(deixo aqui umas notas que publiquei recentemente num local restrito, e que espero que sejam úteis)
A importância dos artigos e das publicações científicas tem-se baseado no número de citações, com mais ou menos restrições.
Estas
métricas baseadas em contagens estão sujeitas a muitos factores que as
tornam pouco fiáveis, pois podem ser inflacionadas de muitas maneiras -
citação com citação se paga.
Este assunto é crítico na medida em que
assuntos tão sérios como a progressão nas carreiras científicas ou o
financiamento de programas de investigação está hoje nas mãos de um
pequeno número de organizações - ISI Web of Knowledge, da Thomson Reuters, e Scopus, da Elsevier.
Há algum tempo que muitos investigadores procuram soluções não comerciais, destacando-se Harzing's Publish or Perish, Google Citations e mais recentemente Microsoft Academic Search.
No que respeita às publicações em si, as ferramentas mais usadas têm sido os Journal Citation Reports, que calculam nomeadamente os factores de impacto de milhares de publicações científicas, agrupadas por área científica (exemplo aqui).
Uma alternativa gratuita aos JCR é o SCImago Journal & Country Rank, que usa o algoritmo PageRank e a base de dados Scopus para obter resultados.
As alternativas à simples contagem de citações têm sido sugeridas pelo estudo das redes sociais e pelos resultados das medidas de centralidade e de importância dos nós da redes: centralidade de vector próprio e PageRank, nomeadamente.
Basicamente, não se contam apenas as citações, mas atende-se à qualidade de cada uma.
West e Bergstrom, na Universidade de Washington, têm estudado este assunto intensamente, e a universidade fundou recentemente uma empresa, eigenFACTOR, para trabalhar neste domínio.
Claro que hoje, com as ferramentas colaborativas como Zotero e Mendeley, pode perguntar-se se não será muito mais válido tomar em consideração os artigos que os investigadores que usam estas ferramentas estão efectivamente a utilizar. A discussão está aí.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Onde está a dignidade?
São tantas as opiniões, e tão divergentes, que não sabemos (ou sabemos?) se a maioria dos comentadores de economia diz o que pensa realmente ou diz simplesmente o que lhe convém, de acordo com a sua agenda política.
Precisamos ou não de um segundo resgate? Depende da nossa opção, do modo de vida que pretendemos!
Se achamos que podemos viver eternamente à custa dos outros, então venham daí esses resgates. Serão uma espécie de mesada. O problema é que poderão não vir sempre...
Agora, se é para pagar de volta, o problema principal é outro. Vamos ter que saldar a dívida e pagar os juros, pelo que nos interessa que a nossa dívida seja a menor possível. E vamos ter de atingir rapidamente uma situação de saldo primário positivo (saldo sem juros nem amortização da dívida), pelo que temos de reduzir as despesas e, se possível, aumentar as receitas.
Todos sabemos isto quando contraímos um empréstimo num banco.
Sendo isto tudo tão simples, fico completamente pasmado quando vejo políticos cá da terra acharem que não, que não somos nada como os gregos, e ao mesmo tempo acharem que sim, que devemos estender a mão para recebermos o perdão que os gregos aparentemente irão receber.
Em que ficamos? O que queremos? Queremos salvar o País ou derrubar o governo?
Onde está a dignidade?
Precisamos ou não de um segundo resgate? Depende da nossa opção, do modo de vida que pretendemos!
Se achamos que podemos viver eternamente à custa dos outros, então venham daí esses resgates. Serão uma espécie de mesada. O problema é que poderão não vir sempre...
Agora, se é para pagar de volta, o problema principal é outro. Vamos ter que saldar a dívida e pagar os juros, pelo que nos interessa que a nossa dívida seja a menor possível. E vamos ter de atingir rapidamente uma situação de saldo primário positivo (saldo sem juros nem amortização da dívida), pelo que temos de reduzir as despesas e, se possível, aumentar as receitas.
Todos sabemos isto quando contraímos um empréstimo num banco.
Sendo isto tudo tão simples, fico completamente pasmado quando vejo políticos cá da terra acharem que não, que não somos nada como os gregos, e ao mesmo tempo acharem que sim, que devemos estender a mão para recebermos o perdão que os gregos aparentemente irão receber.
Em que ficamos? O que queremos? Queremos salvar o País ou derrubar o governo?
Onde está a dignidade?
domingo, 8 de janeiro de 2012
A vigésima empresa do PSI-20
Descobrimos agora que dezanove das vinte empresas listadas no PSI-20 têm operações domiciliadas no estrangeiro, maioritariamente na Holanda, para daí retirarem vantagens fiscais. Tudo bem! Se há vantagens, pode exigir-se às empresas que delas não procurem beneficiar? Quem nunca abasteceu o seu carro em Vigo, ou em Badajoz?
