em que a precisão é a hora, 71 horas e 45 minutos são 72 horas".
Já tinha usado este argumento uma vez, em minha casa, num dia em que cheguei à 20:15 e tentei convencer a minha mulher que tinha chegado às 20, porque ela não tinha especificado os minutos. Mas não resultou. Aliás, ainda tentei usar o argumento do quarto de hora académico, mas também sem êxito. O ponteiro dos minutos não jogou a meu favor.
Mas também não sou professor de estatística. Navego noutras águas mais complexas.
Só mesmo na Liga é que poderá resultar. Já agora, podiam dar aos árbitros uns cronómetros só com o ponteiro das horas?
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Educar os nossos jovens
Razões profissionais têm-me levado a conhecer com alguma profundidade o estado do nosso ensino básico e secundário, onde, a par de escolas e professores extraordinários, tenho encontrado situações difíceis, daquelas que me fazem pensar que ainda estamos muito longe de termos todas as escolas ao serviço dos jovens e viradas para o futuro.
O sistema de ensino, ao nível dos mais jovens, assenta na cooperação de três pilares, a escola, a casa e a sociedade, que todos sabemos estão em crise profunda.
A casa é o dormitório, o sítio de todas as dificuldades, da falta de tempo, da falta de dinheiro, da falta de disponibilidade para permitir ao jovem realizar em sossego os trabalhos para casa que lhe foram propostos, sob a supervisão dos pais, naturalmente, e depois brincar, crescer, de forma saudável.
A sociedade, a TV, as notícias, são os heróis de pés de barro, de um dia, capas de todos os jornais e revistas, o elogio dos comportamentos mais desviantes, a inexistência de canais informativos destinados a ajudar os mais interessados, jovens ou adultos, a encontrar os caminhos para uma vida positiva.
A escola fica assim com a missão redobrada de ajudar os nossos jovens a crescer, a descobrir a realidade, a aprender a pensar, a ser capaz de analisar e decidir, antes de executar, em todas as situações.
Este ciclo, analisar - decidir - executar, deve ser treinado em todos os momentos, seja no caso mais simples de um jogo de futebol, seja na resolução do problema mais complexo.
Fico assim muito, muito descontente, quando vejo um professor entregar aos alunos da sua turma uma ficha de trabalho que não é mais do que um conjunto de tarefas elementares, caídas sabe-se lá de onde, e que os alunos devem executar acefalamente, sem terem lido um enunciado rigoroso, sem terem tido uma pequena discussão das alternativas, sem a participação da turma, sem dar aos alunos a oportunidade de ter a alegria de descobrir a solução e aprender.
Esta pouca crença na capacidade dos nossos jovens se interessarem e aprenderem, que deriva mais da incompetência de muitos professores e da sua incapacidade de dialogar com os jovens, de lhes propor desafios interessantes, de discutir soluções, é a doença mais séria do nosso sistema de ensino, aquela que deve ser tratada com toda a urgência, e custe o que custar.
Não há nada, não há emprego, não há interesses, que justifiquem destruir mais uma geração, limitada por professores e gestores que não sabem e que não sabem que não sabem.
Os novos docentes que estão a sair das universidades, com o grau de mestre, com provas dadas nas matérias da área da docência, com uma formação sólida em didáctica, com prática de investigação científica, estão preparados para enfrentar estes novos desafios de um mundo em mudança.
Só é preciso que tenham a sua oportunidade de provar que estão à altura desses desafios.
O sistema de ensino, ao nível dos mais jovens, assenta na cooperação de três pilares, a escola, a casa e a sociedade, que todos sabemos estão em crise profunda.
A casa é o dormitório, o sítio de todas as dificuldades, da falta de tempo, da falta de dinheiro, da falta de disponibilidade para permitir ao jovem realizar em sossego os trabalhos para casa que lhe foram propostos, sob a supervisão dos pais, naturalmente, e depois brincar, crescer, de forma saudável.
A sociedade, a TV, as notícias, são os heróis de pés de barro, de um dia, capas de todos os jornais e revistas, o elogio dos comportamentos mais desviantes, a inexistência de canais informativos destinados a ajudar os mais interessados, jovens ou adultos, a encontrar os caminhos para uma vida positiva.
