segunda-feira, 21 de julho de 2014

O logro da tecnologia

O discurso de hoje, aquilo que a maior parte das pessoas pensa e diz, a todos os níveis, esquece que a tecnologia é um produto da mente humana, e deve estar ao seu serviço.
Pelo contrário, as pessoas aparecem como que "escravas" da tecnologia, do seu uso, independentemente da utilidade que lhe atribuam, e desvirtuando completamente a noção de tecnologia como servindo de apoio à sua actividade.
Encontro todos os dias casos deste endeusamento da tecnologia, com consequências e custos gravíssimos, ainda por cima mal compreendidos pelos fautores dos excessos.
As tecnologias educativas serão um dos exemplos que melhor conheço, mas poderíamos falar também das tecnologias médicas, por exemplo.
A confluência de vendedores de produtos tecnologicamente "avançados" com utilizadores com expectativa de melhorar a forma como realizam as as suas tarefas profissionais, e com o dinheiro de terceiros, normalmente dos nossos impostos, produz uma mistura explosiva, de que tanto pode resultar distribuir milhares de quadros interactivos multimédia pelas nossas escolas do ensino básico e secundário, ou computadores pelos nossos tribunais, ou equipamentos que nunca serão utilizados por certos hospitais.


E assim, hoje, não se olha para o doente, prescreve-se uma bateria de exames, não se ensina aos estudantes a vantagem de um suporte visual para comunicar com uma audiência, ensina-se Prezi acefalamente, porque é moda, não se pensa como despertar o pensamento computacional nos nossos miúdos, dá-se-lhes Scratch.
No entanto, a tecnologia é absolutamente indispensável para que possamos deixar de ser um País de escravos dos processos, da produção, da produtividade, para sermos um País da criatividade e da concepção, da valorização dos nossos recursos.
Só que este pequeno clique, esta mudança de mindset, requere que se pense, que se compreenda que as nossas atitudes, as nossas decisões, estão para além de todos os decretos do governo, mas resultam do exemplo, da influência, das redes, da vontade de perceber, e é isso que falta.
A tecnologia vem logo a seguir.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Depressa e devagar

Eu, que em quatro décadas conclui um curso de Engenharia Electrotécnica com uma ou duas aulas sobre transistores dadas por um professor que só sab(er)ia de válvulas, que iniciei o ensino e a aprendizagem de Electrónica do Estado Sólido na Faculdade de Engenharia, que recebi e folheei por essa altura a primeira edição do primeiro catálogo da Intel com o microprocessador de 4 bits Intel 4004, que fui co-autor do primeiro projecto de um computador digital realizado na FEUP, que fui adepto do Z80, que me apaixonei pela digitalização e pelo Processamento Digital de Sinal, que explorei até ao limite a utilização de múltiplos microprocessadores de sinal no processamento de sinais bioeléctricos, que trabalhei com o grande computador de Manchester, em que podia submeter programas ao ritmo de um por dia (!), que colaborei, em Portugal, no desenvolvimento de um equipamento de processamento de sinais electrofisiológicos de topo, que acompanhei todos os desenvolvimentos de microprocessadores Motorola, Intel, AMD, de 4, 8, 16, 32, e 64 bits, que comecei a usar e-mail ainda nos anos 80, com o sistema Eurokom, da Comissão Europeia, que estive no projecto do Centro de CIM do Porto, que enquanto durou formou dezenas de engenheiros de produção e sistemas, que comecei a utilizar a Internet na sua hora zero, com modems a 14.4 kbit/s, e com modems de cabo em casa, e depois ADSL, e agora fibra, que vi os primeiros Macs, o DOS, o Windows, a Google, o Facebook, que trabalhei em dezenas de projectos de cooperação internacionais e nacionais, que descobri o potencial dos sistemas com inteligência distribuída, das redes, dos sistemas complexos, da análise de dados e visualização da informação, até chegar à Social Physics, by Alex Pentland, ao big data, às portas de um novo mundo, respiro fundo e penso.
Passou tudo tão depressa que quase ninguém se apercebeu do que ia acontecendo, dos passos de gigante que iam sendo dados, da lógica das coisas, das implicações na nossa vida do dia a dia, do emprego e no desemprego, da velocidade das transacções, da globalização, do número exponencialmente crescente de intervenientes nos mercados, dos novos fluxos, não de materiais, ou de energia, ou de informação, mas sim de ideias, que se espalham e ganham as pessoas segundo regras e leis que só agora começam a ser estudadas. Mas sempre com a sensação de que tudo passou devagar, que muito mais e melhor poderia ter sido feito no mesmo tempo...


