domingo, 1 de janeiro de 2017

2017

Estamos em 2017!
Sobrevivemos mais um  ano, o País continua a respirar, o mundo deixou de olhar para nós com demasiada atenção, está na hora de aproveitar.
Aproveitar para pensar menos no imediato e mais no que pretendemos para este colectivo chamado Portugal, como melhorar a qualidade dos nossos governantes, o funcionamento da justiça, a educação que proporcionamos aos nossos jovens, como tratamos os mais velhos.
Um País são regras, são sistemas, são organizações, mas são essencialmente pessoas, que têm o direito e o dever de sonhar.
E as pessoas estão a aprender a desconfiar dos políticos que sabem tudo e a seguir aqueles que lhes falam mais ao coração, 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Não há palavras

O País arde, pela incompetência dos políticos, dos que governam e dos que fiscalizam o governo, ou vice-versa, que vai dar ao mesmo. O facto de, desta vez, os comentários dos "representantes" dos bombeiros serem mais brandos só o confirma.
As finanças estão incendiadas, não vai haver dinheiro, não sabemos viver numa economia que não cresce, em que os bancos não pagam juros, em que o capital não é remunerado como antigamente. Mas ninguém fala nisso.
As pensões, baseadas exactamente num esquema de remuneração dos fundos acumulados, estão em perigo. Mas quem quer discutir isso? Há aquele estudo, do ministro muito entendido nestas coisas, e basta...
A economia não cresce, ninguém investe, não há ideias, um rumo, um caminho, uma luz, uma esperança, mas isso que interessa?
Estamos no grau zero da credibilidade, o próprio BCE está a preparar-se para nos largar, vale-nos apenas a nossa irrelevância. Mas não há razões para alarme!
O governo, os ministros, a oposição, os deputados, andam preocupados? Não! Estamos em Agosto!
Temos o que merecemos.
Não há palavras...

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Máquinas de lavar

Há máquinas de lavar a roupa, há máquinas de lavar a louça, há máquinas de lavar automóveis, e há máquinas de lavar dinheiro. Dinheiro sujo. Dinheiro cuja proveniência precisa de uma explicação.
E há o outro lado deste mundo, os esconderijos onde se guarda o dinheiro que aguarda pela oportunidade de ser limpo.
O dinheiro sujo vem de negócios sujos, droga, prostituição, tráfego humano, de refugiados, falsificação, e outros métodos de que a mente humana é capaz, desde os tempos bíblicos.
Não há limites, quer nos métodos quer nos valores envolvidos.
Ouvimos todos os dias notícias relacionadas com estas actividades, desde as fraudes nas apostas desportivas às transferências de jogadores de futebol, desde os grandes negócios titulados por empresas offshore por valores fora de mercado, às malas carregadas de dinheiro que circulam de país em país, desde os negócios onde políticos e empresas se misturam alegremente, sem qualquer respeito pelas normas éticas mais elementares, às transações de prémios de jogos de casino, lotaria ou totoloto, etc.
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Os grandes buracos, os milhares de milhões que se sumiram dos bancos, cá e em todo o mundo, estão na sua maioria escondidos, em antecâmaras onde aguardam pela sua vez de regressar aos circuitos financeiros legais, pois desde que haja uma justificação para a exibição do dinheiro, este está limpo e pode ser utilizado livremente.
Seremos capazes de eliminar esta vergonha um dia? Não sei...

domingo, 22 de maio de 2016

Plano B

Sempre que ouço falar em plano B vem-me à memória a tristemente célebre ideia do ministro das finanças em 2011 de fixar uma fasquia para as nossas taxas de juro, 7%, que se fosse ultrapassada nos obrigaria a pedir o resgate de Portugal. Dito e feito. Foi, e bem depressa.
Estou convencido que esta coisa de se revelar a alternativa, o plano B, nunca funciona!
Imaginemos por exemplo que o governo anunciava que se a coisa corresse mal aumentaria o imposto para os automóveis de valor superior a 25 000 €. O efeito imediato seria que todos os que tinham em vista tal aquisição a antecipariam para evitar o imposto, e lá se iria o efeito pretendido.
É evidente que há plano B. Todos temos um plano B sempre. Na nossa vida pessoal, nas empresas, e no governo. Para as pequenas acções e para os grandes projectos. E um plano C, caso o B também não resulte.
O que me incomoda é esta ideia dos jornalistas, e dos economistas comentadores, de quererem saber quais serão as medidas que o governo tem na manga para o caso de haver um desvio nas suas previsões.
Esta atitude radica no conceito de que todo o funcionamento da economia se explica numa folha Excel e que, portanto, tudo é muito fácil, tudo o que os governos têm é má vontade. Mas não é. As decisões tomam-se no momento. Formulam-se hipóteses, imaginam-se cenários, consideram-se alternativas, mas as decisões só se tomam no momento.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Egoismos