A escola fica assim com a missão redobrada de ajudar os nossos jovens a crescer, a descobrir a realidade, a aprender a pensar, a ser capaz de analisar e decidir, antes de executar, em todas as situações.
Este ciclo, analisar - decidir - executar, deve ser treinado em todos os momentos, seja no caso mais simples de um jogo de futebol, seja na resolução do problema mais complexo.
Fico assim muito, muito descontente, quando vejo um professor entregar aos alunos da sua turma uma ficha de trabalho que não é mais do que um conjunto de tarefas elementares, caídas sabe-se lá de onde, e que os alunos devem executar acefalamente, sem terem lido um enunciado rigoroso, sem terem tido uma pequena discussão das alternativas, sem a participação da turma, sem dar aos alunos a oportunidade de ter a alegria de descobrir a solução e aprender.
Esta pouca crença na capacidade dos nossos jovens se interessarem e aprenderem, que deriva mais da incompetência de muitos professores e da sua incapacidade de dialogar com os jovens, de lhes propor desafios interessantes, de discutir soluções, é a doença mais séria do nosso sistema de ensino, aquela que deve ser tratada com toda a urgência, e custe o que custar.
Não há nada, não há emprego, não há interesses, que justifiquem destruir mais uma geração, limitada por professores e gestores que não sabem e que não sabem que não sabem.
Os novos docentes que estão a sair das universidades, com o grau de mestre, com provas dadas nas matérias da área da docência, com uma formação sólida em didáctica, com prática de investigação científica, estão preparados para enfrentar estes novos desafios de um mundo em mudança.
Só é preciso que tenham a sua oportunidade de provar que estão à altura desses desafios.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Ganhar para trabalhar ou trabalhar para ganhar?
O mundo mudou, os paradigmas da sociedade industrial anterior desmoronaram, e muitos ainda não deram conta, sequer, de que o futuro tem de ser completamente reinventado.
A ideia do direito ao trabalho, de que há obrigatoriamente aí, ao virar da esquina, um Estado ou um patrão disposto a pagar, a cada um, um salário para fazer aquilo que sabe fazer, está completamente ultrapassada.
A humanidade, nós próprios, temos trabalhado incessantemente para eliminar as formas de produção dependentes de mão de obra numerosa e pouco diferenciada, apesar de, em muitos casos isso se traduzir numa deslocalização das unidades de produção para outros locais.
Assisti in loco ao fim das indústrias mineiras e siderúrgicas na Inglaterra, ao aumento brutal de desemprego, às greves, e à forma como, em dez anos, novas indústrias, e milhares de novas empresas, permitiram reinventar um novo tecido industrial naquele país.
A criação de empresas e de emprego está agora na ordem do dia, em Portugal. E na realidade, se há área de sucesso nos dias de hoje, são as novas empresas que têm sido criadas recentemente, com o apoio das universidades, dos institutos de investigação, das autarquias, e de muitas outras organizações.
O problema é que são poucas, muito poucas, porque a muitos nos falta o rasgo para avançar, para ir à procura do mercado, para lidar com a incerteza, para sobreviver num mundo mais complexo, mais imprevisível.
Só que a alternativa de ficar em casa não resulta.
E aqui penso, especialmente, nos 40% de desempregados jovens, porque serão eles, certamente, os mais preparados para assegurar o funcionamento das empresas que não existem, as que lhes garantiriam o tal emprego que não têm.
Então o que fazer? Mas uma empresa moderna não é um grupo de gente qualificada e organizada, capaz de entender o mercado, de desenhar produtos, de os produzir, satisfazer os clientes, e de se renovar diariamente?
Então o que falta? O pontapé de saída, porque apoios não faltariam, tenho a certeza.
Chamo a isso trabalhar para ganhar.
domingo, 30 de dezembro de 2012
2013
Hoje tive uma visão... 2013 é o primeiro ano do século XXI em que os quatro dígitos do ano são todos diferentes. Não sei se é uma boa notícia ou uma má notícia, mas uma coisa sei: a última vez que tal aconteceu foi em 1987, e esse ano não foi famoso. Nesse ano, Portugal assinou com a China o acordo de devolução de Macau, e em 19 de Outubro tivemos a famosa segunda-feira negra nos mercados.