O mundo é diverso, mas hoje está ao nosso alcance como nunca esteve, desde que saibamos mobilizar as nossas competências, a nossa imaginação e a nossa curiosidade. Nunca foi tão fácil.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O velho e o novo

Durante muitos anos ninguém se interrogou sobre o facto de os automóveis serem todos iguais, e pretos. Era assim. Não se discutia. Até que se começou a discutir, e a pensar, e a automatizar a produção, e a criar um vínculo entre cada automóvel na linha de montagem e o seu futuro dono, de tal modo que hoje nos surpreendemos só de pensar que já não foi assim.
O mesmo com os sapatos, onde havia muito poucos modelos diferentes, porque uma linha de montagem de sapatos teria de produzir sapatos em número suficiente para amortizar cada colecção de cortantes, ou seja, umas boas cenenas de milhares. Até que apareceram as máquinas de corte por jacto de água, e lá se foram os cortantes, e todas essas restrições, podendo os sapatos agora ser produzidos ao gosto de cada cliente, sem grande aumento de custo.
E até no ensino, cada vez mais focado no aprender, no aluno, no "consumidor", e não no professor, no ensinar, no debitar das matérias do currículo nacional de uma forma mecanizada. Embora aqui ainda haja um longo caminho a percorrer até chegarmos à escola sem papéis, sem os velhos manuais, pesados, mal tratados, rabiscados pelos alunos, cheios de erros, a pedir que os substituam por manuais electrónicos, que se actualizam como qualquer aplicação para um tablet, que registam a actividade de cada um, que comparam, que avaliam as actividades propostas, que tratam individualmente cada aluno, de um modo personalizado, e colocam a cada um os desafios mais motivadores.
Na Internet, que passou em meia dúzia de anos dos velhos sítios com conteúdos gerados pelos seus criadores, para os novos espaços públicos onde os conteúdos são gerados pelos utilizadores, como no Facebook, onde cada um tem a sua cronologia e interage com quem quer, num espaço pessoal, seu, e em todas as aplicações de que gostamos.
Na organização do trabalho, em que a ideia de colaborar, de fazer em conjunto, uma coisa indefinida, uns escondidos atrás dos outros, foi substituída pelo conceito de cooperar, em que o objectivo é decomposto em tarefas que são distribuídas pela equipa, sabendo cada membro exactamente o que lhe compete fazer e como o sucesso do todo depende da sua parte.
Até no software, nos sistemas multi-agente, por exemplo.
Mas não é assim na política entre nós. Não nos propõem contratos claros entre eleitores e eleitos. Oferecem-nos listas, tudo a monte, em que não sabemos quem vai fazer o quê, ou representar quem.
E é por isso que, por toda a Europa, os cidadãos preferem propostas claras aos velhos partidos de massas, das listas, do tudo a monte, e é isso que tem de ser mudado. Que vai ser mudado, quer os partidos queiram quer não.
Talvvez construindo sobre os movimentos que aqui e agora vão emergindo, vão propondo caminhos novos.
Primárias abertas nos partidos. Porque não? Círculos uninominais. Quando? Qual é o medo?

domingo, 18 de maio de 2014

Dia 1 do pós-troika: tudo igual?

Não! Não está tudo igual. Está tudo pior. Porque ainda não começamos sequer a pensar como vamos recuperar da destruição da nossa agricultura e indústria tradicionais, em troca de uns milhões que foram parar a alguns bolsos, recuperar dos investimentos faraónicos permitidos pelo dinheiro fácil, e recuperar desta armadilha chamada Euro, destes quase trinta anos trágicos em que sonhamos que tudo seria possível como num milagre.
Entretanto, o mundo mudou e muda todos os dias, transformando-se rapidamente numa economia baseada na robotização, na automatização e no conhecimento, na substituição de postos de trabalho ocupados por pessoas menos qualificadas por máquinas, por soluções globais, que atravessam as fronteiras, sem que quem tem a obrigação de estar atento, os sindicatos em primeiro lugar, avance com soluções que tirem partido deste fenómeno para reduzir as horas ou os dias de trabalho semanal de cada trabalhador, que distribua o trabalho existente por todos os trabalhadores disponíveis, avaliando, remunerando melhor quem trabalha melhor, mas mantendo todos saudavelmente ocupados.
E tempo livre significa lazer, indústrias do lazer, novas actividades que poderão mudar a forma como trabalhamos e como usamos o nosso tempo livre, que terá de ser em formas de convívio entre os concidadãos, que contribuam para a construção de uma nova identidade, baseada nos conceitos fundadores da fraternidade e da soidariedade.
James Altucher aponta estes problemas no seu livro Choose Yourself, de que faz aqui uma breve apresentação

O problema é muito simples: cada um tem de fazer a sua própria escolha, tem de melhorar, tem de ter uma ideia por que lutar, um programa de vida. E o colectivo também. Não acredito que os actuais líderes dos dois maiores partidos sejam capazes de compreender sequer o problema. Basta-lhes salvar os seus lugares na máquina do Estado, por mais pobre que esteja ou seja.

