domingo, 11 de junho de 2017

Para o ano o S. João vai ser num domingo!

Um ano dura 52 semanas mais um dia, ou mais dois dias, nos anos bissextos.
Assim, se este ano o S. João é num sábado, para o ano vai ser num domingo. E no ano seguinte numa segunda. Se entretanto ocorrer um ano bissexto, o avanço é de dois dias.
Os anos bissextos ocorrem cada quatro anos, nos anos múltiplos de 4, excepto se forem anos múltiplos de 100 (1900 não foi bissexto) e não múltiplos de 400 (cuidado, que 2000 foi bissexto).
Com algumas excepções, resultantes desta questão da mudança de século, o calendário repete-se cada 28 anos.
Cada um de nós assistirá em média a umas três repetições de calendário.
Como os meses não têm todos o mesmo número de dias, vão começando por um dia da semana diferente obedecendo a uma regra menos intuitiva. Em média, os meses vão-se repetindo de sete em sete. Assim, por exemplo, haverá em média uma sexta-feira 13 de sete em sete meses, ou seja, uma ou duas por ano.
Tudo isto é muito bom, retira-nos da monotonia, obriga-nos a pensar em que dia acaba o mês, em que dia calha o Natal cada ano, em que dia celebramos o aniversário.
O actual calendário - gregoriano - foi introduzido em 1582 pelo Papa Gregório, e não obstante a sua beleza intrínseca, nomeadamente para quem gosta da subtileza dos números, do inesperado dos dias da semana, tem motivado que gente cinzenta, que acha que todo se deve repetir anualmente, trimestralmente, semanalmente, sem estas pequenas surpresas, sem este sal da vida, proponha regularmente alterações ao calendário.
A Liga das Nações há menos de 100 anos, em 1923, estudou este assunto, e considerou 185 ideias de calendários, tendo chegado ao chamado calendário universal, com 4 trimestre de 91 dias, anos de 364 dias, 52 semanas exactas, mais um ou dois dias extra calendário por ano, os dias universais.

Foi um esforço inglório. Nunca foi adoptado. Felizmente. Os meus anos sempre à quarta-feira? A que propósito? Não terei o direito de os fazer em diferentes dias da semana e saborear cada um? Não são todos iguais...

domingo, 19 de março de 2017

Não sabem que não sabem

Estou convencido que toda esta azáfama à volta da operação Marquês resulta directamente do fracasso das investigações do caso Freeport, já que o ónus de outro insucesso recaíria directamente sobre a equipa de procuradores e investigadores, onde há elementos comuns aos dois casos.
Mas não acredito que estes crimes, que envolvem trocas de informação, pagamentos, ocultação de provas, dissimulação de operações, redes de empresas, reais ou fictícias, offshores, gente especialista neste universo, profissional da realização de operações obscuras, no limite da legalidade, programas informáticos que geram automaticamente operações sobre operações, milhões de e-mails cuja leitura pelos investigadores do DCIAP é morosa e difícil, possam ser facilmente identificados e confirmados.
Aquela migração dos headquarters do grupo GES para um hotel do Estoril denotava o volume e a complexidade das operações que estes financeiros são capazes de originar.
No entanto, hoje, nas nossas principais universidades, e nomeadamente nas três clássicas, há know how que poderia contribuiria decisivamente para a desmontagens destas operações complexas.
O seu não envolvimento nestas investigações assusta-me.
Os maiores ignorantes são os que não sabem que não sabem, e esses, encontramo-los todos os dias e em toda a parte.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Um novo sistema político

Precisamos de um novo sistema político, mais leve, que aproxime os eleitos dos eleitores, sem a intermediação perniciosa dos partidos.
Os partidos, todos, diria, consideram que os eleitos são seus representantes, pessoas às suas ordens, que se devem limitar a proceder e a votar de acordo com as directivas que recebem, sem discutir, sem direito a voz própria.
Mas os eleitos, com programas, representam os seus eleitores, e não os partidos, e devem ser julgados, individualmente, pelo que fizeram, ou deixaram de fazer, no fim de cada mandato.
Os eleitos podem, ou devem, diria, estar comprometidos com ideias ou programas de partidos, que ajudem a formar correntes de opinião e ajudar a discussão. Mas só isso.
Admiro o sistema inglês. O país está dividido em circunscrições eleitorais, tantas quantas os membros do parlamento, e cada uma elege o seu. A uma volta, ponto final. Se falecer, se ficar impedido, elege-se outro. Não há suplentes, não há listas, não há políticos à boleia.
Costuma apontar-se que este sistema de listas uni-nominais, sem segunda volta, concentra os votos em dois partidos, como se fosse o sistema que condiciona os eleitores e não os eleitores que usam o sistema. Mas nada é mais falso. Basta ver quantos partidos participaram nos debates eleitorais nas últimas eleições gerais, e a composição dos últimos parlamentos.
Esta pureza do voto representativo, o meu membro do parlamento, eleito sem segunda volta, sem arranjos, existe desde a Magna Carta, com pequenas variações, e está na base da rejeição pelos ingleses do parlamento europeu, dos parlamentares eleitos por listas, e dos comissários europeus, gente que nem sequer foi submetida a um escrutínio.
Sou daqueles que há muito tempo defende a adopção deste sistema em Portugal, sem círculos nacionais, ou outras heranças da partidocracia reinante.
Vivi alguns anos em Inglaterra. Assisti a grandes batalhas eleitorais. Vi a senhora Thatcher ser eleita. Vi o sistema em pleno funcionamento. E não tenho dúvida que seríamos muito melhor governados.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Realidade virtual