2013 é um número mais bonito, é uma permutação de [0, 1, 2, 3], que não ocorria desde 1320, ano em que em Portugal reinava D. Dinis, um dos últimos portugueses a acreditar na agricultura e a lançar as bases para os séculos de glória que se seguiram. Deste ponto de vista, é mais animador...
E termina em 13, o número do azar para inúmeros povos, desde os Romanos e os Vikings aos Chineses, mas esse talvez seja um mal menor, ou mesmo um prenúncio de sorte!
Por isso, acredito piamente que as singularidades positivas se vão impor e que o próximo 2013 vão ser um ano particularmente favorável, em que vamos reconquistar a independência e começar a traçar o nosso próprio destino. Ou talvez não...
sábado, 29 de dezembro de 2012
Ignited Minds
"I dedicate this book to a child who is studying in class 12. Her name is Snehal Thakkar. On 11 April 2002 when I reached Anand by road in the evening, it was under curfew following communal disturbances. The next day, at the Anandalaya Hugh School, while talking to the students, a question came up: "Who is our enemy?"
There were many answers, but the one we all agreed was correct came from her: "Our enemy is poverty."
It is the root cause of our problems and should be the objectof our fight, not our own."
São as primeiras palavras de um livro cujo título é Ignited Minds, que comprei em 2005, na Índia, e cujo autor é A.P.J. Abdul Kalam, que muitos não conhecerão.
A.P.J. Abdul Kalam é um cientista indiano que, entre 2002 e 2007 serviu como 11º Presidente da Índia. Ouvi-o em duas intervenções dedicadas à aposta da Índia nos jovens, e ao papel dos jovens na construção daquele grande País. É um ser extraordinário, que coloca todo o seu esforço em levar os estudantes e os jovens a acreditar que valerá a pena serem cidadãos de uma India desenvolvida, e que para isso devem ser responsáveis e esclarecidos.
A India é um País imenso, com uma população de 1200 milhões de habitantes, pobre, independente desde 1947, que só um projecto com uma grande força será capaz de transformar numa nação nova e poderosa.
Noutro livro, India 2020: A Vision for the New Millenium, Kalam aponta o caminho do conhecimento para a construção dessa nova super-potência.
Controverso, como sempre é quem se propõe alterar o estabelecido, Kalam continuou depois do final do seu mandato o seu hábito de interagir regularmente com os jovens.
Considero este exemplo fantástico, e penso que em Portugal não será diferente, que o caminho será levar todos os jovens sem emprego, desmotivados, a acreditar neles próprios e a tomar nas suas mãos o seu futuro. Para que imagens como estas desapareçam definitivamente da India, e de Portugal.
There were many answers, but the one we all agreed was correct came from her: "Our enemy is poverty."
It is the root cause of our problems and should be the objectof our fight, not our own."
São as primeiras palavras de um livro cujo título é Ignited Minds, que comprei em 2005, na Índia, e cujo autor é A.P.J. Abdul Kalam, que muitos não conhecerão.
A.P.J. Abdul Kalam é um cientista indiano que, entre 2002 e 2007 serviu como 11º Presidente da Índia. Ouvi-o em duas intervenções dedicadas à aposta da Índia nos jovens, e ao papel dos jovens na construção daquele grande País. É um ser extraordinário, que coloca todo o seu esforço em levar os estudantes e os jovens a acreditar que valerá a pena serem cidadãos de uma India desenvolvida, e que para isso devem ser responsáveis e esclarecidos.
A India é um País imenso, com uma população de 1200 milhões de habitantes, pobre, independente desde 1947, que só um projecto com uma grande força será capaz de transformar numa nação nova e poderosa.
Noutro livro, India 2020: A Vision for the New Millenium, Kalam aponta o caminho do conhecimento para a construção dessa nova super-potência.
Controverso, como sempre é quem se propõe alterar o estabelecido, Kalam continuou depois do final do seu mandato o seu hábito de interagir regularmente com os jovens.