sábado, 3 de maio de 2014

Precisamos de gente que pense

Admiro os "economistas", estes seres oriundos sabe-se lá de onde e que acham que a conta de dividir e a regra 3 simples chegam para entender o funcionamento do mundo, por mais complexo que aos outros pareça.
E se não resulta, obviamente que a culpa é dos outros, daqueles que passaram a consumir menos, ou que passaram a trabalhar menos, ou que perderam o emprego, e nunca do modelo simplificado que consideraram, um daqueles em que só se pode alterar uma variável de cada vez.
Qualquer pessoa sabe que se aumentarem os impostos o rendimento disponível diminui e o consumo também, podendo facilmente as receitas dos impostos diminuir, em vez de aumentar. Os "economistas" não.
Qualquer pessoa sabe que a receita para combater o desemprego não é de certeza aumentar o horário semanal daqueles que ainda têm emprego, mas precisamente o contrário. Os "economistas" não.
Qualquer pessoa sabe que a automatização, a robotização, a desmaterialização da economia, eliminam postos de trabalho com menor exigências de qualificação, e que as pessoas que os perdem só muito dificilmente encontrarão outro emprego na sua vida. Os "economistas", não. Não é com eles.
Qualquer pessoa sabe que deslocalizar a produção em massa de bens para países de mão de obra barata se vira a curto prazo contra os países que esvaziam o seu tecido produtivo. Os "economistas", esses não.
Não precisamos destes "economistas", mesmo que tenham ganho prémios Nobel, não precisamos de tantas opiniões sobre o que devíamos e não devíamos ter feito.
Precisamos de gente que pense pela sua cabeça, que tenha ideias credíveis, que tenha a noção de como as pessoas normais decidem e reagem, e que as mobilize, em nome da melhoria generalizada da qualidade de vida que está ao nosso alcance.
E devo dizer que não me parece muito complicado, para quem viu grandes mudanças como a fixação do salário mínimo nacional, como o fenómeno dos "retornados" ou como a reunificação da Alemanha. Que aconteceram porque ninguém pediu a opinião a nenhum economista... Haja coragem. Haja gente com coragem!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O caos é uma ordem por decifrar

A história, a nossa história, foi e é escrita pelos milhares de milhões de seres humanos que já viveram e vivem no planeta, uns 108 mil milhões segundo algumas estimativas. O que somos, o que fizemos, o que deixamos de fazer, depende das decisões que todos tomamos, de fazer, seguir, concordar, discordar, ignorar, contrariar ou mesmo esquecer. Não há forma de algum de nós alijar a sua responsabilidade neste todo!
Não há um maestro que tudo determine, o maestro somos nós, a nossa tábua de valores, o respeito pela vida, liberdade e bem estar de todos. A nossa força, a nossa garantia de sobrevivência, residem exactamente nesta complexidade, neste conjunto gigantesco de interdependências e de interacções, que nenhum individualmente será capaz de controlar de uma forma continuada. É o que nos ensina a história.
Entretanto, o mundo vai ficando cada vez mais pequeno, estamos a construir um novo espaço público, a Internet, hoje usada por mais de um terço de toda a humanidade, onde a distância não conta, onde a informação circula à velocidade da luz, onde nos relacionamos de um forma completamente nova.
Esta construção é contudo humana, produto da nossa mente, das nossas mentes, e não se impõe por si. Não somos escravos. Não queremos saber o programa que está dentro de cada um de nós. Queremos acreditar que haverá sempre uma ordem por decifrar.
("O caos é uma ordem por decifrar", in José Saramago, O Homem Duplicado)

sábado, 5 de abril de 2014

E se as pessoas fossem remuneradas pela sua disponibilidade?

Aquilo que me parece muito errado por exemplo para a remuneração das PPP das ex-SCUT - de acordo com a disponibilidade das AE e não do tráfego efectivamente verificado, desde que não exceda um determinado valor - e que foi uma porta para contratos ruinosos, assinados por políticos que sabiam que estavam a favorecer interesses privados, já me parece bem para as pessoas.
Para simplificar, imaginemos uma profissão, sei lá, empregado de mesa, em que há um determinado nível de desemprego, que origina uma fila de espera para a obtenção de emprego, constituída por todos os desempregados dessa profissão, numa determinada área geográfica.
Estes desempregados são um pouco fruto do acaso, e não do seu demérito, estão disponíveis para trabalhar tal como os seus colegas empregados, poderão até ser mais competentes, e não se percebe que seja penalizados por algo que não lhes diz respeito.
A pergunta que coloco é pois, porque não são remunerados por essa disponibilidade, por um valor equivalente?
fonte: oinsurgente.org 
Imaginemos um sector em que 15% da mão de obra disponível está desempregada.
Todos estes desempregados teriam trabalho se cada um cedesse 15% do que tem, eventualmente, como eu defendo, sem prejuízo, uma vez que os custos seriam coberto pelas economias no subsídio de desemprego e em toda a máquina burocrática associada.
Bastaria, por exemplo, rodar as pessoas de tal modo que o trabalho fosse distribuído por todos de uma forma equitativa, obrigando cada um, por exemplo ao fim de 11 meses de trabalho, a dar o lugar ao primeiro da lista de espera e a tomar o lugar do último dessa lista, sendo certo que a sua vez chegaria dentro de dois ou três meses, em função do nível de desemprego no sector.
Entretanto, cada trabalhador seria sujeito a uma avaliação no fim de cada período de trabalho, que lhe permitiria ver ajustada a sua remuneração neste mercado virtual, para cima ou para baixo, de acordo com a sua competência.
Não havendo nada mais compensador para quem quer trabalhar que saber que a sua vez chegará, num sistema equitativo e transparente, em que, no fundo, o desemprego acaba por ser absorvido por umas férias mais longas de cada um, parece-me que este sistema poderia desbloquear muitos fantasmas de emprego e de desemprego, com vantagens evidentes, criando novos factores competitivos, abrindo portas a um melhor usufruto do lazer, e expurgando a sociedade desta noção mentirosa de desempregado, que não tem emprego, que não serve para nada.
Excluídos ficariam automaticamente os incapazes, merecedores do nosso apoio, e aqueles que realmente não querem trabalhar, que acham que são os outros que os devem sustentar, e para os quais um apoio mínimo será talvez de mais.
Não estará na altura de mudarmos de paradigma?

terça-feira, 1 de abril de 2014

Deplorável!

