Quatro dos maiores tudólogos da nossa praça abriram as hostilidades.
Em 30 de Dezembro de 2016, Miguel Sousa Tavares escreveu no Expresso O ano da pós-verdade, no dia seguinte José Pacheco Pereira escreveu no Público A ascensão da nova ignorância, em 3 de Janeiro, Paulo Rangel brindou-nos, também no Público, com Redes sociais, populismo e democracia directa, e José Manuel Fernandes escreveu no Observador A culpa é toda das redes sociais. E já agora da máquina a vapor.
É o assunto do dia, do mês, do ano.
De todos os quadrantes, vêm todas as opiniões e as suas contrárias.
Os especialistas não acertam em nada, seja na economia seja na política.
E ainda bem.
Ao mesmo tempo, debate-se a Inteligência Artificial Artificial do Amazon Mechanical Turk, que nos transforma a todos em escravos de nós próprios, por meia dúzia de moedas.
Será o regresso das pessoas normais?
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Construir
Um país constrói-se a pensar no presente e no futuro. E a natureza ensina-nos a planear e prever.
A cortiça de hoje, o azeite de hoje, resultaram de decisões de pessoas que viveram antes, mas com essa visão de futuro.
Uma ponte bem feita, é feita para durar, para respeitar a natureza, e para preservar os valores estéticos do local onde é construída.
A escola também tem de pensar que está a formar jovens para viver num mundo que apenas podemos imaginar ou tentar prever. É esse o grande desafio.
Com as ferramentas de hoje, há matérias que aprendemos na escola e que agora são absolutamente dispensáveis, e há outras que a escola não nos ensina e que deveria ensinar.
Se há sessenta anos eu sabia de cor todas as estações e apeadeiros dos caminhos de ferro portugueses, porque não havia um Google, não fazia a mínima ideia de como evoluiria a mente humana perante as novas ferramentas sociais, que nos permitem comunicar instantâneamente com quem quisermos, comentar o que os outros dizem, tentar induzir os outros em erro, ameaçar, incomodar, criar personagens e notícias falsas, a coberto da sensação de impunidade que estar atrás de um ecrã ocasiona.
Este mundo altamente interactivo é muito perigoso, e todos temos de ter consciência de que estamos a construir instrumentos ao mesmo tempo aliciantes e com grande poder de destruição.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Arrumar a casa
Nós por cá sempre gostamos de fazer o que nos passa pela cabeça, sem pensar nos outros e nem mesmo no nosso próprio futuro!
Depois, somos um país sem estradas, só com ruas, sem qualquer sentido de organização, mesmo de defesa do nosso próprio bem estar. Famílias isoladas, pessoas isoladas, custos caríssimos, qualidade de vida péssima.
Sempre que viajo de avião, gosto de olhar para o terreno e ver como noutros países as pessoas organizam as suas casas, em pequenas vilas ou aldeias, à volta de uma praça, onde há um jardim, uma escola, um centro social, e vizinhos, que se ajudam mutuamente, e que são a primeira linha de apoio a cada um, contra o isolamento.
Tudo isto contrói-se lentamente, com outras mentalidades, com espírito de partilha, pensando menos no imediato e mais a médio prazo.
Mas tudo isto esbarra com a política, com o sistema político, com a necessidade de ganhar eleições no imediato, com obras disparatadas, mais uma piscina, mais uma rotunda, mais uma festa, mais um fogo de artifício, mais um adiamento do essencial.
Todos nós somos capazes de identificar dezenas, centenas, milhares de obras inúteis, de dinheiro mal gasto em benefício de alguns, do conluio entre o político, o construtor e o gerente bancário, e um país sucessivamente adiado.
O facto de esta mudança de mentalidades não se poder fazer de um dia para o outro torna-a ainda mais urgente!
Depois, somos um país sem estradas, só com ruas, sem qualquer sentido de organização, mesmo de defesa do nosso próprio bem estar. Famílias isoladas, pessoas isoladas, custos caríssimos, qualidade de vida péssima.