Considero este exemplo fantástico, e penso que em Portugal não será diferente, que o caminho será levar todos os jovens sem emprego, desmotivados, a acreditar neles próprios e a tomar nas suas mãos o seu futuro. Para que imagens como estas desapareçam definitivamente da India, e de Portugal.
| From Passagem pela Índia |
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Soneto quase inédito
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
José Régio, 1968
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
O vídeo do Professor Marcelo
Não sei o que terá passado pela cabeça do "famoso" professor Marcelo (Rebelo de Sousa), para querer passar na praça Sony, em Berlim, o seu vídeo. Parece que não conseguiu, mas está no YouTube, em três línguas, para vergonha nossa.
Esta velha ideia de que todos são culpados, menos nós, claro, é para mim completamente incompreensível, e só serve para branquear os políticos que nos "governaram" nos últimos 25 anos e que nos fizeram regredir até este estado deplorável em que estamos hoje.
O respeito por nós próprios exige que olhemos para o futuro de outra forma!
E que não inventemos histórias ridículas como aquela de que já temos uma rede para carregar as baterias dos carros eléctricos que os alemães ainda não nos fornecem...
O que hoje me apetece mesmo, é voltar à praça Sony, recordar Potsdam, caminhar até às portas de Brandenburgo, ir até ao rio Spree, e respirar aquela atmosfera de liberdade que lá se vive! Sem o vídeo do professor Marcelo!
Esta velha ideia de que todos são culpados, menos nós, claro, é para mim completamente incompreensível, e só serve para branquear os políticos que nos "governaram" nos últimos 25 anos e que nos fizeram regredir até este estado deplorável em que estamos hoje.
O respeito por nós próprios exige que olhemos para o futuro de outra forma!
E que não inventemos histórias ridículas como aquela de que já temos uma rede para carregar as baterias dos carros eléctricos que os alemães ainda não nos fornecem...
O que hoje me apetece mesmo, é voltar à praça Sony, recordar Potsdam, caminhar até às portas de Brandenburgo, ir até ao rio Spree, e respirar aquela atmosfera de liberdade que lá se vive! Sem o vídeo do professor Marcelo!
| From Berlin 2012 |
domingo, 28 de outubro de 2012
Para onde vamos?
Quando prescindimos de produzir dinheiro na Casa da Moeda e aderimos ao Euro, com uma taxa de conversão completamente errada, ainda por cima, ficamos completamente nas mãos de quem tem o dinheiro.
Basicamente, e pondo de parte o método usado por exemplo por Alves dos Reis anos atrás, ou pedimos emprestado ou trabalhamos. E como pedir emprestado nos coloca nas mãos dos nossos credores, a boa solução é mesmo trabalhar, produzir bens e serviços que valham, e transacioná-los.
Parece simples, mas não é. Por duas razões. Quê e quem?
No século XXI, com a desmateralização de uma parte da economia e a deslocalização da outra parte, grande parte dos bens e serviços transacionáveis incorporam informação e conhecimento em grande escala, seja directamente, seja por via indirecta. Um simples produto tradicional, turístico, cultural, gastronómico, só existe se chegar aos consumidores através das redes sociais, da Internet, dos novos espaços públicos onde hoje vivemos e trabalhamos.
Estaremos preparados para este choque? O drama é que não!
E se a única solução é trabalhar, será que a solução é compatível com o nível de desemprego que hoje temos? Será que é sustentável? Obviamente que não, também não!
Mas nada disto se resolve de um dia para o outro! Vai demorar muitos anos, uma geração ou mais. Muitas maratonas. Ao Governo cabe exactamente perceber estes problemas e implementar as medidas que nos permitam percorrer este caminho.
Basicamente, e pondo de parte o método usado por exemplo por Alves dos Reis anos atrás, ou pedimos emprestado ou trabalhamos. E como pedir emprestado nos coloca nas mãos dos nossos credores, a boa solução é mesmo trabalhar, produzir bens e serviços que valham, e transacioná-los.
Parece simples, mas não é. Por duas razões. Quê e quem?
No século XXI, com a desmateralização de uma parte da economia e a deslocalização da outra parte, grande parte dos bens e serviços transacionáveis incorporam informação e conhecimento em grande escala, seja directamente, seja por via indirecta. Um simples produto tradicional, turístico, cultural, gastronómico, só existe se chegar aos consumidores através das redes sociais, da Internet, dos novos espaços públicos onde hoje vivemos e trabalhamos.
Estaremos preparados para este choque? O drama é que não!