Será que um dia aprenderemos a depender apenas do nosso esforço, sem andar atrás de miragens, da Índia, de África, do Brasil, da Europa, do Euro, da reestruturação?
Será que um dia vamos tomar conta do nosso destino, pensar, encontrar um lugar, fazer?
Será que um dia vamos olhar a sério para nós próprios, para o mal que fazemos a nós próprios, na educação, no património, na justiça, na saúde?
Será que um dia nos livramos dos que se governam, dos que se especializaram em viver à custa dos nossos impostos, dos que singram impunemente, à nossa frente, sendo mais depressa aplaudidos que punidos?
Será que um dia vamos perceber que não há salvadores, não há receitas milagrosas, não há fórmulas para o crescimento económico?
Será que um dia vamos perceber que o mundo mudou, que a economia não é comandada pela produção, que estamos em pleno século XXI, numa sociedade global, cada vez com menos fronteiras, cada vez mais aberta?
Será que um dia nos libertaremos dos estigmas do passado, das contradições entre mais automação e mais emprego, da ideia de um Estado omnipresente e omnipotente?
Receio bem que não, que vamos continuar a preferir não mexer, não mudar, e esperar, que o pior não seja muito pior, sem tocar em nada de essencial, a começar pelo sistema político, por este exército de políticos incompetentes, que nada faz, que nada muda, que não sabe, que não sabe que não sabe.
E há tanto a fazer, há tanto que se pode fazer já, que é preciso fazer já, que não pode esperar nem mais um minuto!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

2014

Muito se tem falado ultimamente em ajustamento, que é basicamente o que estivemos a fazer para mostrarmos aos nossos credores que podem acreditar em nós, que vamos cumprir com os nossos compromissos.
Foi por isso que o Estado teve de ajustar as suas receitas e despesas de uma forma brutal, desajeitada, criando receitas e cortando despesas de forma normalmente atabalhoada, mas preparando-se agora para entrar em 2014 de cabeça levantada, com um orçamento em que a receita primária cobre basicamente a despesa obrigatória e os encargos da dívida não andam longe de encaixar no défice negociado para 2014.
Não é uma situação brilhante, pois os cortes realizados foram muitas vezes à cega, originando situações de dificuldade extrema em alguns grupos sociais, e realmente temos uma dívida acumulada gigantesca, disforme, resultado do esbanjamento/desvio de dinheiros públicos para uma política de semear dinheiro, para cursos do FSE mais ou menos virtuais, para obras de regime como o Euro 2004, para uma rede de auto-estradas criminosa, para PPPs feitas sobre o joelho, para negociatas como a do BPN/SLN, obra prima do bloco central de interesses que nos tem governado, que será muito difícil pensarmos em amortizar essa dívida nos tempos mais próximos, pelo que teremos de contrair novos empréstimos à medida que os actuais vencem.
Mas estamos em condições de parar para pensar, como estão a fazer os Irlandeses.
Deixando a discussão da legimidade da nossa dívida total para daqui a mais algum tempo, é altura de acertamos os ajustamentos feitos no sentido de uma maior justiça social, e de apontarmos todas as baterias para o crescimento, e nomeadamente para a educação dos mais jovens. investindo aqui todos os parcos recursos que seja possível libertar.
Só que este primeiro passo, decisivo, exige, quase como condição previa, um governo de gente séria, em que em vez de profissionais de política, tenhamos cidadãos comprometidos, como parece que começa a ser possível vislumbrar.
Saúdamos 2014 como o possível ano da mudança, da esperança, do fim da loucura destes anos em que um grupo de especuladores, com a cumplicidade de governos incompetentes, quase destruíram Portugal e o Mundo ocidental.
Será? Vamos a isso!