Vi agora que há quase meio ano que não deixo aqui os meus comentários.
Entretanto, tudo mudou, e nada mudou. No nosso País, e no mundo.
Por cá, novo governo, novo presidente, novo discurso, um sentimento de que afinal haveria alternativa a uma austeridade tremenda, e ao mesmo tempo a noção de que não temos os recursos, especialmente os humanos, necessários para sair desta situação terrível.
Lá fora, governos que caem, políticas que falham, uma crise endémica que ameaça prolongar-se por tempo indefinido, o reconhecimento de que tudo está mal, e a mesma incapacidade de encontrar o caminho alternativo que se reconhece quase unanimamente como necessário.
O sistema bancário desregulado, as economias de casino, os "produtos financeiros complexos", a inimaginável acumulação de capitais provenientes de actividades ilícitas, as empresas offshore destinadas a ocultar fortunas colossais, são sinais de um mundo que tem meios mas não tem resposta para os problemas mais básicos, como a fome, a violência, e os fanatismos.
No centro destes problemas estão os egoismos, as coutadas, esta incapacidade de repartir o que quer que seja, nomeadamente o trabalho.
Num mundo em que cada vez mais trabalho é realizado por máquinas, de forma automática, com menos intervenção humana, trabalho normalmente penoso, repetitivo, duro, realizado em condições difíceis, não se percebe que não ganhe apoio a ideia de trabalhar menos dias por semana, distribuindo o trabalho disponível por todos, criando novas oportunidades para uma indústria ligada ao lazer e ao tempo livre.
Puro egoismo!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A formiga no carreiro

Todos já vimos as formigas no carreiro.
As formigas desenvolveram um sistema de orientação que lhes permite colectivamente encontrar o caminho para uma zona onde haja alimentação e ordeiramente proceder ao seu armazenamento. Apenas com base nas feromonas que libertam quando encontram alimentos e que se evaporam ao fim de algum tempo, as formigas comunicam umas com as outras e acabam todas alinhadas no caminho óptimo, contornando obstáculos da forma mais inteligente.



Este sistema de comunicação mediada por feromonas deu origem a algoritmos de optimização muito eficientes não só na descoberta de caminhos óptimos como também noutras áreas como escalonamento de acções ou horários de aulas.
Mas curiosamente este sistema não responde a mudanças. Se um dos obstáculos for retirado, as formigas continuam a contorná-lo como se lá continuasse...
Só há uma maneira de obrigar as formigas a encontrar o caminho melhor: desorientá-las, através da introdução de um obstáculo inesperado, que é retirado de seguida. Perante a desorientação, as formigas fazem outra vez todo o trabalho e rapidamente encontram o caminho que já lá estava mas que lhes escapava.
O mesmo sucede com as sociedades, que precisam de um abanão de vez em quando para fugirem da rotina e descobrirem as alternativas que sempre existem.
Ou não será?

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Mau Estado

O Francisco Jaime Quesado escreve hoje no Público sobre os Cinco desafios para o futuro governo. Não concordo nada com a sua visão estratégica.
O que é essencial é que as pessoas entendam como funciona o mundo hoje, e que assumam os seus próprios projectos, e que o estado ajude aqueles que perderam os seus empregos que julgavam para a vida e que nunca mais recuperarão.
O que precisamos é de acelerar a transição de uma economia da ignorância que ainda vivemos para uma economia do conhecimento, que já tivemos há uns 600 anos atrás e que perdemos pelo excesso de (mau) estado, por uma máquina clientelar gigantesca, em grandes e pequenos negócios, dos ministérios às juntas de freguesia. Todos os dias tomamos conhecimento de novos casos.
O que não podemos é continuar a sustentar um mau estado que se desculpa sistematicamente com a crise económica, sem procurar as verdadeiras causas do nosso atraso e desespero.
Um exemplo gritante é o das Universidades, e aí estou totalmente de acordo com o Reitor da Universidade do Porto, quando nos tentou dizer que é preciso procurar noutro sítio as razões para o crescente abandono escolar no ensino superior. 


Há outras razões, tão ou mais importantes, como a ausência de motivação, o sentido de inutilidade, a frustração, a noção de que se escolheu um curso que conduz ao desemprego. 
Os jovens merecem melhores cursos, cursos que ofereçam perspectivas de trabalho num mundo em mudança. Deixem as Universidades adequar as suas ofertas a essas necessidades percebidas, em vez de as espartilhar em numerus clausus enganadores.