Mas o que se passa com a competitividade fiscal de Portugal? Não somos competitivos? Esperamos assim atrair investimentos? E o Governo que diz? Não ouvi nada!
E qual é a vigésima empresa do PSI-20, aquela que se mantem heroicamente em Portugal, que não está interessada nas vantagens fiscais, na estabilidade fiscal? Estarão os seus gestores distraídos? Estaremos todos distraídos? Ninguém quer saber o que se passa? Não é notícia?
Pois eu acho que seria bom sabermos qual é. Pela minha parte, eliminei da lista todas as que foram mencionadas nos últimos dias,e fiquei com um número reduzido de hipóteses. Quando descobrir a resposta que procuro, partilhar-la-ei.
Mas o que se passa com a competitividade fiscal de Portugal? Não somos competitivos? Esperamos assim atrair investimentos? E o Governo que diz? Não ouvi nada!
E qual é a vigésima empresa do PSI-20, aquela que se mantem heroicamente em Portugal, que não está interessada nas vantagens fiscais, na estabilidade fiscal? Estarão os seus gestores distraídos? Estaremos todos distraídos? Ninguém quer saber o que se passa? Não é notícia?
Pois eu acho que seria bom sabermos qual é. Pela minha parte, eliminei da lista todas as que foram mencionadas nos últimos dias,e fiquei com um número reduzido de hipóteses. Quando descobrir a resposta que procuro, partilhar-la-ei.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
O mensageiro da desgraça
É certo que no passado fizemos muitas asneiras, muitíssimas asneiras, que isso nos vai custar caro, mas não percebo onde quer chegar o nosso profeta da desgraça. Recuar no tempo? Não diz. Só diz que já disse.
Hoje, no programa "Olhos nos olhos", na TVI 24, coube à Dra. Maria João Valente Rosa, demógrafa, que dirige o fantástico projecto Pordata, contracenar com o Dr. Medina Carreira.
Tentou explicar direitinho o que é isso do "problema" demográfico, mas sem grande sucesso, perante a obsessão de MC pelos fantasmas do envelhecimento e do "desemprego", que o impede de compreender que estamos perante factos irreversíveis na sociedade de hoje.
A demografia não vai inverter-se, a sociedade vai envelhecer, vamos ter de falar de uma quarta idade, de reformas a tempo parcial, e não vai haver trabalho para todos, se não o repartirmos melhor! Não podemos ao mesmo tempo mecanizar a produção, para aliviar o esforço humano, e continuar a manter os postos de trabalho anteriores!
A chave é a repartição do trabalho por todos, trabalhando todos menos, distribuindo-se melhor os rendimentos do trabalho, e tendo todos maior qualidade de vida. Este é que é o projecto. Difícil? Sim. Mas é o que nos resta. Do mesmo modo que só nos resta o futuro para trabalharmos. O passado passou!
E este é o grande desafio dos governos europeus hoje.
Hoje, no programa "Olhos nos olhos", na TVI 24, coube à Dra. Maria João Valente Rosa, demógrafa, que dirige o fantástico projecto Pordata, contracenar com o Dr. Medina Carreira.
Tentou explicar direitinho o que é isso do "problema" demográfico, mas sem grande sucesso, perante a obsessão de MC pelos fantasmas do envelhecimento e do "desemprego", que o impede de compreender que estamos perante factos irreversíveis na sociedade de hoje.
A demografia não vai inverter-se, a sociedade vai envelhecer, vamos ter de falar de uma quarta idade, de reformas a tempo parcial, e não vai haver trabalho para todos, se não o repartirmos melhor! Não podemos ao mesmo tempo mecanizar a produção, para aliviar o esforço humano, e continuar a manter os postos de trabalho anteriores!
A chave é a repartição do trabalho por todos, trabalhando todos menos, distribuindo-se melhor os rendimentos do trabalho, e tendo todos maior qualidade de vida. Este é que é o projecto. Difícil? Sim. Mas é o que nos resta. Do mesmo modo que só nos resta o futuro para trabalharmos. O passado passou!
E este é o grande desafio dos governos europeus hoje.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Como?
Hoje estive a olhar para o Relatório do Desenvolvimento Humano 2011, das Nações Unidas, e nomeadamente para o índice média de anos de escolaridade dos adultos maiores de 25 anos. Esclarecedor. Estamos em 41º lugar, com 7.7 anos em 2011, enquanto que, por exemplo, os gregos estão em 29º, com 10.1 anos.