domingo, 24 de novembro de 2013

Prova dos nove

Na minha opinião, não há profissão de maior responsabilidade que a de professor do ensino básico ou secundário.
Os jovens crescem e aprendem com os Pais e a família, com a sociedade em que vivem e com os seus professores e colegas, na Escola. Os jovens, todos os jovens, encontram um grande número de professores ao longo dos doze anos de escolaridade obrigatória, que serão, para o bem e para o mal, exemplos de vida que os marcarão durante muitos e muitos anos.
Os professores serão, ou deveriam ser, os mais preparados para ajudar os alunos a aprender, para além das matérias constantes dos currículos obrigatórios, a ser cidadão, a ser capaz de pensar e de ter opinião própria, a perceber como se organiza e cria o trabalho, como funciona a sociedade em geral, como se processa a sua evolução.
Marc Prensky, o homem que propôs o conceito de nativos digitais, dizia há bem pouco tempo no seu Twitter que "os professores não ensinam as matérias, ensinam os alunos"! Inteiramente de acordo. Alunos que convivem com a sociedade global de uma forma que a maior parte dos professores não compreende, e que muitos rejeitam, mas que é a realidade.
Se olharmos para a nossa história recente, reparamos que a nossa Escola, pesem embora os Magalhães, os quadros interactivos, os planos tecnológicos, não foi capaz de acompanhar a evolução social, o que faz com que muitos alunos rejeitem a Escola como espaço de convivência, de alegria, de busca de oportunidades.
As tecnologias, que muitos usam simplesmente para fazer as mesmas coisas do passado de uma forma diferente, e mais complicada, e não para fazer coisas novas, que sem as tecnologias seriam impossíveis, nunca foram vistas de uma forma transversal, e acabaram por remeter os professores de Tecnologias de Informação e Comunicação para um canto.
Michael Gove, Ministro da Educação do Reino Unido, fez em 11 de Janeiro de 2012 um discurso notável, que deveria ser leitura obrigatória para todos os educadores, e que se foca especificamente nesta questão. Como ele diz a determinada altura, "imagine the dramatic change which could be possible in just a few years, once we remove the roadblock of the existing ICT curriculum. Instead of children bored out of their minds being taught how to use Word and Excel by bored teachers, we could have 11 year-olds able to write simple 2D computer animations using an MIT tool called Scratch. By 16, they could have an understanding of formal logic previously covered only in University courses and be writing their own Apps for smartphones".
O currículo de TIC como factor de bloqueio! Pois é! E basta olhar para a história do nosso grupo 550 para percebermos que assim é! TIC deveria tratar de informação, de processamento de informação, de abstracção, de raciocínio abstracto, de despertar nos jovens o gosto por fazer coisas mais difíceis, por ir para além dos limites.
Infelizmente há professores que não estão à altura destes desafios. E daí, uma simples prova de avaliação de conhecimentos e capacidades que é um teste elementar da capacidade de raciocínio de cada um que quer ser professor assusta tanto.
E depois admiramo-nos de 435 000 jovens que nem estudam nem trabalham. É que para trabalhar é preciso trabalho, e para haver trabalho tem de haver empresas competitivas, e para haver empresas competitivas tem de haver jovens que sabem o que querem, e para isso é preciso bons professores...

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O pecado original

Acho curioso que ninguém questione a taxa de conversão utilizada quando trocamos os nossos escudos por euros, quando me parece mais ou menos evidente que utilizamos uma taxa de conversão muito errada, e que está na origem de muitos dos problemas que hoje enfrentamos.
A cotação de 200.482 escudos por euro significou por um lado que os rendimentos e as economias de cada um foram transformadas em euros àquela taxa e que os preços foram convertidos em euros à mesma taxa, mas tudo isto com um efeito que, a meu ver, e já aqui o escrevi váras vezes, foi catastrófico, pelo simples facto de o euro ser uma moeda europeia e de os nossos preços em euros terem de competir com os preços em euros dos mesmos produtos noutros países, nomeadamente em Espanha.
Todos nos lembramos como os nossos produtos tradicionais, a carne, o leite, os cereais, ficaram automaticamente fora do mercado, levando-nos a fechar as nossas unidades de produção e a importar dos nossos vizinhos a um preço mais barato!
Se tivessemos adoptado uma taxa de conversão de 250 escudos por euro, por exemplo, tudo funcionaria na mesma, em valores relativos, só que os nossos preços em euros ficariam 20% mais baratos, podendo nós passar a a exportar leite, e outros produtos, em vez de os importar, de Espanha e de França, beneficiando as grandes cadeias de distribuição.
Tuda na mesma, não! Os capitais, os depósitos, também seriam reduzidos de 20%, para desgosto de alguns... e dos nossos vizinhos, também, que deixariam de contar com estes novos ricos que se começaram a endividar para sobreviver, e que assim continuaram.
O chamado ajustamento, no fundo a reposição do valor da nossa moeda antiga, mais de dez anos depois, é agora muito doloroso, e possivelmente inglório, e nunca reproduzirá o crescimento harmonioso que um ponto de partida diferente teria permitido.
Porque não foi assim?
Basta ver quem negociou a adesão e quem beneficiou com os erros cometidos, para o percebermos.