E se a única solução é trabalhar, será que a solução é compatível com o nível de desemprego que hoje temos? Será que é sustentável? Obviamente que não, também não!
Mas nada disto se resolve de um dia para o outro! Vai demorar muitos anos, uma geração ou mais. Muitas maratonas. Ao Governo cabe exactamente perceber estes problemas e implementar as medidas que nos permitam percorrer este caminho.
sábado, 20 de outubro de 2012
A hora da verdade
Tem de chegar. Vai chegar. Está a chegar. Chegou!
Dez anos de euro chegaram para mostrar que não há meias soluções, que não se pode viver à europeia e não ser europeu, com tudo o que isso significa.
Nesta Europa, inacabada, desconfiada, querer continuar, indefinidamente, a depender da generosidade dos outros, não é solução, e ainda bem, digo eu!
Percebemos agora que demos cabo de tudo, da agricultura, das pescas, das indústrias tradicionais, em troca de uma miragem traduzida nalguns milhões, que nunca produziram os efeitos prometidos.
Quando Francisco Van Zeller nos diz que um dos entraves aos estaleiros de Viana do Castelo é uma mão-de-obra "muito desatualizada e habituada a maus hábitos" está a pôr o dedo na ferida, está a perguntar como foi possível ignorar durante os últimos 25 anos este problema premente da valorização dos nossos recursos humanos, da sua preparação para o choque violentíssimo de uma nova economia à escala global, como foi possível passar ao lado?
Séculos de caciquismo, de corrupção, de aversão à educação, de uma tragédia a que não podemos fechar mais os olhos, e que os governantes que escolhemos não foram capazes de diagnosticar e, muito menos, resolver, não explicam tudo.
A verdade é que tivemos no governo gente impreparada, mais preocupada em servir-se do que em servir, que enriqueceu, que fez negócios escandalosos, e que não é sequer capaz de reconhecer que errou, que nos conduziu a uma situação insustentável, e que é preciso mudar tudo!
Agora, precisamos de um governo que nos motive a apertar o cinto para atravessar este deserto, quanto mais depressa melhor! Que pare com a hemorragia das PPP. Que adopte as medidas de emergência necessárias para reduzir drasticamente o nível de desemprego. Que não tenha medo de decisões arrojadas. E que nos ponha a trabalhar, trabalhar muito, a estudar, estudar muito, para que nunca mais aconteça!
Mas como? Poderá este sistema regenerar-se? É disso que se trata! É a hora da verdade!
Dez anos de euro chegaram para mostrar que não há meias soluções, que não se pode viver à europeia e não ser europeu, com tudo o que isso significa.
Nesta Europa, inacabada, desconfiada, querer continuar, indefinidamente, a depender da generosidade dos outros, não é solução, e ainda bem, digo eu!
Percebemos agora que demos cabo de tudo, da agricultura, das pescas, das indústrias tradicionais, em troca de uma miragem traduzida nalguns milhões, que nunca produziram os efeitos prometidos.
Quando Francisco Van Zeller nos diz que um dos entraves aos estaleiros de Viana do Castelo é uma mão-de-obra "muito desatualizada e habituada a maus hábitos" está a pôr o dedo na ferida, está a perguntar como foi possível ignorar durante os últimos 25 anos este problema premente da valorização dos nossos recursos humanos, da sua preparação para o choque violentíssimo de uma nova economia à escala global, como foi possível passar ao lado?
Séculos de caciquismo, de corrupção, de aversão à educação, de uma tragédia a que não podemos fechar mais os olhos, e que os governantes que escolhemos não foram capazes de diagnosticar e, muito menos, resolver, não explicam tudo.
A verdade é que tivemos no governo gente impreparada, mais preocupada em servir-se do que em servir, que enriqueceu, que fez negócios escandalosos, e que não é sequer capaz de reconhecer que errou, que nos conduziu a uma situação insustentável, e que é preciso mudar tudo!
Agora, precisamos de um governo que nos motive a apertar o cinto para atravessar este deserto, quanto mais depressa melhor! Que pare com a hemorragia das PPP. Que adopte as medidas de emergência necessárias para reduzir drasticamente o nível de desemprego. Que não tenha medo de decisões arrojadas. E que nos ponha a trabalhar, trabalhar muito, a estudar, estudar muito, para que nunca mais aconteça!