Por outro lado, em 1980 estavamos com 4.8 anos (!) e Espanha com 5.0, mas a Espanha mais do que duplicou para 10.4 em 2011, o que lhe dá o 22º lugar, enquanto que nós marcamos passo. A Itália está em 24º e a Irlanda está em 7º!
Quando não apostamos decisivamente na formação, de professores, dos mais novos, comprometemos o nosso futuro. Porque governar um País é criar condições para todos terem a sua oportunidade, não é abrir a porta e convidar a saír (os que fazem mais falta).
Por outro lado, em 1980 estavamos com 4.8 anos (!) e Espanha com 5.0, mas a Espanha mais do que duplicou para 10.4 em 2011, o que lhe dá o 22º lugar, enquanto que nós marcamos passo. A Itália está em 24º e a Irlanda está em 7º!
Quando não apostamos decisivamente na formação, de professores, dos mais novos, comprometemos o nosso futuro. Porque governar um País é criar condições para todos terem a sua oportunidade, não é abrir a porta e convidar a saír (os que fazem mais falta).
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Emprego
A palavra emprego sempre me incomodou.
Queremos emprego! Queremos o quê? Não temos? Não temos emprego, aplicação, utilidade? Não servimos para nada? Qualquer pequena coisa que se compra numa loja qualquer vem com o respectivo "modo de emprego"! Tem a sua utilidade.
Mas que visão mais errada do funcionamento do mundo! Em que os próprios se reconhecem inúteis, sem emprego!
Temos direito a um mundo em que todos têm de e podem dar para receber! Elegemos governantes para construir uma organização social em que todos podem e têm de contribuir com o seu trabalho para receber, em função da sua contribuição.
Espanta-me que pensemos que poderemos viver em sociedade sem termos este problema resolvido. Com este conflito entre os que têm e os que não têm "emprego".
Queremos emprego! Queremos o quê? Não temos? Não temos emprego, aplicação, utilidade? Não servimos para nada? Qualquer pequena coisa que se compra numa loja qualquer vem com o respectivo "modo de emprego"! Tem a sua utilidade.
Mas que visão mais errada do funcionamento do mundo! Em que os próprios se reconhecem inúteis, sem emprego!
Temos direito a um mundo em que todos têm de e podem dar para receber! Elegemos governantes para construir uma organização social em que todos podem e têm de contribuir com o seu trabalho para receber, em função da sua contribuição.
Espanta-me que pensemos que poderemos viver em sociedade sem termos este problema resolvido. Com este conflito entre os que têm e os que não têm "emprego".
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
A diferença, sente-se
Aqueles quase quatro anos que vivemos em Inglaterra proporcionaram-nos experiências únicas, umas grandes, outras insignificantes, mas sempre marcadas por aquele espírito Inglês que só quem lá viveu tempo suficiente consegue compreender.
Um belo domingo, finais de 1977, fui até à cabine telefónica telefonar para os meus Pais (era assim...), introduzi uma moeda de 10 p, marquei o número, alguém atendeu, a moeda entrou no depósito, e a chamada caiu! Bolas! Outra vez. Introduzi outra moeda, repeti tudo, e a chamada caiu novamente! Liguei para o operador. Sim, era um operador, verdadeiro, que falava conosco, e que ouviu a minha reclamação. Pediu desculpa pelo sucedido, perguntou-me se lhe poderia facultar o meu nome e morada, disse-lhe o número para que pretendia ligar, fez a ligação e falei, sem moedas, o tempo que quis. Por mim, não esperava mais nada.
E muito menos que, dois dias depois, na minha caixa do correio, estivesse uma carta da companhia dos telefones, com um pedido de desculpa e 20 p em selos do correio, o valor das duas moedas de 10 p que a máquina tinha engolido.
É a diferença.
Um belo domingo, finais de 1977, fui até à cabine telefónica telefonar para os meus Pais (era assim...), introduzi uma moeda de 10 p, marquei o número, alguém atendeu, a moeda entrou no depósito, e a chamada caiu! Bolas! Outra vez. Introduzi outra moeda, repeti tudo, e a chamada caiu novamente! Liguei para o operador. Sim, era um operador, verdadeiro, que falava conosco, e que ouviu a minha reclamação. Pediu desculpa pelo sucedido, perguntou-me se lhe poderia facultar o meu nome e morada, disse-lhe o número para que pretendia ligar, fez a ligação e falei, sem moedas, o tempo que quis. Por mim, não esperava mais nada.
E muito menos que, dois dias depois, na minha caixa do correio, estivesse uma carta da companhia dos telefones, com um pedido de desculpa e 20 p em selos do correio, o valor das duas moedas de 10 p que a máquina tinha engolido.
É a diferença.
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