sábado, 12 de outubro de 2013

Um cidadão global

Atrevo-me a dizer que atravessamos um tempo único, a que uns chamam crise, porque pensam ou querem que pensemos que é uma coisa passageira, mas que é efectivamente uma mudança brutal de paradigma, sem regresso.
Mudança de paradigma, de mentalidades, de um mundo centralizado, de cidadãos obedientes, cegamente obedientes, como a História nos mostra, para um mundo de cidadãos informados, uma sociedade informada, em que cada um decide pela sua cabeça, para o bem e para o mal.
E sem regresso, porque quem descobre o prazer de decidir o seu próprio destino não quererá nunca mais regressar ao passado, ao mundo obscuro dos que sabem e dos que obedecem.
Estamos na hora das redes, das redes informais, das dinâmicas sociais, dos fenómenos virais, da formação quase instantânea de opiniões que escapam aos velhos poderes, do falhanço dos modelos económicos baseados na oferta, da emergência de uma infinidade de novas oportunidades para que a maioria ainda não está preparada.
E estamos na hora de mudar o sistema político e a escola, o sistema político porque não se tem mostrado capaz de gerar governos que entendam o que se está a passar e que proponham estratégias que nos permitam preparar-nos para os grandes desafios, e a escola porque será aí, com os jovens, que as grandes transformações se poderão materializar.
Basta olharmos para os países que nos podem servir de exemplo para percebermos o atraso em que nos encontramos, e que é cada vez maior, infelizmente.
Um cidadão hoje tem de ser global, tem de olhar, ouvir, e comunicar com o mundo, tem de dominar línguas, tem de entender as novas formas de viver e de trabalhar, tem de saber usar os recursos infindáveis que a Internet lhe oferece, tem de estar informado, tem de aprender sempre.
Notam-se alguns sinais de mudança, nas novas empresas que florescem um pouco por toda a parte, no dia a dia nas ruas,  nos resultados das eleições autárquicas.
Mas a mudança será lenta, geracional, difícil, com custos, que temos de saber minorar.
Os políticos passam e as pessoas ficam.

sábado, 21 de setembro de 2013

NEET

Tudo tem uma sigla. Tudo o que é mau tem uma sigla.
Nos países da OCDE, fala-se repetidamente dos NEET, das pessoas neither in employment nor in education or training, que nem trabalham nem estão em educação ou formação, e especialmente das pessoas NEET no escalão etário 16-24 anos.
É obrigatório olhar para Education at a Glance 2013 - OECD Indicators.
Não é fácil encontrar estes números para Portugal. Encontrei números globais, e tabelas em que não ficamos muito bem. E encontrei números detalhados para a Inglaterra, por exemplo, que mostram o rigor que o público exige na análise do desempenho do seu sistema educativo.
E descobri também um mapa interactivo interessante no The Guardian.
A nossa indiferença perante estes indicadores revela bem o que se passa com os nossos jovens, que, abandonados à sua sorte, sem confiança nas ajudas da família, da escola, da sociedade, têm dificuldade em tomar as melhores decisões e em fazer as melhores escolhas, e em mais de metade dos casos optam por não ir além do ensino secundário.
Só há uma maneira de resolver este problema, e que consiste em dar aos jovens as ferramentas, a autonomia, a responsabilidade, o pensamento crítico, a criatividade, a exigência que lhes permita fazer escolhas informadas.
Não vale a pena tentar adivinhar as necessidades do País, nunca conduziu a nada, nem criar vagas nos cursos para aproveitar os recursos existentes, pois isso tende a reproduzir o inútil.
Só há um caminho. Por um lado, terminar com o numerus clausus no ensino superior, deixar as escolas oferecer os melhores cursos, promover os politécnicos do interior para que possam fixar os jovens e as populações, e interagir com os nossos vizinhos espanhóis. E por outro criar toda uma nova aposta no ensino secundário, com professores preparados, focados nas competências essenciais, comunicar, escrever, ter identidade, conhecer o território, saber viver em rede e com as redes, ter as ferramentas essenciais para saber escolher e decidir, para que mais jovens se entusiasmem e decidam pelo ensino superior, por animar as universidades e politécnicos, com projectos exigentes e desafiantes.
E está no hora de começar a preparar o próximo ano lectivo!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Chegou a hora de fazer?

Todos sabemos que chegamos a um ponto da nossa caminhada colectiva, em Portugal, no mundo, em que não sabemos nem para onde ir nem como recuar até um ponto anterior, mais ou menos seguro, onde possamos pensar sobre o caminho a seguir.
Era bom podermos fazer esse regresso ao passado, talvez até aos últimos anos do século XX, em que tudo parecia correr bem, em que havia emprego, indústria, esperança...
Efectivamente, já estava tudo mal, já ninguém sabia como conciliar uma nova revolução industrial baseada nas tecnologias da sociedade da informação, na automação e na robótica, no desmantelamento das grandes unidades industriais, e na Internet, na globalização da economia, na desmaterialização, com uma população mal preparada para a mudança, com escolas e professores a tentar resistir a essas mudanças, com governos impreparados, a apostar em velhas ideias para resolver problemas novos.
Mas talvez pudessemos começar pelo princípio, pelos jovens, pelos jovens que irão ser professores dos jovens, e construir uma sociedade mais confiante, mais solidária, mais capaz de apostar no futuro e de criar mod(el)os de vida mais viáveis, baseados na circulação da informação e do conhecimento, assentes nos nossos recursos e na sua valorização.
E dar valor aos mais séniores, àqueles que o sistema atira bruscamente para a reforma, sem pensar por exemplo num modelo gradual de reforma parcial que lhes permita passar os seus saberes aos mais jovens de uma forma institucional e inteligente.
Utopia? Não! Fácil de pôr em prática? Também não. Inevitável? Sim, se queremos que a humanidade sobreviva de uma forma digna, pacífica, ordenada, aos desafios que se avizinham.
Deixo aqui uma ideia, simples de realizar, com poucos recursos, e que consiste em reunir jovens desempregados e séniores reformados em equipas mais ou menos homogéneas a quem é colocado o desafio de se organizarem em empresas viáveis e de as colocar em movimento.
Há tantos espaços, em todas as cidades e vilas, desde centros comerciais abandonados até escolas e tribunais sem uso, que poderiam ser os embriões destas novas empresas.
Para fazer o quê? Mas quem melhor que elas para o determinarem?
E o dinheiro necessário será mínimo.
Alguém quer conversar sobre isto num dos próximos dias?