Mas como? Poderá este sistema regenerar-se? É disso que se trata! É a hora da verdade!
domingo, 14 de outubro de 2012
Políticos de aviário
Portugal é um País com um problema estrutural tremendo, resultado de anos e anos de desprezo pela educação e desenvolvimento cultural, que hoje está na cauda da Europa por exemplo num indicador crítico como é a percentagem da população entre os 25 e os 64 anos com o ensino secundário completo. Vale a pena estudar os números do PISA - OECD Programme for International Students Assessment, para se ter uma ideia da dimensão do problema, que demorará muito tempo a resolver e exigirá um esforço muito grande de todos.
Mas sem esse problema resolvido, não será fácil sermos na Europa um entre iguais, não será fácil resolvermos o problema do desemprego, que gera mais desemprego, que castiga de igual modo os que trabalham e os que não trabalham, uns porque têm de pagar mais impostos e outros porque estão condenados à dependência de um orçamento de Estado cada vez mais exíguo.
Não consigo perceber como políticos sérios são capazes de passar pelas cadeiras do poder sem tremer com este problema, sem colocar este problema no centro de todas as prioridades, sem procurar unir os portugueses em torno de um projecto para uma geração, em prol da educação, da cultura, da cidadania, realizado com o apoio de todos, sem hesitações, com a certeza de que é o único caminho que nos permitirá recuperar a nossa independência.
E também sem encontrar uma resposta de emergência ao problema do desemprego, que devolva às pessoas um sentimento de utilidade que é absolutamente indispensável, nem que seja trabalhando menos, mas trabalhando todos.
O problema está nos políticos que nos "governam", nos quais votamos sem os escolher, por virtude de um sistema político anacrónico, que defende a preponderância dos partidos sobre a sociedade, que gera a indiferença, que abre as portas a soluções autocráticas indesejáveis.
Mas alguma coisa estamos a aprender todos os dias: a necessidade de reformar completamente o nosso sistema poliítico, de livrar este País de políticos de aviário, que se servem, mas que não servem.
Deste ponto de vista, as notícias de hoje são assustadoras.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
A indiferença
Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.
(Uma das muitas versões de um sermão de Martin Niemöller, muitas vezes atribuída a Bertolt Brecht)
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.
(Uma das muitas versões de um sermão de Martin Niemöller, muitas vezes atribuída a Bertolt Brecht)
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Este governo já não interessa nada!
Este governo começou por ter o projecto de salvar o País. Agora luta desesperadamente para se salvar. Mas os problemas são muitos, e não se resolvem com números, com orçamentos, com impostos, nem com dinheiro. Nem saindo do Euro.
Há um problema tremendamente complexo chamado Europa. Lembremo-nos apenas da paz de Westphalia, da complexidade dos tratados que foram assinados naqueles tempos, e dos problemas de hoje, dos Balcãs, da Bélgica, da Itália, de Espanha, do Euro, do projecto da Europa das regiões, desta incapacidade de perceber que numa rede todos os nós são importantes, que se um perde, perdem todos.
E há um problema Português, antigo de séculos, que não fomos capazes de resolver com a adesão à Comunidade Económica Europeia, porque aceitamos trocar a nossa agricultura, a nossa pesca, a nossa indústria tradicional, por alguns milhões, que deveriam ter sido utilizados na formação das pessoas e na reconversão da nossa base produtiva, mas que uma dúzia de "espertos", que todos sabemos quem são, descaradamente desviou para os seus bolsos.
E com a taxa de conversão do escudo em Euro, arruinamo-nos definitivamente.
Nenhum País aguenta, e muito menos se desenvolve, com o nível de desemprego que daqui resultou, com os maus hábitos gerados, sem investimento em empresas produtivas que sejam capazes de dar emprego a quase um milhão de pessoas com baixa formação, que nos devia envergonhar. Na Europa, estamos atrás de todos.
Mas vemos no nosso "governo" uma única pessoa capaz de enfrentar estes desafios? Eu, não!
É este o problema.
E temos recursos humanos, e institucionais para o ultrapassar? Um projecto nacional, que mobilize as nossas forças, em nome de um futuro melhor para as próximas gerações? Com certeza!
Subscrever:
Mensagens (Atom)