Sempre que viajo de avião, gosto de olhar para o terreno e ver como noutros países as pessoas organizam as suas casas, em pequenas vilas ou aldeias, à volta de uma praça, onde há um jardim, uma escola, um centro social, e vizinhos, que se ajudam mutuamente, e que são a primeira linha de apoio a cada um, contra o isolamento.
Tudo isto contrói-se lentamente, com outras mentalidades, com espírito de partilha, pensando menos no imediato e mais a médio prazo.
Mas tudo isto esbarra com a política, com o sistema político, com a necessidade de ganhar eleições no imediato, com obras disparatadas, mais uma piscina, mais uma rotunda, mais uma festa, mais um fogo de artifício, mais um adiamento do essencial.
Todos nós somos capazes de identificar dezenas, centenas, milhares de obras inúteis, de dinheiro mal gasto em benefício de alguns, do conluio entre o político, o construtor e o gerente bancário, e um país sucessivamente adiado.
O facto de esta mudança de mentalidades não se poder fazer de um dia para o outro torna-a ainda mais urgente!
domingo, 1 de janeiro de 2017
2017
Estamos em 2017!
Sobrevivemos mais um ano, o País continua a respirar, o mundo deixou de olhar para nós com demasiada atenção, está na hora de aproveitar.
Aproveitar para pensar menos no imediato e mais no que pretendemos para este colectivo chamado Portugal, como melhorar a qualidade dos nossos governantes, o funcionamento da justiça, a educação que proporcionamos aos nossos jovens, como tratamos os mais velhos.
Sobrevivemos mais um ano, o País continua a respirar, o mundo deixou de olhar para nós com demasiada atenção, está na hora de aproveitar.
Aproveitar para pensar menos no imediato e mais no que pretendemos para este colectivo chamado Portugal, como melhorar a qualidade dos nossos governantes, o funcionamento da justiça, a educação que proporcionamos aos nossos jovens, como tratamos os mais velhos.
Um País são regras, são sistemas, são organizações, mas são essencialmente pessoas, que têm o direito e o dever de sonhar.
E as pessoas estão a aprender a desconfiar dos políticos que sabem tudo e a seguir aqueles que lhes falam mais ao coração,
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Não há palavras
O País arde, pela incompetência dos políticos, dos que governam e dos que fiscalizam o governo, ou vice-versa, que vai dar ao mesmo. O facto de, desta vez, os comentários dos "representantes" dos bombeiros serem mais brandos só o confirma.
As finanças estão incendiadas, não vai haver dinheiro, não sabemos viver numa economia que não cresce, em que os bancos não pagam juros, em que o capital não é remunerado como antigamente. Mas ninguém fala nisso.
As pensões, baseadas exactamente num esquema de remuneração dos fundos acumulados, estão em perigo. Mas quem quer discutir isso? Há aquele estudo, do ministro muito entendido nestas coisas, e basta...
A economia não cresce, ninguém investe, não há ideias, um rumo, um caminho, uma luz, uma esperança, mas isso que interessa?
Estamos no grau zero da credibilidade, o próprio BCE está a preparar-se para nos largar, vale-nos apenas a nossa irrelevância. Mas não há razões para alarme!
O governo, os ministros, a oposição, os deputados, andam preocupados? Não! Estamos em Agosto!
Temos o que merecemos.
Não há palavras...
As finanças estão incendiadas, não vai haver dinheiro, não sabemos viver numa economia que não cresce, em que os bancos não pagam juros, em que o capital não é remunerado como antigamente. Mas ninguém fala nisso.
As pensões, baseadas exactamente num esquema de remuneração dos fundos acumulados, estão em perigo. Mas quem quer discutir isso? Há aquele estudo, do ministro muito entendido nestas coisas, e basta...
A economia não cresce, ninguém investe, não há ideias, um rumo, um caminho, uma luz, uma esperança, mas isso que interessa?
Estamos no grau zero da credibilidade, o próprio BCE está a preparar-se para nos largar, vale-nos apenas a nossa irrelevância. Mas não há razões para alarme!
O governo, os ministros, a oposição, os deputados, andam preocupados? Não! Estamos em Agosto!
Temos o que merecemos.
Não há palavras...