sábado, 8 de junho de 2013

A espera

E aqui estamos nós, em pleno século XXI, dois anos depois do resgate, à espera! De quê? Ninguém sabe. Provavelmente à espera de alguém que saiba de que estamos à espera!
E cada dia a situação vai-se agravando, empresas fecham, desemprego cresce, dívida aumenta, jovens fogem, tudo se degrada, e não há ideias, não há projectos, não há uma luz, uma esperança, uma certeza, um sinal, que nos anime, que nos diga que estamos no caminho certo.
E cada dia cresce em nós a necessidade de mudar, custe o que custar, de romper com este marasmo, de começar de novo, com outra gente, de mãos limpas, como outras vezes fizemos na nossa História.
Vai acontecer, fatalmente, mais cedo ou mais tarde.
Barabási, no seu livro Bursts, em que estuda os padrões de comportamento humano, retrata a espera como um estado em que a acção desbloqueadora se vai impondo, até atingir um nível de prioridade que a desencadeie, até que se esgote a paciência, diria eu.
Há uns tempos, num dia de muita chuva, fiquei preso num engarrafamento de trânsito, porque numa determinada rotunda o piso tinha aluído. Tudo parou, não apareceu nenhum agente de trânsito, até que, passado uma meia hora, alguém tomou a iniciativa de forçar a circulação nos dois sentidos na parte utilizável da rotunda, e o problema resolveu-se. Como previra Barabási, o mecanismo das prioridades dinâmicas funcionou!
No País, continuamos aparentemente à espera. Mas o tempo passa, e as nossas prioridades vão sendo ajustadas continuamente. Os poderes instituídos devem sabê-lo. Ou não?

sábado, 4 de maio de 2013

Novo resgate para quê?

O problema é que não tratamos de resolver o nosso problema de sempre? Sabermos o que queremos!
E das duas uma, ou queremos ser o que quase sempre fomos, europeus de segunda, do lado de lá de Espanha, ignorantes, incultos, dependentes, sempre à espera de alguém que nos "guie", ou queremos sair deste buraco em que nos enfiamos, valorizar o que temos, e viver de igual para igual num espaço europeu em que todos se respeitam, sem norte e sul, sem este e oeste, sem europeus de primeira e de segunda.
E esta definição é urgente!
No primeiro caso, não precisamos do Euro, é preferível uma moeda própria, e enganarmo-nos com salários que crescem mas que não valem nada, com uma inflação enorme, com taxas de juros insuportáveis, com poder de compra real em queda permanente, como bem nos recordamos.
E confesso que não estou seguro de que não seja esta a opção que em breve nos será "oferecida".
No segundo caso, não é de um resgate que precisamos. Todos sabemos o efeito de um resgate. Se não se tratar de resolver, ou de dar os primeiros passos para resolver, os problemas essenciais, o desemprego, a ignorância, o baixo nível de educação, a atractividade do País para o turismo e para o investimento, a reconstrução de tudo o que foi destruído, das belezas naturais ao património abandonado e às "urbanizações" sem sentido, a legislação anárquica, e tantas outras coisas, não chegaremos a lado nenhum.
Já todos, ou todos menos dois, no mínimo, percebemos que cortar nos salários e aumentar impostos implica cortar no consumo, cortar nas receitas fiscais, aumentar o desemprego, aumentar as despesas sociais, e não resolve o problema do défice, sequer. Portanto, não resolve problema nenhum.
Mas a alternativa precisa de um governo competente e forte, de gente com ideias que mobilizem, de uma visão moderna da sociedade, em que o trabalho é visto de uma forma completamente diferente.
É desta grande mudança de paradigma que precisamos. Já! Porque está na ordem do dia.

sábado, 16 de março de 2013

Onde está a luz no fim do túnel?

Pois é. Parece que paramos, que desistimos, que nos sentamos no chão, de costas, à espera.  De quê? Não sabemos. Nem sabemos. Não pode ser muito pior, não é?
Mas pode, graças aos nossos "governantes", todos, aqueles que "elegemos", sem nos erguermos contra a tirania dos partidos, que escolhem os "eleitos", que partem e repartem tudo o que nos podem retirar, sem contemplações, sem respeito, sem cumprir o dever de governar, de apontar um caminho.
Graças ao fim do Escudo, que servia para repartir os custos da nossa ineficiência de uma forma mais equlibrada, mas que não servia para alguns, os que se apropriam das economias de todos, e para quem só serve uma moeda forte, que não desvalorize.
Graças à forma como os sucessivos governos não olharam de frente para a questão do emprego, da criação de empresas, dos sectores estratégicos, da educação, da cultura, dos valores que podem fazer a diferença.
Como é possível uma Nação com quase mil anos de história se entregar nas mãos desta gente ignorante, e não se revoltar, não se libertar, não escolher outro caminho?
Lembremo-nos ao menos de Gedeão.

