sábado, 28 de fevereiro de 2026

Gerir as pequenas coisas

Hoje, dei-me a pensar nesta nossa dificuldade quase genética de gerir os sistemas que fazem parte da nossa vida, desde a saúde ou os transportes até àquelas coisas verdadeiramente pequenas, mas que, se pensarmos bem, são bastante grandes.
Sempre que saio de casa, acendo a luz do patamar e chamo o elevador. Quase sempre, o tempo do temporizador da luz é inferior ao tempo que o elevador demora a chegar, pelo que tenho de accionar novamente o interruptor de luz, que assim vai ficar acesa durante algum tempo depois de eu entrar no elevador. Se o tempo do temporizador fosse ligeiramente maior, quanta energia se pouparia? Alguém terá pensado nisto?
Outra situação em que a gestão do tempo falha por muito é nas passadeiras para peões. A maior parte das vezes, pelo menos naquelas que eu mais uso, o tempo de espera até se acender a luz verde para os peões é de tal modo grande que já não há automóveis para passar e o sinal continua vermelho. Eu, como a maior parte das pessoas, atravesso a rua, e algum tempo depois lá fica o sinal vermelho para uns automobilistas que não percebem por quê, pois não há nenhum peão a atravessar. Não haveria melhor solução? Certamente que sim.
A gestão dos espaços nos parques de estacionamento, salvo raras excepções, também é péssima. Os lugares demasiado estreitos fazem com que sobrem fracções de lugares dispersas ao longo do parque que, somadas, dariam para mais alguns lugares, que assim ficam desaproveitados. Conheço vários parques em que assim é.
Parei na contramão atrapalhando o tráfego.
A localização das paragens dos vários sistemas de transportes na cidade do Porto é outro exemplo de péssima gestão de espaços e distâncias. Quando era de prever que a intermodalidade fosse favorecida colocando numa mesma vizinhança as paragens dos autocarros, do metro ou do BRT, elas são colocadas em pontos que parecem pensados exactamente para obrigar os utilizadores a fazer longas distâncias a pé.
Na minha opinião, quem não é capaz de prestar atenção aos pequenos detalhes, de se interrogar sempre sobre se não haverá uma solução melhor para o pequeno problema, não vai ser capaz de gerir os grandes sistemas. Ou será?