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Máquinas de lavar
Há máquinas de lavar a roupa, há máquinas de lavar a louça, há máquinas de lavar automóveis, e há máquinas de lavar dinheiro. Dinheiro sujo. Dinheiro cuja proveniência precisa de uma explicação.
E há o outro lado deste mundo, os esconderijos onde se guarda o dinheiro que aguarda pela oportunidade de ser limpo.
O dinheiro sujo vem de negócios sujos, droga, prostituição, tráfego humano, de refugiados, falsificação, e outros métodos de que a mente humana é capaz, desde os tempos bíblicos.
Não há limites, quer nos métodos quer nos valores envolvidos.
Ouvimos todos os dias notícias relacionadas com estas actividades, desde as fraudes nas apostas desportivas às transferências de jogadores de futebol, desde os grandes negócios titulados por empresas offshore por valores fora de mercado, às malas carregadas de dinheiro que circulam de país em país, desde os negócios onde políticos e empresas se misturam alegremente, sem qualquer respeito pelas normas éticas mais elementares, às transações de prémios de jogos de casino, lotaria ou totoloto, etc.
Os grandes buracos, os milhares de milhões que se sumiram dos bancos, cá e em todo o mundo, estão na sua maioria escondidos, em antecâmaras onde aguardam pela sua vez de regressar aos circuitos financeiros legais, pois desde que haja uma justificação para a exibição do dinheiro, este está limpo e pode ser utilizado livremente.
Seremos capazes de eliminar esta vergonha um dia? Não sei...
E há o outro lado deste mundo, os esconderijos onde se guarda o dinheiro que aguarda pela oportunidade de ser limpo.
O dinheiro sujo vem de negócios sujos, droga, prostituição, tráfego humano, de refugiados, falsificação, e outros métodos de que a mente humana é capaz, desde os tempos bíblicos.
Não há limites, quer nos métodos quer nos valores envolvidos.
Ouvimos todos os dias notícias relacionadas com estas actividades, desde as fraudes nas apostas desportivas às transferências de jogadores de futebol, desde os grandes negócios titulados por empresas offshore por valores fora de mercado, às malas carregadas de dinheiro que circulam de país em país, desde os negócios onde políticos e empresas se misturam alegremente, sem qualquer respeito pelas normas éticas mais elementares, às transações de prémios de jogos de casino, lotaria ou totoloto, etc.
Os grandes buracos, os milhares de milhões que se sumiram dos bancos, cá e em todo o mundo, estão na sua maioria escondidos, em antecâmaras onde aguardam pela sua vez de regressar aos circuitos financeiros legais, pois desde que haja uma justificação para a exibição do dinheiro, este está limpo e pode ser utilizado livremente.
Seremos capazes de eliminar esta vergonha um dia? Não sei...
domingo, 22 de maio de 2016
Plano B
Sempre que ouço falar em plano B vem-me à memória a tristemente célebre ideia do ministro das finanças em 2011 de fixar uma fasquia para as nossas taxas de juro, 7%, que se fosse ultrapassada nos obrigaria a pedir o resgate de Portugal. Dito e feito. Foi, e bem depressa.
Estou convencido que esta coisa de se revelar a alternativa, o plano B, nunca funciona!
Imaginemos por exemplo que o governo anunciava que se a coisa corresse mal aumentaria o imposto para os automóveis de valor superior a 25 000 €. O efeito imediato seria que todos os que tinham em vista tal aquisição a antecipariam para evitar o imposto, e lá se iria o efeito pretendido.
É evidente que há plano B. Todos temos um plano B sempre. Na nossa vida pessoal, nas empresas, e no governo. Para as pequenas acções e para os grandes projectos. E um plano C, caso o B também não resulte.
O que me incomoda é esta ideia dos jornalistas, e dos economistas comentadores, de quererem saber quais serão as medidas que o governo tem na manga para o caso de haver um desvio nas suas previsões.
Esta atitude radica no conceito de que todo o funcionamento da economia se explica numa folha Excel e que, portanto, tudo é muito fácil, tudo o que os governos têm é má vontade. Mas não é. As decisões tomam-se no momento. Formulam-se hipóteses, imaginam-se cenários, consideram-se alternativas, mas as decisões só se tomam no momento.
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