sábado, 2 de março de 2013

MoVimento 5 Stelle

Não confundo Beppe Grillo nem com Tiririca nem com José Manuel Coelho.
O MoVimento 5 Stelle teve um grande resultado eleitoral em Itália pela simples razão de 1 em cada 4 eleitores não acreditar nos partidos "tradicionais" nem na capacidade dos seus dirigentes em encontrar uma saída para a crise na Itália e na Europa.
Os Italianos não acreditam no Euro, não acreditam numa Europa guiada pela Alemanha, não acreditam nos burocratas de Bruxelas, querem viver a sua vida como gostam, querem ser senhores dos seus destinos, não se importam de ter uma moeda desvalorizadíssima, de usar notas velhas, de pagar dezenas de milhares de Liras por uma simples refeição, de ter uma taxa de inflação que os assusta sempre que querem trocar as suas Liras por outra moeda, de ter um velho Fiat, porque têm o sol, o mar, a música, a pasta, a Ferrari, a alegria de viver.
Os Italianos querem regressar ao tempo em que eram senhores deles próprios, e estão dispostos a pagar por isso.

From In and around Venezia, August 2006

Gosto desta Itália, do Norte a Sul, sinto-me em casa, seja em Milão seja em Bari, e acredito que todos saberemos defender a liberdade, e que a Europa do sul não se deixará derrotar por esta gente cinzenta que acha que é capaz de governar a Europa, mas que só sabe da teoria económica que vem nos livros que leram.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

E não se muda o sistema eleitoral?

Não consigo perceber o que se passa na cabeça destes seres que se apoderaram das nossas instituições e que nada fazem no sentido de mudar o nosso sistema político, para que possamos passar a escolher os melhores para o desempenho dos cargos de governo.
Será que estão convencidos que conseguem perpetuar o sistema existente, que não perceberam que estão possivelmente perante a última oportunidade para o mudar de uma forma elegante, que a alternativa não será esperar mais tempo mas pura e simplesmente chegar à mudança através da força, exercida de uma forma imprevisível, com consequências desagradáveis para alguns ou muitos?
E não seria tão fácil limpar o governo das figuras lamentáveis que por lá andam, mudar radicalmente a lei eleitoral para que os nossos representantes passem a ser eleitos nominalmente, um por um, sem a protecção de um partido, e deixar o presidente da República convocar eleições para um parlamento novo, em que cada um representa uma parte precisa da população, que se veria toda representada nesse parlamento?
Membros do parlamento capazes de olhar para os nossos problemas mais básicos, dos desempregados, dos reformados, do desnorte do nosso sistema de ensino, e de eleger um governo capaz de adoptar as medidas paradigmáticas capazes de transformar as mentalidades e de criar de imediato uma nova esperança para todos.
E uma justiça em que as pessoas acreditem, que não proteja os fortes.
Não estará tudo aí, ao virar da esquina?!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Onde está o meu deputado?

My MP, o meu membro do parlamento, tive um nos anos em que vivi em Inglaterra.
O sistema político inglês assenta em três pilares, o Monarca, a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns (o Parlamento).
Na Câmara dos Lordes sentam-se os Lordes Espirituais, e os Lordes Temporais, estes nomeados pelo Monarca, por proposta do primeiro-ministro. No total, os Lordes são actualmente 760. E até 2009 tiveram o poder judicial supremo.
Na Câmara dos Comuns sentam-se 650 membros do parlamento, eleitos individualmente, em 650 actos eleitorais distintos, nas 650 circunscrições eleitorais existentes, para um mandato máximo de 5 anos.
O Monarca convida o líder do partido mais votado a formar Governo, constituído obrigatoriamente por membros da Câmara dos Comuns (embora possa incluir membros da Câmara dos Lordes), isto é, políticos que tiveram obrigatoriamente de ganhar uma eleição nominal, na sua circunscrição eleitoral, e que têm de cuidar dos interesses dessa circunscrição se aspiram a vir a ser reeleitos.
Cabe ao primeiro ministro aconselhar o Monarca a ouvir o povo quando os 5 anos de mandato se aproximam do fim, ou antes, se achar que está a perder o apoio popular. Também pode, quando o parlamento muda de opinião, aconselhar o Monarca a convidar o líder da oposição a formar Governo.
E o parlamento muda muitas vezes de opinião, ou porque deputados mudaram de bancada, ou com as chamadas by-elections, eleições ocasionais de deputados, por falecimento, ou abandono do cargo de alguns. A eleição é sempre de um deputado, que nunca será substituído por alguém não eleito: não há listas!
É este pormenor que divide a Inglaterra de Bruxelas e do resto da Europa, que os Ingleses vêem cheios de gente não eleita a tomar decisões.
E é este sistema de representação que eu reclamo para Portugal.
Quam tem medo desta responsabilização pessoal de cada deputado?