Diz-se que estamos na hora da realidade virtual, dos equipamentos de realidade virtual, de um novo mundo virtual que se sobrepõe à realidade física, palpável, terrena, de todos os dias.
No entanto, a realidade virtual é possívelmente a conquista mais antiga da humanidade.
O que é a memória, senão uma realidade virtual? Ou um texto escrito, um poema, um romance, uma história, que nos transporta para um universo só nosso, pelas mãos do seu autor? Ou uma imagem, uma fotografia, uma pintura? Ou um som, a abertura de uma sinfonia, que nos leva para uma sala onde nunca estivemos, um ruído de fundo, uma voz que canta? Um cheiro. Um toque.
Um livro não é um papel impresso. Uma pintura não é uma tela pintada. A realidade "real" é essencialmente virtual.
E esses equipamentos que se anunciam são enormes limitações a esta vivência, porque tentam fixar a nossa atenção, a nossa imaginação, reduzindo-a a um cenário imposto, estranho, contraproducente.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Perspectivas

Agora está na moda criticar as opções dos outros em vez de reflectir sobre as próprias opções.
Não alinho nesses peditórios, porque quero para mim próprio o direito de decidir sobre as minhas opções, sejam elas certas ou erradas, seja isso o que for.
Normalmente não há uma única alternativa, há múltiplas perspectivas, e aqueles que pensam o contrário estão redondamente enganados.
A dúvida faz parte da nossa própria natureza.
No entanto, há um "coro" de detentores da verdade nas chamadas redes sociais, seja a propósito da eleição de um qualquer presidente seja num fora de jogo futebolístico milimetricamente julgado.
Quando um meu aluno não sabe resolver um problema que eu lhe proponho, eu penso em primeiro lugar que eu próprio falhei, pois se eu lhe propus o problema é porque estava convencido de que ele o saberia resolver.
No jogo político, a situação é semelhante. Se os eleitores não escolhem a opção que os governantes em fim de mandato preferem, estes deveriam interrogar-se em primeiro lugar a eles próprios.
Ou será que alguém pensa que num mundo ideal todos terão a mesma opinião, as mesmas certezas, os mesmos desejos, as mesmas intenções?
Eu acho que não. Que o mundo é muito mais belo.
E que a incerteza é mesmo a única certeza.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Jornalismo

Não sou jornalista, mas sou leitor compulsivo de jornais, desde O Primeiro de Janeiro, que comecei a ler com quatro anos de idade, pelas mãos da minha Avó paterna. Lia tudo, desde a necrologia até às cotações dos títulos de dívida pública.
Entretanto, o mundo mudou várias vezes, mas continuo a comprar e ler diariamente o Público, porque gosto de ler notícias tratadas por bons jornalistas, com os factos verificados, com os títulos adequados, sem confusão entre notícia e opinião.
Ultimamente, o Público tem vindo a resvalar para um jornalismo com agenda que me desagrada, e tenho-o comentado regularmente. Gosto de ler opiniões, valorizo opiniões, independentemente de concordar com elas, mas não gosto nada de ser enganado, seja por notícias não verificadas, seja por plágio de outras notícias, seja por opiniões disfarçadas de notícias.
Dezanove anos depois, os jornalistas estão reunidos em congresso. Pouco noticiado, diga-se de passagem. Fico com a ideia de que estão a descobrir que o mundo mudou.
Claro que o mundo mudou, e toda a gente o sabe. A Internet mudou tudo, desde os taxis aos alojamentos, desde a compra de livros à formação de opinião, pondo em causa modelos de negócio baseados na intermediação, e estimulando o aparecimento de novos produtos e modelos de negócio.
Entretanto, os meios de comunicação social, que vivem muito da publicidade, deixaram a Google e o Facebook absorver grande parte dessas receitas, praticamente sem contrapartidas, e ainda não conseguiram desenhar esses novos produtos que permitirão aos melhores sobreviver.
Acho que vamos continuar à espera...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Existe um mundo do outro lado

Este País que não cresce, que não tem ideias, que não tem políticos, que não se revolta, que espera com indiferença o pior e o melhor, que vive do futebol de bancada, dos insultos nos debates televisivos, das casas de segredos, dos crimes feitos novelas, das tricas, dos "famosos", parece que não tem emenda.
Estamos presos, não sabemos como passar para o outro lado, nem sabemos mesmo se haverá outro lado, mas há!
Há, mas o caminho é longo. Afastamo-nos muito, andamos entretidos a fazer o fácil, a pedir dinheiro emprestado e encaminhá-lo para o bolso de alguns espertos, sejam eles GES, BPN, amigos da CGD, titulares de cargos políticos que preferiram o caminho da corrupção, e que fizeram as leis que lhes permitiram "legalizar" os seus golpes, através de um estado monstro, através de obras de betão, planos de recuperação, insolvências fraudulentas, negócios inexplicados, empréstimos sem garantias, e uma lista infindável de artimanhas todas com o objectivo de desviar os recursos de todos para os bolsos de alguns.
Mas hoje, em que a ameaça de juros da dívida cada vez mais elevados, com um serviço da dívida verdadeiramente sufocante, esse caminho fica cada dia mais difícil.
Era bom pensarmos nisso!